Investimentos

Confira nesse guia: Conceito de Investimento;
Tipos de investimento disponíveis no Brasil e sua complexidade;
Produtos da Empiricus para cada tipo de investimento

Por André Zara, Especialista em Empreendedorismo São Paulo, Brasil

Caro leitor,

Quando o assunto é investimentos, a situação atual desperta insegurança: a economia brasileira ainda demonstra fraqueza, o cenário político nacional está instável e o ambiente internacional provoca incertezas.  

Essa conjuntura tem um impacto direto na sua vida. Você, com certeza, não quer trabalhar por obrigação até os 70 anos e ainda ter que contar com a mísera pensão do INSS, não é? Tampouco deseja ter problemas com dívidas ou perder dinheiro com aplicações nada rentáveis.

Para se proteger, você precisa aprender a investir corretamente. Mas é necessário entender os produtos disponíveis no mercado e quais são as pegadinhas de cada um deles.

Leia também: As verdades sobre o seu PGBL e VGBL

Sim, existem alguns detalhes que você precisa saber antes de começar a investir. Na renda fixa, por exemplo, as altas taxas de administração, as mordidas do Imposto de Renda e os prazos da aplicação são alguns dos fatores que podem comprometer os ganhos.

Mas fique tranquilo, vamos explicar tudo o que você precisa saber para garantir o seu futuro e o de sua família.

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Conceito de investimento

Para começar a investir é preciso ter foco. Investimentos são mecanismos de construção e proteção de patrimônio de longo prazo, pois o curto prazo está muito sujeito a reações aleatórias. Além disso, estar amarrado a uma necessidade de saque ou a um tempo definido de duração de uma aplicação retira a sua liberdade de investir.

Por isso, antes de tudo, quem deseja investir, deve formar seu colchão de liquidez, que é o dinheiro que precisamos ter em uma aplicação segura e acessível em caso de emergências. Com esse dinheiro, você fica tranquilo para superar os momentos de crise e de desemprego, além de se proteger de imprevistos, sem tocar em seus investimentos.

Para descobrir quanto precisar ter em seu colchão de liquidez, faça uma conta simples: seis vezes seus gastos mensais. Isso garante o pagamento de todas as suas despesas durante um semestre.

Se você já tem o valor necessário para formar seu colchão de liquidez, coloque-o no Tesouro Selic (nossa opção favorita), em um fundo DI ou em um CDB (certificado de depósito bancário) – falaremos mais sobre esses investimentos a seguir. Se ainda não tem o valor total, invista nesses produtos recomendados até garantir os seus seis meses de despesas.

Após garantir o seu colchão de liquidez, você pode investir em aplicações de maior risco e também de maior retorno. Nesta etapa, o importante é diversificar. Já ouviu aquela história de não colocar todos os ovos na mesma cesta? Diversificar reduz riscos, sem acabar com o retorno. Quando você se concentra em um único investimento, acaba dependendo da sorte.

Abra uma conta em uma corretora independente para ter acesso aos melhores investimentos. Os bancos, geralmente, têm produtos ruins que podem fazer com que você perca dinheiro.

Agora, vamos entender mais sobre os tipos de investimentos disponíveis. Nunca invista em algo que não entende! A Empiricus vai te ajudar.

Tipos de investimento e complexidade

Há muitas oportunidades para investir e multiplicar seu patrimônio. O gerente de seu banco provavelmente já lhe ofereceu alguns dos produtos a seguir. Entenda o que são esses produtos, bem como seu grau de complexidade, que vai de 0 a 10.  

Poupança – Complexidade 0

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De fácil entendimento e tida como a mais simples e conservadora das aplicações, a poupança continua a exercer um forte apelo sobre a maior parte dos brasileiros. Essa aplicação conta com a taxa referencial, a chamada TR, como remuneração básica, acrescida de 0,5% ao mês quando a meta da taxa Selic ao ano superar 8,5% (o que corresponde ao caso atual) ou de 70% dessa meta mensalizada, quando inferior aos 8,5% anuais.

Se, por um lado, a poupança não exige um valor mínimo para aplicação e conta com os benefícios da isenção do Imposto de Renda e da liquidez diária (é possível transferir recursos a qualquer momento para outra conta), por outro, ela tem a desvantagem de ter a rentabilidade atrelada à sua data de aniversário, ou seja, ao dia do mês de sua abertura. Por exemplo, caso você tenha aberto sua conta poupança no dia 20 e decida sacar os recursos no dia 18, deixará de ganhar os rendimentos desse mês corrido.

O mais importante é que os retornos da poupança têm sido ínfimos e nem conseguem repor a inflação do período, ou seja, atualmente a poupança faz o investidor perder dinheiro.

Fundos DI – Complexidade 1

Os chamados fundos DI contam, assim como a poupança, com liquidez diária. Também com apelo conservador, essas carteiras são de fácil entendimento, pois oferecem um rendimento próximo ao da Selic. Nada menos que 95% da carteira desses fundos precisam ser compostos por ativos (títulos ou operações) que busquem acompanhar as variações do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) ou da taxa Selic.

Por isso, sempre dizemos que não faz sentido deixar para o banco (e ainda pagar uma taxa de administração por isso) o que você pode fazer sozinho: investir nos títulos do Tesouro Selic por meio de uma conta em corretora.

Com baixo risco, já que a maior parte do fundo está alocada em títulos públicos pós-fixados, mais especificamente em Tesouro Selic, os fundos DI contam com a incidência de Imposto de Renda, que atualmente varia de 15% a 22,5% ao ano, conforme o prazo do investimento.

Mas não cabe ao investidor se preocupar com esse tributo, já que o IR é recolhido antecipadamente no último dia útil dos meses de maio e novembro, no sistema come-cotas. E vale reforçar que você também precisa pagar a taxa de administração da instituição financeira com a qual decidir fazer o investimento, calculada de forma anual e correspondente a um percentual do patrimônio líquido do fundo.

Por fim, se quiser resgatar seu dinheiro em menos de trinta dias, você ainda terá que pagar IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os rendimentos obtidos, com uma alíquota que varia de 96% a zero conforme o prazo da aplicação.

CDB – Complexidade 2

Além dos fundos DI, você deve estar cansado de ouvir seu gerente do banco falar dos CDBs.

Conhecido como uma aplicação de baixo risco, significa emprestar dinheiro para seu banco e ser remunerado por isso. Ao investir em Certificados de Depósitos Bancários, você sabe de antemão qual é o prazo e quais são as condições do rendimento.

Você pode escolher entre um CDB prefixado, no qual você fica sabendo exatamente quanto vai receber no vencimento, e um pós-fixado, com rendimento percentual do CDI. Há também uma opção intermediária, com uma remuneração vinculada à variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) no período acrescida de juros prefixados na contratação.

O Imposto de Renda, aplicado na hora do resgate ou do vencimento do CDB, segue a tabela regressiva. Não é cobrada taxa de administração, mas, assim como nos fundos DI, você também tem a penalidade do IOF se resgatar seu dinheiro antes de a aplicação completar trinta dias.

É importante saber que nem todos os CDBs oferecem liquidez diária e cabe a você analisar a solidez da instituição antes de emprestar dinheiro a ela, ainda que esse produto também tenha cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).  

LCIs/LCAs – Complexidade 3

As LCIs (Letras  de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) são títulos de renda fixa emitidos por bancos para financiar participantes do setor imobiliário e da cadeia do agronegócio.

Com rendimentos em geral pós-fixados, expressos por um percentual do CDI, prazos definidos no momento da contratação e garantia do FGC, elas foram durante um bom tempo despejadas no mercado e adoradas pelos clientes por conta da isenção tributária sobre os rendimentos.

A oferta vem caindo em meio ao desaquecimento da economia e, como consequência, os rendimentos fartos estão ficando cada vez mais raros. Para piorar, os produtos passaram a ter, desde 2015, prazo mínimo de resgate de noventa dias.

Tesouro Direto – Complexidade 3

Cada vez mais difundidos entre os investidores, os títulos públicos, aqueles que permitem ao governo se financiar, também figuram no grupo de ativos de renda fixa com forte (e crescente) apelo à pessoa física.

O Tesouro Direto, programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BM&FBovespa para venda desses papéis para pessoas físicas via internet, democratizou bastante o acesso, principalmente com o anúncio de recompra diária, o que permite ao investidor vender os títulos a qualquer momento.

Com aplicação mínima baixa (R$ 30), você precisa pagar apenas uma taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos à BM&FBovespa. A maior parte das instituições que vendem os papéis cobra ainda uma taxa de administração, que chega hoje a até 2% ao ano. Algumas corretoras não cobram taxas, como mostra o site do Tesouro.

Veja a seguir os títulos disponíveis:

A tributação dos rendimentos na venda antecipada de títulos, no vencimento dos papéis e no pagamento de cupons (caso do Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais e do Tesouro Prefixado com Juros Semestrais) segue a tabela regressiva do Imposto de Renda e, portanto, varia de 22,5% a 15%, conforme o prazo do investimento.

Os papéis prefixados – Tesouro Prefixado – permitem que você saiba, no momento da compra, a remuneração que receberá na data do vencimento. Se você vender os títulos antes, receberá um retorno diferente do estipulado. Há ainda o Tesouro Selic, cuja rentabilidade acompanha a taxa Selic, e os papéis atrelados à inflação (Tesouro IPCA+).

Ao emprestar dinheiro para o governo, seu risco é o menor possível, já que significa receber um calote da entidade máxima do País. E a vantagem (que pode ser uma desvantagem para os leigos) do Tesouro Direto é permitir que você mesmo faça a gestão do seu investimento, em vez de delegar a tarefa para gestores de fundos e pagar por isso.

Essa autonomia possibilita o baixo custo da aplicação, mas é preciso lembrar que, se você decidir vender os papéis antes do vencimento e “errar no timing, poderá ter perdas. Como os preços variam todos os dias, é possível que, na data da venda, o valor dos títulos esteja inferior ao que você pagou.

Dólar – Complexidade 4

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“Se você ainda não investe em dólares, sempre é momento de investir.” A frase é de Felipe Miranda, estrategista-chefe da Empiricus Research. A moeda dos Estados Unidos funciona como uma proteção para todo o resto da carteira de investimentos dos brasileiros, que está em reais.

É possível investir em dólares basicamente de três formas: comprando a moeda em espécie em uma corretora de câmbio, aplicando em um fundo cambial ou abrindo uma conta nos Estados Unidos.

Fundos Imobiliários – Complexidade 5

Conhecidos pela siga FIIs, eles continuam tendo nas pessoas físicas seu principal público investidor. A isenção sobre os rendimentos distribuídos – quando respeitadas determinadas condições – é uma das razões por trás do interesse nesse produto de renda variável, com cotas negociadas em Bolsa.

Essas carteiras permitem que você invista no mercado imobiliário a partir de um valor muito menor do que o necessário para a compra direta de um imóvel e que você delegue para um gestor a administração do empreendimento.

A ideia é receber uma renda regular por meio das receitas geradas pelos ativos do fundo e lucrar com a valorização das cotas negociadas em Bolsa. Mas, embora muita gente se considere expert no setor, não é tão simples investir em fundos imobiliários.

A liquidez ainda é restrita e é preciso levar em conta que o risco é o de mercado, ou seja, mesmo que os imóveis sejam de boa qualidade e bem geridos, os preços dos fundos podem cair sem grandes explicações, ao sabor do nervosismo de investidores.

O ponto positivo é contar com a gestão de um profissional para administrar seu investimento, mas a escolha de em qual fundo aplicar depende exclusivamente da sua seleção. Outras vantagens dos FIIs na comparação com o investimento tradicional em imóveis são: “aluguel” maior; isenção fiscal; menor risco; menor burocracia; maior liquidez; custos mais baixos de transação; acesso a todos; gestão profissional; maior qualidade dos imóveis e incrível potencial de valorização.

Ações – Complexidade 6

Comprar uma ação significa virar sócio de uma empresa. Com preços e liquidez que variam conforme a companhia escolhida, o investimento em uma ação exige que você esteja disposto a correr o risco de ver seu ativo oscilar de preço a cada segundo.

Um mau desempenho da economia tem pesado sobre o mercado acionário de forma generalizada, mas nem sempre há uma explicação lógica para sua ação cair ou subir. Nem todo investidor visa o longo prazo e há um forte componente especulativo que pode prejudicar ou beneficiar seu papel. Cabe a você acompanhar o desempenho financeiro, operacional e dos preços das ações da companhia para monitorar se seu investimento está valendo a pena.

O baixo valor exigido para iniciar a aplicação e os dividendos distribuídos periodicamente, que são dispensados do pagamento de Imposto de Renda, estão entre os atrativos do mercado de ações. É preciso pagar imposto de 15% sobre o ganho de capital apenas na saída do investimento, ou seja, quando você vender as ações, e somente se o resgate superar R$ 20 mil.

Saiba Mais: Desvende agora mesmo o economês 

Opções – Complexidade 10

Esse é o investimento mais complexo dentre todas as aplicações. Parte do segmento de renda variável, as Opções são indicadas para investidores já familiarizados com o mercado de ações e dispostos a correr os riscos inerentes a ele, o que inclui a perda de todo o capital aplicado.

Mas a ideia por trás dessa modalidade é a de proteção, de controle de risco. De forma objetiva, uma Opção é um instrumento financeiro derivativo e funciona como um seguro de carro, no qual uma das pontas paga um prêmio e tem um direito, enquanto a outra ponta recebe um prêmio, porém tem uma obrigação. Uma Opção representa o direito de compra ou venda de um ativo por preços e prazos predefinidos.

Você pode atuar como hedger se seu objetivo for o de limitar os riscos de oscilações de preço ou “especulador” caso queira assumir esse risco. Nas opções de compra (conhecidas como calls), uma das pontas paga o prêmio e tem a opção de comprar uma ação a um preço prefixado, enquanto a outra ponta recebe o prêmio e tem a obrigação de vender essa mesma ação caso a call atinja o preço de exercício.

Já nas opções de venda (puts), um dos indivíduos paga o prêmio e tem o direito de vender a ação a um valor prefixado, enquanto o outro recebe o prêmio com a obrigação de comprá-la no caso de exercício.

Além do baixo custo (uma Opção costuma ser negociada a centavos), uma das principais vantagens desse mercado é oferecer um risco limitado para o comprador, já que sua perda máxima será a do montante investido, e seu potencial de lucro poderá ser muito maior do que esse valor. Do lado oposto, o lançador, ou seja, o investidor que vende a Opção e assume os compromissos a ela referentes, precisa ser capaz de cobrir eventuais prejuízos.

Como podemos ajudar

Agora que você já conhece alguns dos investimentos disponíveis, podemos ajudá-lo com recomendações de investimentos. Para cada produto, temos um especialista pronto a guiá-lo para que você faça seu dinheiro render mais. Confira:

Tesouro Direto, CDB e LCI/LCA

Empiricus Renda Fixa, da analista Marília Fontes, que explica o mercado de renda fixa e como operá-lo corretamente, levando em conta o cenário econômico, além da composição de uma carteira ideal.

Você Investidor, da editora Beatriz Cutait, com um conjunto único de recomendações sobre investimentos em renda fixa e renda variável.

Fundos Imobiliários

Fundos Imobiliários, dos analistas Ariane Gil e Alexandre Mastrocinque, que analisa no mercado, a forma mais rápida e simples de investir em imóveis focando nas cotas mais acessíveis, com menos riscos, maior liquidez, menor burocracia e isenção do Imposto de Renda nos rendimentos mensais.

Fundos referenciados DI

Os Melhores Fundos de Investimento, a especialista Luciana Seabra escreve sobre o produto no relatório com dicas não só dos melhores DI, mas de outros fundos, como multimercados.

Ações

As Melhores Ações da Bolsa o analista Bruce Barbosa , recomenda os melhores investimentos do momento em qualquer cenário. 

Vacas Leiteiraso analista Carlos Herrera é responsável pela série, focada em ações de baixo risco que pagam dividendos.

Microcap Alerto analista Max Bohm indica as melhores ações de empresas menores da Bolsa, analisando aspectos como disciplina financeira, posição relevante em seu setor de atuação e uma governança corporativa ativa. 

Opções

Gamma Traderdo analista Bruce Barbosa, é uma série focada em Opções. Trata-se de um relatório de trades rápidos para tirar proveito da volatilidade do mercado. Uma série que une a segurança da Venda Coberta com os ganhos expressivos das compras de Calls e Puts.

Carteira Empiricus – é uma estratégia que abrange tanto a renda fixa como a variável, indica exatamente quais investimentos, e em que quantidade, você deve ter em seu portfólio para ter uma lucratividade maior. Serve como guia para alocar o patrimônio baseando-se em uma estratégia de proteção e multiplicação de capital.

Bons investimentos!

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Por vezes, informações adicionais sobre quaisquer sociedades, valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros aqui abordados podem ser obtidas mediante solicitação.

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