Na contramão da recessão econômica, o setor bancário continua nadando de braçada e registrando lucros bilionários. No primeiro trimestre de 2017, os três maiores bancos privados do Brasil somaram R$ 12,47bi em lucros. A maior parte proveniente das tarifas e dos juros cobrados. Nesse bolo, estão R$ 1,7bi cobrados anualmente nas taxas de administração dos fundos de investimento. Em geral, fundos com baixa rentabilidade. Alguns não chegam a 50% do CDI. “O retorno ideal que o investidor deveria receber é 100% do CDI ou algo muito próximo disso, considerando o momento desafiador da nossa economia”, explica Luciana Seabra, CFP®, especialista em Fundos de Investimento, da Empiricus Research.

Um estudo feito pela empresa mostrou que a grande maioria dos fundos oferecidos no varejo possui taxas de administração abusivas e rentabilidade abaixo do CDI (índice que acompanha a taxa de juros e é parâmetro para medir a rentabilidade de investimentos no Brasil).

Por exemplo, o BB Renda Fixa Curto Prazo Estilo, fundo do Banco do Brasil disponível para clientes de alta renda, possui taxa de administração de 3% ao ano e rentabilidade de 72%, na data em que o estudo foi realizado.

Outro fundo com desempenho ruim é o Caixa FIC Prático RF Curto Prazo com taxa de administração de 5% ao ano, que em 2016 rendeu apenas 60% do CDI e repete a performance neste início de 2017.

Há casos de fundos que não rendem 50% do CDI. O Santander FIC FI Classic Renda Fixa Diferenciado DI nos últimos 5 anos rendeu 47,4% do CDI e fechou 2016 com rentabilidade de 8,48%.

Ainda há um problema maior: se o correntista decide resgatar o dinheiro antes de 1 ano, ele ainda terá de pagar o Imposto de Renda na alíquota de 20%. Aí, os 8,48% de rentabilidade caem para 6,78% – assim como o fundo da Caixa –, menos do que a Caderneta de Poupança, que rendeu 8,35% no período.

“Muitos desses fundos são oferecidos ao cliente como aplicação automática para o dinheiro parado em conta. Só que quem realmente ganha com essa aplicação é o banco”, alerta Seabra.

 

Esquadrão da Taxa Abusiva

A especialista destaca um grupo de quatro fundos que o investidor deve evitar de todas as formas: Itaú Prêmio, Santander Classic, Caixa Prático, BB Automático e BRAM Hiperfundo. Juntos, eles formam o que a especialista chama de Esquadrão da Taxa Abusiva.

“Espero que com toda a divulgação que estamos fazendo, mostrando para o investidor opções de aplicação, os bancos comecem a baixar as taxas, mesmo que aos poucos. Mas enquanto isso não acontecer, vou continuar apontando o dedo e alertando a pessoa física para que ela não faça maus investimentos”, diz Seabra.

 

Como escapar das taxas abusivas

Há bons fundos de investimento no mercado, e eles são sim acessíveis ao pequeno investidor pessoa física.

“O grande problema é que dificilmente o investidor vai encontrar esses fundos nos grandes bancos de varejo. Quando eles estão no portfólio, são restritos aos clientes de alta renda e o investimento inicial é muito alto”, comenta Luciana.

A melhor saída para escapar das enrascadas é ter a informação certa. Existem gestores independentes e qualificados cujos fundos oferecem melhor rentabilidade ao cliente.

Atualmente, são ao todo 534 gestoras independentes do mercado brasileiro. Luciana monitora ao menos 40 fundos que têm rentabilidade muito superior ao CDI. “Existem fundos de investimentos, por exemplo, que chegam a render oito vezes mais do que o CDI”, afirma.

Todos os fundos analisados por Luciana estão reunidos no relatório Melhores Fundos de Investimento. “Lá, eu os divido por categorias: DI, Cambiais, Multimercados…e claro, Previdência Privada”, explica.

“Em vez de simplesmente melhorarem seus produtos, os bancos querem combater a informação com a desinformação. O investidor não pode mais aceitar esse comportamento”, completa.

Veja aqui quais são os melhores fundos de investimento do mercado