Alguns Pingos nos Is (e os nossos erros)

Talvez por nosso estilo (e não o mudaremos), sejamos lembrados como “aquele que recomendou OGX”, mesmo quando todos os outros bancos de investimento e corretoras também recomendaram.

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Alguns Pingos nos Is (e os nossos erros)

Twitter pegando fogo

Não que tenhamos chegado aos trend topics…

Embora nosso fã-clube feminino seja maior que o do One Direction, no critério unisex ele ainda é menor. De toda forma, já suficiente para participamos de uma discussão prazerosa no Twitter sexta-feira.

O tema? PDG PDG Realty SA (SA:PDGR3), aquela mesma, de dilema apresentado nos últimos minutos do último M5M. Nossa opinião era e continua sendo a de que, apesar dos avanços operacionais (que reconhecemos), a ação continua cara valendo R$ 2,2 bilhões em Bolsa com uma dívida líquida (deduzido o caixa) de R$ 7,1 bilhões.

A discussão – que poderia ser bem construtiva – acabou se resumindo à citação de erros passados da Empiricus em casos como HRT, OGX e dólar: @empiricus_ind.

Diante disso, gostaria de ajudar a completar a lista com outros erros nossos: Eneva (ex-MPX), Viver, Positivo, Inepar, Unicasa, Vanguarda…

Se em quatro anos e meio e mais de 220 recomendações tivéssemos errado apenas três ou quatro vezes, sinceramente pertenceríamos a outro planeta. Graças a Deus, ainda somos homens humanos, sujeitos ao equívoco. 

E, pasmem: continuaremos infalíveis pelos próximos cinco minutos.


Éramos três

A respeito dos três erros mencionados acima, peço licença para esclarecer, se possível.

Sobre o dólar, sequer há resposta. Começamos a recomendar a compra de dólares a R$ 1,90, ele foi a R$ 2,45. Agora, voltou a R$ 2,23. Quem seguiu a recomendação – e é justo que se analise desde o princípio, e não do pico da recomendação (também recomendamos HRT a R$ 0,60 e, nem por isso, achamos que acertamos) – ganhou bastante dinheiro.

Sobre OGX (SA:OGXP3), de fato, estivemos errados durante bastante tempo, recomendando a compra das ações. Talvez por nosso estilo (e não o mudaremos), sejamos lembrados como “aquele que recomendou OGX”, mesmo quando todos os outros bancos de investimento e corretoras também recomendaram. Posteriormente, porém, viramos a mão e passamos a recomendar put (opção de venda das ações), que se multiplicou por um grande fator. Então, erramos e acertamos nela. Como saldo final, pela questão da alavancagem inerente às opções, o ganho vindo da recomendação de venda foi superior à perda, em módulo, proveniente da recomendação errada de compra da ação. Mas não nos vangloriamos disso. Tratamos mesmo como um erro.

Sobre HRT, erramos feio. E já falamos disso uma centena de vezes. Como uma história de assimetria de retornos potenciais, vislumbrávamos a chance de a empresa achar petróleo em diversas perfurações. Chance que consultorias especializadas em certificação de recursos apontavam na faixa de 20% a 30% – notadamente, a DeGolyer & MacNaughton. Não, não temos a qualificação e nem acesso às informações sobre as bacias que a D&M e a empresa têm, e nunca tivemos a pretensão de ter. Infelizmente, caímos no cenário alternativo.


Um pouco mais de PDG

Gostamos do debate sobre PDG, enquanto construtivo, e temos orguho de um dia tê-lo feito publicamente com o Pedro Cerize sobre o assunto.

A Skopos, do Cerize, sempre foi, é e será uma das melhores gestoras do Brasil. Tanto que a presença dela e da Vinci Partners no capital da PDG é dos principais motivos que nos fazem questionar nossa recomendação de venda das ações. Sim, temos muita autocrítica.

Mas por ora ainda não mudamos de posição. Para a gente não faz sentido PDG valer mais do que Cyrela , por exemplo. Se você acha que PDG deve valer mais do que Cyrela, ótimo, compre a ação. Eu acho que Cyrela deve valer bem mais; então, tenho recomendado o long (comprado em Cyrela) x short (vendido em PDG).

Por ora, modéstia à parte, somos os únicos que acertamos com PDG Realty SA (SA:PDGR3): começamos a recomendar a venda com as ações acima de R$ 9 (hoje estão a R$ 1,6). Achamos que os erros do passado custam caro demais, mesmo para controladores formidáveis como os atuais. Mas segue em voga o benefício da dúvida.

A vol em seu favor

Mas nem o twitter tampouco o pregão de hoje têm PDG entre os trending topics. No twitter, é: #Obrigado1D
#panico1D
#BrazilWillMissYou1D
#1DThanksForComingToSouthAmerica…

Na Bolsa, o assunto é Petrobras SA:PETR4 e Vale SA:VALE5. E o bom-humor é emprestado da China.

Em meio à desconfiança em relação à continuidade do crecimento, o governo local admitiu um cenário mais moroso, mas ainda perto de 7% de crescimento ao ano, ao passo que anunciou reformas financeiras que agradaram bastante o mercado – a disparada da Bolsa chinesa refletiu em disparada das ações da Vale.

Tenho comentado sobre as ações da Vale com alguma recorrência. Vejo nelas uma clara distorção de valor, com diversos riscos superestimados pelo mercado. Interessante que, alheia a eventos materiais, a ação da Vale cai 13% no acumulado do ano, enquanto as ações da Petrobras sobem 11% em 2014 sem qualquer evento material para melhor.

Independentemente da racionalidade, dá para tirar muito proveito da volatilidade de Petro e Vale em nosso favor.

O dil(e)ma da Petrobras

Já as ações da Petro conseguem estender as altas após a divulgação de resultados melhores do que as projeções.

Sua produção continua caindo (-1,9%), a alavancagem aumentando (atingiu 4x dívida líquida/ebitda). Os ganhos de receita (+12%) com reajustes nos preços dos combústiveis não se traduzem em melhora operacional, vide a queda de 12% no ebitda e de 30% no lucro líquido.

Há obviamente um efeito de itens não-recorrentes, como o provisionamento de R$ 2,4 bilhões relacionado ao programa de desligamento voluntário, que impactou o ebitda do trimestre; e as insistentes paradas em plataformas…

A grande questão é que os não-recorrentes sempre estão sujeitos a acontecer (acabam sendo recorrentes), e seguem adiando as projeções de céu de brigadeiro da companhia. A mais recente, de ainda crescer 7,5% sua produção em 2014 (mesmo caindo 1,9% nos primeiros três meses).

Não é à toa que Petrobras carrega um péssimo histórico de cumprimento de metas. Trocando em miúdos, seu resultado em si foi muito ruim, só não foi pior do que as projeções. E sim, há um duplo sentido proposital aqui.

A gente se vê!

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