Em busca da Terra do nunca

Enquanto não houver contrapartida para a falta de comprometimento, a balança estará desfavorável para o lado do investidor. No caso, o seu lado.

Em busca da Terra do nunca

Às vezes, eu paro em frente ao computador e fico procurando a combinação certa das teclas capaz de expressar exatamente o que estou pensando ou sentindo. Raramente é fácil. As ideias originais dificilmente podem ser modeladas para caber na forma escrita. O pior é que quando as reduzimos a um raciocínio mais simplista, quase unifatorial, elas acabam se transformando mesmo naquela nova versão, perdendo toda a pluralidade inicial, que era o que as fazia tão ricas e originais.

Muito pouco pensa quem com palavras pode expressar quanto muito pensa. É a minha adaptação para a frase do Dante Alighieri, feita para o amor inicialmente, e não para o pensamento.

O conhecimento tácito é justamente o que mais diferencia um sujeito do outro, o que lhe dá certo caráter extraordinário, único. O conhecimento/pensamento formalizável é, quase por definição, ordinário, pois pode ser facilmente transmitido e, portanto, replicado.

“A mente intuitiva é uma bênção sagrada e a mente racional é um servo fiel. Criamos uma sociedade que honra o serviço e que esqueceu a bênção.” Essas são outras duas frases atribuídas ao Einstein – ele, supostamente, já falou tanta coisa na internet que eu sinceramente não sei se essas são dele mesmo, mas que é bonito, ah, isso é.

Depois de muito atrito interno entre o Tico e o Teco, percebi que hoje gostaria mesmo era de propor algo novo, uma espécie de código de Hamurabi para o mercado financeiro brasileiro. Mais especificamente, me interessaria uma aplicação prática da lei de talião. Olho por olho, dente por dente. “Se um construtor edificou uma casa para um Awilum, mas não reforçou seu trabalho, e a casa que construiu caiu e causou a morte do dono da casa, esse construtor será morto”.

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Só poderiam ser a favor da guerra aqueles que tivessem ao menos um descendente direto que poderia perder sua vida a partir daquela decisão. Caso contrário, não vale. Uma opinião sem exposição vale zero.

Você pode ter várias críticas à Empiricus. Eu mesmo tenho um bocado, e sou um obcecado pelas melhorias – infelizmente, algumas coisas demoram mais para acontecer do que eu gostaria; outras são realmente impossíveis.

Talvez o marketing americanizado lhe incomode. Talvez sejam emails demais. Com certeza, eu sou muito prolixo. É vergonhoso que ainda não tenhamos um App decente rodando. Como podemos não ter uma ferramenta de busca poderosa no nosso site? A lista é imensa.

Há, porém, uma coisa que não se pode criticar: o fato de estamos fazendo nossos clientes ganharem dinheiro. Claro que não são todos. Sempre há uma parcela, mesmo que pequena, comprada em preços pouco atraentes. Mas o resultado geral é formidável.

Talvez seja nossa única coisa boa. Talvez nem se repita no futuro. Talvez tudo tenha sido apenas sorte. Reconheço cada uma dessas possibilidades, mas essa geração de riqueza ninguém nos tira. Digam o que disserem. Nossos clientes ficaram mais ricos. E este é O Critério no mercado financeiro. Não há outro. É ele que interessa, o cronômetro com que se mede este atletismo, a bússola dos navegantes, o termômetro para se aferir a febre.

A Carteira Empiricus, por exemplo, relatório que eu toco e que gostaria muito que você assinasse – pelo simples fato de que realmente acho que você estaria melhor com ela -, sobe 9,24% em 2017, contra 3,35% do CDI. Desde sua criação, rende 177% do benchmark. Essa é a minha maior motivação. Há algum tempo deixou de ser pela grana. Talvez nunca tenha sido pra ser sincero. É pela certeza de que estamos fazendo a coisa que nos cabe.

Se em algum momento não for mais assim, eu genuinamente gostaria que você cancelasse suas assinaturas conosco. Se a Empiricus não gerar investidores melhores, não há razão para eles estarem com a gente. Eu só mereço a renovação de sua confiança se lhe entregar algo útil e poderoso. Não sendo assim, precisamos de alguma punição, que vem em forma de cancelamentos, reclamações nas mídias sociais (contam todas e só aquelas feitas por quem realmente nos consome; a inveja é uma merda) e má propaganda boca a boca, que sempre foi algo feroz, principalmente quando se assume um tamanho minimamente significativo e começam os efeitos da externalidade de rede.

Minha pele precisa estar em jogo. Captains should go dowm with the ships. Esse é um dos grandes diferenciais aqui, o que nos alinha, faz-me ter a certeza de que estamos remando juntos e não me permite tergiversar um segundo sequer, com o medo de que o abaixar da guarda abra espaço para um único cruzado de direita capaz de levar-nos imediatamente à lona.

Agora eu lhe pergunto: o que acontece com o analista de banco que erra suas recomendações? Nada. Rigorosamente nada. Ele continua recebendo seu salário ao final do mês, igualzinho. Muitas vezes, os relatórios mensais com as carteiras recomendadas sequer contêm seu track record. Se ele acertou ou errou, não importa. Claro, não é o dinheiro dele. Pimenta nos olhos dos outros é refresco. (Na Empiricus, todos, sem exceção, analistas têm sua remuneração variável – o famoso bônus – atrelada à performance de suas recomendações; acertou, ganha mais; errou, leva menos).

O que acontece com o economista que sistematicamente se engana em suas projeções? Ele volta a fazer as projeções de sempre, com a mesma bunda na parede de sempre, com o modelo de sempre, para errar como sempre.

O que acontece com o jornalista que escreve uma barbaridade? No máximo, solta uma errata na página D17. Seu emprego continua idêntico, o mesmo salário, igualzinho. Ninguém lembra o nome do repórter. Agora, o rosto do reportado está lá estampado na capa do jornal. Há zero de punição para o jornalista pelas bobagens que ele faz. Mesmo que tenha acabado com a imagem alheia, ele está protegido pela “liberdade de expressão” e pelo “anonimato da fonte”.

Enquanto não houver contrapartida para a falta de comprometimento, a balança estará desfavorável para o lado do investidor. No caso, o seu lado.

Mercados brasileiros iniciam a quarta-feira predominantemente no negativo, sofrendo com uma tríade desconfortável de aumento das preocupações sobre o ajuste fiscal depois da “lista do Fachin” (embora eu ache precipitada a conclusão de que isso necessariamente dificulta a aprovação das reformas), recrudescimento da tensão geopolítica global (Donald Trump faz ameaças explícitas à Coreia do Norte) e recuo pronunciado das commodities no exterior.

Agenda macro lá fora traz preços das importações norte-americanas, e estoques de petróleo dos EUA. Na China, inflação ao consumidor veio levemente abaixo das projeções, enquanto preços no atacado subiram mais do que o esperado. Por aqui, vendas ao varejo mostraram desempenho ruim em fevereiro, mas foram revisadas para cima nos meses anteriores. Reunião do Copom atualiza taxa Selic, com prognóstico de redução de 1 ponto percentual na taxa básica – muita atenção sobre os comentários que acompanham a decisão, com possíveis referências sobre extensão e ritmo do afrouxamento monetário vindouro. De nossa parte, temos um convite muito especial àqueles que se interessam, mesmo que tangencialmente, por Opções.

Ibovespa Futuro abre em queda de 0,4 por cento, dólar fica perto da estabilidade contra o real e juros futuros registram leve alta.

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