Mudamos para continuarmos os mesmos

Para preservar o DNA disruptivo, inovador e pioneiro dos Troigros, Michel precisava dar um passo à frente. Apenas uma alteração poderia mantê-lo fiel às origens. O paradoxo de se mover para continuar no mesmo lugar.

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Mudamos para continuarmos os mesmos

Quando Michel tomou o lugar de seu pai, ele sabia exatamente a responsabilidade que lhe cabia. Não estaria apenas à frente de um bom restaurante. O Maison Troigros era mais do que um ícone da culinária francesa. Ele era a própria culinária francesa, numa metonímia estridente.

Todos questionavam se Michel manteria a qualidade daquele lugar no mesmo nível anterior. Vínhamos de duas gerações irrepreensíveis, insuperáveis. O novo chef sentia um piano de cauda sobre suas costas.

Como manter a qualidade da dinastia Troigros? Como executar com a mesma maestria dos dois chefs anteriores aqueles pratos consagrados? Como preservar tudo aquilo, com a mesma qualidade?

Só tinha um caminho. Michel resolveu mudar. Retirou do cardápio o tradicional e premiadíssimo escalope de salmão, o prato mais prestigiado da casa.

Para preservar o DNA disruptivo, inovador e pioneiro dos Troigros, Michel precisava dar um passo à frente. Apenas uma alteração poderia mantê-lo fiel às origens. O paradoxo de se mover para continuar no mesmo lugar.

Com essa ousadia, Claude levou a dinastia Troigrois possivelmente à mais longa sequência ininterrupta de três estrelas Michelin da história. Foi aquela mudança progressista que conservou toda a qualidade pregressa.

Estamos num escritório novo hoje. As pessoas estão felizes. O novo ambiente renova o ânimo, transmite seriedade e sensação de sucesso. Possivelmente também alimente sentimentos menos nobres (somos o que somos).

Eu sempre fui contra esta mudança específica. Temia transmitir uma sensação errada. “Chegamos lá.”

Não posso compactuar com isso. Como fazer com que vivamos sempre nosso Dia 1, perguntaria Jeff Bezos? Nós não podemos – e eu entregaria minha alma por isso – nos burocratizar, esterilizar, pasteurizar. O vigor de uma startup, as ideias “fat tails”, a provocação, o viés contra o consenso jamais poderão ser perdidos.

 

Há um diálogo simplesmente maravilhoso do filme “Boyhood”, em que Richard Linklater (eu adoro o sujeito!) transmite com precisão o que está na minha cabeça. Mais ou menos assim…

Criança: “Mãe, o papai ainda está no Alaska?”

Mãe: “Está, sim, filho. Faz um ano já.”

Criança: “Espero que ele já tenha domado aquele urso.”

Mãe: “Espero que aquele urso já tenha domado ele…”

A pior coisa que pode acontecer a um lutador é ele se tornar domado, alertou Mickey a Rocky Balboa (desculpem, mas Floyd Mayweather nunca será Rocky Marciano, nem que ganhe mais 50 lutas).

As ideias de um analista nunca poderão ser domadas. Isso seria sua morte. O Dia 2 nunca pode chegar àquele que pretende bater o mercado de forma consistente e fazer seus clientes ganharem dinheiro sempre. Com 70 anos, Eric Clapton gravou “I Still Do”, como se precisasse provar algo para alguém – talvez para si mesmo.

A alma e a essência continuarão as mesmas. Iniciamos mais uma longa sequência de Dias 1.

Mas confesso que essa mudança de escritório representa muito mais alterações do que você pode imaginar. Ela fecha uma fase, de maneira definitiva. Fique claro: não é a linha de chegada. Encerramos somente o primeiro ciclo. Saímos da infância para entrar na fase adulta. A maturidade, a calvície e os cabelos brancos exigem um maior grau de institucionalização e elegância, em paralelo à obstinação pelos clientes, tanto em termos de experiência do usuário, quanto em lucro para seus bolsos, por meio das melhores estratégias de investimento do mercado.

Uma vez, ouvi do Guilherme Benchimol algo assim: “Os relatórios de vocês são ótimos. Mas, como empresa, vocês precisarão de alguns ajustes conforme crescem. Há coisas que você pode fazer quando é pequeno que não vai poder fazer quando ficar grande. Você mesmo vai perceber.”

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Ele estava certo. Aliás, em todas conversas que tive com ele (não foram muitas; não quero aqui pagar de íntimo), ele estava certo.

Então, é por isso que aproveitamos a mudança física para anunciar algo muito maior. O escritório novo é a maior representação do atingimento da fase adulta e da institucionalização, o que confere contornos concretos e literais ao argumento. Mas as mudanças mais profundas estão em outras frentes.

A partir de hoje, veremos:

-um reforço importante ao time de análise. Já tínhamos possivelmente a maior equipe do mercado, incluindo bancos, e agora ficamos ainda mais fortes. O João se junta ao time hoje após anos tocando fundos no buy side. Ele foi meu aluno no mestrado da FGV e posso dar o testemunho pessoal de que se trata de um intelectual navy seal. Cursou doutorado na FGV, tem paper publicado com o professor Sheng e um jeito profundo, acadêmico e original de pensar ações;

-uma alteração importante na forma de comunicação da empresa, com modificações na equipe e nos processos de marketing;

-novidades na disponibilização das newsletters gratuitas. Este texto matinal, anteriormente disponibilizado apenas para assinantes pagos, passará a ser publicado para todos. Queremos que as pessoas possam conhecer um pouco mais do “nosso jeito de pensar” e esta newsletter tem justamente esse objetivo. Diariamente, tenho o desafio, que muitas vezes não consigo cumprir, de lhe oferecer uma boa ideia, dar-lhe uma sugestão lucrativa de investimento e/ou fazer alguma provocação sob as diretrizes da escola cética pirrônica de Sextus Empiricus;

-um foco obstinado em melhorar a experiência do usuário, com adoção de novas tecnologias, mais facilidade e praticidade na operacionalização das recomendações, e objetivo de longo prazo de oferecimento de uma experiência completa ao investidor, preservando a estrutura sem conflito de interesses.

Eu proponho um convite, para que celebremos o firmamento deste compromisso estabelecendo uma relação de confiança.

Peço gentilmente para aqueles que, por qualquer motivo, ainda não puderam conhecer os relatórios pagos da Empiricus se permitam fazê-lo hoje, sem nenhum custo, mesmo. Não haverá qualquer cobrança, renovação automática, truques dos e-commerces tradicionais, rebate, corretagem. Nada. Estamos nesta segunda-feira dando acesso gratuito à série “Palavra do Estrategista” por 30 dias a todos aqueles que se cadastrarem aqui. Este é o relatório mais lido de todo o mercado financeiro brasileiro, com mais de 100 mil assinantes.

Queremos que as pessoas conheçam nosso trabalho. Até mesmo para que elas possam criticar, se for o caso. Conheça primeiro, permita-se; critique depois. Esse deveria ser o caminho natural. Claro, estamos abertos aos elogios também, prontos para ajudar você a ganhar dinheiro.

Venha nos conhecer. Ficamos no Pátio Malzoni, Av Faria Lima 3347, 10º andar.

Peço a sua bênção, pois eu estou (sempre) só começando.

Começo da semana é positivo para os mercados. Ações de bancos e commodities sobem no exterior e espraiam otimismo para cá. Setor financeiro é beneficiado por abrandamento de preocupações sobre juro negativo, com Bancos Centrais, principalmente na Europa, sugerindo redução dos estímulos monetários, enquanto Fed se prepara para potencial nova elevação de sua taxa básica.

Commodities, por sua vez, avançam com dados industriais na China mais fortes. Caixin marcou 50,4 pontos em junho, contra 49,6 pontos em maio.

Cenário doméstico também oferece suas próprias idiossincrasias. Soltura de Rocha Loures, greve geral fraca e retomada do mandato de Aécio Neves são vistas como positivas para Michel Temer, ao afastar suposição de ruptura. Cresce a expectativa por votação de (alguma) em setembro da reforma da Previdência, que garanta idade mínima, acompanhada de medidas provisórias infraconstitucionais, com algum impacto fiscal.

No âmbito da política monetária, redução de preços dos combustíveis anunciada pela Petrobras na noite de sexta-feira (-5,9 por cento para gasolina e -4,8 por cento para diesel) alimenta apostas de corte 1 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Copom. Relatório Focus trouxe revisão das estimativas para inflação e juro básico – agora, passa a sugerir redução da Selic em 2018, o que se alinha à recomendação aqui repetida em verso e prosa de ganharmos exposição a prefixados e indexados, numa combinação risco/retorno quase sem precedentes em esfera mundial.

Agenda doméstica é completada por IPC-S (-0,32 por cento) e balança comercial. Nos EUA, saem Markit, ISM, venda de carros e investimentos em construção.

Ibovespa Futuro registra alta de 0,2 por cento na abertura, dólar sobe contra o real acompanhando movimento no exterior e juros futuros recuam.

Para você começar o segundo semestre com o pé direito, convido hoje para participar do único projeto do Rodolfo Amstalden neste período. Rodolfo é uma das pessoas mais inteligentes e eruditas que eu já conheci na minha vida e eu tenho certeza de que isso pode lhe ajudar em seu projeto de construção de patrimônio a longo prazo, sem ilusão, com foco, disciplina e rigor.

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