Previdência Privada X Tesouro Direto

Uma das perguntas que mais recebemos de nossos leitores é se eles devem resgatar seu plano de previdência privada para investir no Tesouro Direto.

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Previdência Privada X Tesouro Direto

Pesagem

Assim como um lutador de boxe deve estudar seu oponente antes do combate, você deve analisar todos os aspectos que envolvem os investimentos antes de decidir aplicar seu dinheiro.

Uma das perguntas que mais recebemos de nossos leitores é se eles devem resgatar seu plano de previdência privada para investir no Tesouro Direto.

Mas não detalham se é um VGBL ou PGBL, em qual fundo de investimento de previdência os recursos estão aplicados, qual o regime tributário (progressivo ou regressivo), seu perfil de investidor e objetivo de investimento (prazo).

Portanto a pergunta é impossível de ser respondida.

Mas indo atrás dessas informações ficará mais fácil nocautear o CDI ou ao menos tentar um clinch.

Utilize o site do seu banco, procure na seção “Investimentos” e, caso não encontre os dados de seu plano de previdência, peça-os a seu gerente. Não tenha medo de incomodá-lo, lembre que o dinheiro é seu e “o cliente tem sempre razão”.

Round 1: Rentabilidade

Comparando apenas a rentabilidade bruta de fundo de previdência conservador de renda fixa e um título do Tesouro Direto, os títulos públicos dão porrada na maioria dos VGBLs e PGBLs disponíveis no mercado, pois dificilmente você encontrará taxas de administração nos fundos abaixo de 0,5% ao ano.

Pequenos investidores, com menos de R$ 100 para investir, podem ter acesso aos títulos do Tesouro Direto pagando apenas 0,3% ao ano referente à taxa de custódia da BM&FBovespa, pois há corretoras de valores que não cobram taxa de administração para esse produto.

Nos bancos, mesmo investidores com R$ 500 mil chegam a pagar 1% ao ano ou mais de taxa de administração em aplicações semelhantes, o que afeta diretamente sua rentabilidade.

Além de os bancos geralmente cobrarem taxas de carregamento sobre o valor TOTAL da contribuição nos planos de previdência privada.

Lembrando que os títulos do Tesouro Direto são ativos de renda fixa e podem ter a rentabilidade atrelada à Selic (juros), ao IPCA (inflação) ou prefixada.

Enquanto isso, os fundos de previdência privada podem ser multimercados e atuar nos mercados de juros, câmbio e bolsa. Nesses casos, a rentabilidade é mais variável, o que dificulta a comparação com o Tesouro.

É importante fazer a análise da performance histórica do fundo e do momento do mercado, se está ou não favorável a ativos de risco.

Round 2: Tributação

A alíquota de IR nos títulos do Tesouro Direto é regressiva e incide apenas sobre os rendimentos. Começa em 22,5% até 180 dias, depois passa para 20%, entre 181 e 360 dias, 17,5%, de 361 a 720 dias, e 15% após 720 dias.

Como comentei no começo, os planos de previdência privada possuem duas opções de regime tributário.

1) Regressivo Definitivo: semelhante à tributação do Tesouro, porém com alíquotas diferentes para os prazos. Começa em 35% e reduz 5 pontos percentuais a cada dois anos, até chegar à alíquota mínima de 10% após dez anos.

2) Progressivo Compensável: a alíquota segue a tabela progressiva de Imposto de Renda, de acordo com a renda tributável do investidor. Alíquota mínima de 0% e máxima de 27,5%.

Atenção: no VGBL, o imposto incide apenas sobre os rendimentos. Já no PGBL, sobre o valor total (principal + rendimentos), mas é possível deduzir até 12% da renda tributável anual para quem contribui para o INSS e faz a declaração completa do IR.

Não há come-cotas nos fundos de previdência privada.

Round 3: Jab e direto da previdência

Jab: no caso de sucessão aos beneficiários, se o segurado vier a faltar, o plano de previdência privada não entra em inventário. Já os títulos do Tesouro não possuem esse benefício.

Direto: em planos de previdência privada corporativos, algumas empresas contribuem junto com seu colaborador. Por exemplo, o funcionário aplica 3% do seu salário no plano de previdência oferecido pela empresa e a mesma aloca mais 3% (valores hipotéticos). Ou seja, o investidor sai ganhando 100% logo de cara. Esse é um benefício excelente. Verifique as condições oferecidas à sua empresa.

Round 4: Um suplemento para sua previdência privada

Se você já possui um plano de previdência privada, recomendo avaliar uma possível portabilidade para um fundo melhor.

A má notícia é que grande parte dos investidores possui planos de previdência privada desenquadrados com seu perfil ou alocados em fundos ruins, mesmo aqueles que  pertencem a segmentos de alto renda dos bancos.

Por que isso ocorre?

Muitas pessoas começam seus planos de previdência jovens, contribuindo com valores baixos e, assim, os bancos alocam em fundos com taxa de administração altas (Ex.: 2,5% ao ano).

Com o passar do tempo as contribuições aumentam e o montante acumulado pelo correntista no banco também, portanto esses valores já lhe dariam acesso a um fundo semelhante, porém, com taxa de administração mais baixa (Ex.: 1% ao ano). Geralmente o banco não informa sobre essa possibilidade, pois isso reduziria sua receita. Portanto, você deve ir atrás!

Felizmente, há salvação. Nos planos de previdência privada é possível realizar portabilidade interna (na mesma seguradora) ou externa (para outra seguradora) para diferentes fundos sem ser tributado na migração e sem perder o prazo relativo ao IR.

E não fique preso apenas ao seu banco. Entre em contato com seguradores independentes como a Icatu, SulAmérica, Mapfre, Porto Seguro… e solicite comparações dos produtos sem compromisso. Você poderá usá-las para barganhar com o seu banco, se preferir. Fica a dica!

É possível realizar portabilidade do regime tributário progressivo para o regressivo. Mas não o inverso.

Resumindo, a comparação entre previdência privada e Tesouro Direto deve ser analisada caso a caso e espero ter ajudado a sua tomada de decisão.

Um abraço, e bons investimentos!