Resposta ao Valor Econômico

Eu hesitei sobre escrever ou não as linhas a seguir. Optei por fazê-lo para corrigir questões factuais objetivas. Não falo pela Empiricus. Seguimos absolutamente incólumes a esse tipo de bobagem, em todas as esferas. Sendo mais preciso, ficamos mais robustos a cada dia. Ainda que não fosse assim, porém, tenho certeza de que a economia e o mercado de capitais brasileiros poderiam sobreviver tranquilamente sem esta pequena empresa de pesquisa independente.

Não posso falar o mesmo sobre a imprensa. Sem veículos de mídia livres, éticos e competentes, será impossível desenvolver uma real democracia. Mais especificamente, sem uma imprensa financeira com essas qualidades, jamais poderemos desenvolver o mercado de capitais brasileiro. Ou nós, como País, mudamos a forma com que o jornalismo econômico-financeiro é feito no Brasil ou estaremos condenados ao subdesenvolvimento desse mercado.

Ao contrário do reportado hoje pelo jornal Valor Econômico, representado pela criativa repórter Adriana Cotias, a Empiricus não estruturou, modelou ou promoveu o COE de capital protegido envolvendo as ações de Petrobras e Vale. Talvez essa fosse a vontade do jornal Valor, que sempre se colocou abertamente como nosso concorrente e, agora, surpreendentemente fala sobre a Empiricus com total isenção (?).

A verdade é outra.

A Empiricus não participou, direta ou indiretamente, da oferta pública de distribuição de valores mobiliários, em nenhuma instância. Não ganhamos nenhum real, em nenhuma esfera, com a oferta em questão, direta ou indiretamente. Somos livres para recomendar ou não qualquer oferta de valores mobiliários, assim como fazemos com debêntures, ações ou, mesmo, COEs. Realizamos com o COE em questão rigorosamente o mesmo tipo de cobertura que desenvolvemos com IPOs, rotineiramente.

Para o caso em particular, eu apenas dei uma ideia para o Banco Morgan Stanley, como forma de atender aos anseios de meus clientes de comprar Petrobras e Vale sem o risco de perda nominal, confiando na qualidade do rating do banco emissor.

O MS gostou da ideia e estruturou/modelou toda a operação. Então, conversou com várias corretoras e lhes apresentou a possibilidade de distribuição do produto. Easynvest e Guide toparam distribui-lo e assim o fizeram. Eu, depois da estruturação do Morgan Stanley, apenas recomendei a estrutura, como faço com outras ofertas de valores mobiliários. É tão simples quanto isso. O banco emite, a corretora distribui, a Empiricus analisa. Seria realmente estranho se não fosse assim.

O mais curioso é que eu mesmo já havia  dado publicidade a tudo isso no relatório que trato da estrutura, com total transparência. Fizera inclusive a mesma coisa no meio do ano passado quando conversei com XP, Rico e Easynvest sobre ideias para COEs.

O Morgan Stanley provavelmente ganhou dinheiro com a operação. As corretoras provavelmente ganharam dinheiro com a operação. Eu não ganhei nada. A rigor, a única contrapartida que recebi por tudo isso foi uma matéria negativa no jornal Valor, cheia de fantasia.

Um dos grandes diferenciais de um research independente é que ele, contrariamente aos bancos e às corretoras, pode recomendar ou não a participação em ofertas de valores mobiliários. Privá-los disso é cortar-lhes um braço.

Ter de me explicar sobre a questão chega a ser ridículo. A suposição de que há um acordo, seja ele financeiro propriamente dito ou apenas de cavalheiros entre as partes, como se ganhássemos outros favores em troca, é asquerosa e irresponsável. Por favor, não me meçam com a própria régua.

Se a Guide resolveu chamar o produto de COE Empiricus, porque achava que a associação da nossa marca à corretora lhe seria positiva ou porque queria facilitar o acesso de seus clientes ao produto, essa é uma questão da própria Guide. Eu não exigi, tampouco pedi ou recomendei isso. Não tenho a menor capacidade de influenciar a estratégia de marketing da corretora. A jornalista deveria ter perguntado à Guide sobre as razões por trás do nome, pois exclusivamente dela partiu a decisão.

Note que o idêntico COE foi distribuído pela Easynvest, sem o mesmo nome, o que é evidência material de que caberia às corretoras dar o apelido que quisessem à estrutura, sem qualquer esforço de distribuição pela Empiricus, exatamente como fazemos em IPOs.

Tudo que fiz foi conversar com o banco emissor e sugerir uma ideia, assim como analistas fazem diariamente propondo fechamentos de capital a empresários, incorporações de subsidiárias, IPOs de uma unidade de locação de veículos, lançamento de debêntures, abertura de uma unidade de negócios, etc.

Por definição, analistas são seres analíticos, pensantes. Ou, ao menos, deveriam ser. Passam-lhes várias ideias na cabeça por dia, mesmo que não queiram. Se eles não puderem conversar a respeito dessas ideias quando elas tratam de finanças, sua profissão está fadada ao desaparecimento.

Levando ao extremo, conversas de bar entre um analista e um investment banker não podem acontecer. Um analista jamais poderá jogar cartas com um empresário para propor  um eventual  IPO. Um analista nunca poderá dialogar com um CFO. Nesses encontros, quase necessariamente o assunto passará por recomendações de produtos financeiros. Para evitar isso, só colocando uma mordaça nos analistas. Aglomerações de três ou quatro financistas, então, ora, nem pensar…

Se eu não ganhei um real nesta história toda, seja com corretagem, fee de estruturação, distribuição, colocação, etc, não posso ficar parado assistindo a esta tentativa esdrúxula de parar a Empiricus. “Um grupo de advogados de um grande escritório…” – meu Deus, o que é isso?!

Nessa história, todos os participantes saíram mais felizes. Alguns tiveram, sim, vantagem financeira – entre os quais eu, definitivamente, não estou. Há um único player que ficou mais triste: meu suposto concorrente, o Valor Econômico. Deve haver alguma razão.

Hoje, o Valor conseguiu ser o primeiro veículo de imprensa do mundo a se posicionar contrariamente à liberdade de expressão e de análise. Em termos pragmáticos, é posicionar-se contrariamente ao investidor. É o título máximo da incompetência e da irresponsabilidade para um jornal. Parabéns.

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