Como as reuniões do Copom e a taxa Selic impactam nos seus investimentos

Confira as datas das próximas reuniões do Copom e saiba como a mudança na taxa Selic afeta o rendimento das aplicações de renda fixa.

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Como as reuniões do Copom e a taxa Selic impactam nos seus investimentos

A taxa Selic, de que você tanto ouve falar, é o principal instrumento da política monetária brasileira. É por meio de mudanças nessa taxa de juros que o Banco Central busca controlar a inflação do país. Por isso, é importante você entender os impactos de uma alta, manutenção ou de um corte na taxa básica dos juros no Brasil.

Para calibrar a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se a cada 45 dias ao longo do ano. Os encontros duram dois dias (terça e quarta-feira) e a decisão pelo aumento, redução ou manutenção da taxa leva em consideração diversos fatores do cenário macroeconômico.

Na última reunião de 2018, em dezembro, o Copom decidiu ontem por manter a taxa Selic em 6,5% ao ano pela sexta vez consecutiva. A dificuldade da atividade econômica em mostrar vigor aliada a uma redução dos riscos sobre a trajetória de nossa inflação corroboraram a decisão do comitê.

Em comunicado, o comitê reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. O Comitê enfatiza que a continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a manutenção da inflação baixa no médio e longo prazos, para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes”.

O documento também veio mais otimista do que o anterior, sugerindo que, de fato, a taxa Selic possa permanecer no atual patamar ao longo de todo o ano de 2019.

Assim, encerra-se a o ciclo de reuniões em 2018:

Calendário de reuniões do Copom – 2018
DiasMêsStatus
6 e 7fevereiro✔ realizada – Selic a 6,75%
20 e 21março✔ realizada – Selic a 6,50%
15 e 16maio✔ realizada – Selic a 6,50%
19 e 20junho✔ realizada – Selic a 6,50%
31 e 1ºjulho e agosto✔ realizada – Selic a 6,50%
18 e 19setembro✔ realizada – Selic a 6,50%
30 e 31outubro✔ realizada – Selic a 6,50%
11 e 12dezembro✔ realizada – Selic a 6,50%

 

Confira o calendário das reuniões do Copom para o próximo ano:

Calendário de reuniões do Copom – 2019
DiasMêsStatus
5 e 6fevereiroa ser realizada
19 e 20marçoa ser realizada
7 e 8maioa ser realizada
18 e 19junhoa ser realizada
30 e 31julhoa ser realizada
17 e 18setembroa ser realizada
29 e 30outubroa ser realizada
10 e 11dezembroa ser realizada

Como a Selic afeta sua vida e seus investimentos

A meta Selic é uma referência dada pelo Banco Central para nortear os juros que são praticados no sistema financeiro brasileiro. Ela baliza, por exemplo, a taxa que seu banco vai cobrar para te emprestar dinheiro para comprar uma casa, um carro ou mesmo pagar outras dívidas. Por isso ela é chamada de “taxa básica da economia”.

Como você viu anteriormente, a taxa Selic é definida pelo Copom. Nos últimos tempos, a Selic passou por um forte processo de redução. Em agosto de 2016, os juros estavam em 14,25% ao ano, caindo para 7% em dezembro de 2017. Atualmente, a taxa básica de juros está em 6,50% ao ano, o menor patamar da história brasileira.

Veja a evolução da taxa em retrospectiva na tabela abaixo:

 

Evolução Taxa Selic
ReuniãoMeta Selic %
31/08/201614,25
19/10/201614
30/11/201613,75
11/01/201713
22/02/201712,25
12/04/201711,25
31/05/201710,25
26/07/20179,25
06/09/20178,25
25/10/20177,5
06/12/20177
07/02/20186,75
21/03/20186,5
16/05/20186,5
20/07/20186,5
01/08/20186,5
19/09/20186,5
31/10/20186,5
12/12/20186,5

 

Como você deve ter percebido no seu dia a dia, apesar da Selic estar em 6,50%, isso não quer dizer que as taxas para financiamento de bens e serviços estejam necessariamente no mesmo patamar. Sabemos que as taxas cobradas pelos bancos por empréstimos e financiamentos é bem mais alta que a Selic.

Mas o que acontece é que quando o Banco Central reduz a taxa de juros, por exemplo, ele cria a possibilidade para que os juros da economia caiam de uma forma geral. Isso significa ter uma taxa mais baixa para financiar a compra de uma casa, de um automóvel, para pagar a faculdade a partir de um empréstimo. Tudo para estimular as pessoas a consumirem mais, ativar a economia e as empresas voltarem a contratar e a produzir mais.

Qual é o risco?

É fundamental entender que a economia funciona “em ciclos”: em alguns momentos está aquecida (ciclo de alta) e em outros, desaquecida (ciclo de baixa).

Quando a economia está em baixa, com crédito travado, desemprego elevado e a população consumindo menos, a inflação tende a enfraquecer. Com isso, a tendência é que o Copom reduza a Selic até que a economia ganhe fôlego, sem comprometer a meta de inflação para o período (definida pelo Conselho Monetário Nacional).

A reação aos estímulos da política monetária não é imediata. Leva-se um tempo para sentir os efeitos de variações na Selic sobre a economia real (em torno de dois a três trimestres).

Se os estímulos da política monetária tiverem sido insuficientes para conter a inflação nos trimestres anteriores, a tendência é que a inflação vigente se intensifique.  Dessa forma, para contê-la, é preciso que o Copom aumente a taxa de juros.

Por isso, o Banco Central acompanha o movimento da inflação hoje e sua influência sobre as expectativas de inflação alguns trimestres à frente. Ao monitorar esses comportamentos, o Banco Central sempre poderá ajustar a taxa de juros básica para manter a economia aquecida, mas com a inflação controlada.

Além do controle da inflação, como essas variações da taxa Selic podem afetar o nosso bolso?

Qual é o impacto nos investimentos?

A taxa Selic é a principal referência para o retorno dos investimentos de renda fixa.

Em linhas gerais, um investimento de renda fixa é aquele em que você empresta capital para o governo, bancos ou empresas e, em troca, numa data futura, recebe de volta o seu dinheiro acrescido de juros.

Na renda fixa, desde o início são definidos a data de vencimento do título e o seu referencial de rendimento (indexador) naquele período de tempo.

Por exemplo, se você comprar um título de dívida do governo que paga um rendimento de 10% ao ano e que vence daqui a um ano, ao final do período de investimento, você obterá exatamente o rendimento acordado.

São essas condições preestabelecidas no momento do acordo que diferenciam a renda fixa de investimentos feitos em ações (renda variável), em que não há qualquer garantia de que um papel se valorize durante o tempo em que você o tiver na carteira.

CDI

O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é o lastro dos empréstimos que os bancos fazem entre si. A taxa em que os bancos negociam estes certificados é a chamada “DI”. Essa taxa e a Selic são muito próximas, ou seja, caminham lado a lado. Portanto, se a taxa Selic sobe, a taxa DI – e os títulos de renda fixa que são atrelados a ela – também aumenta e vice-versa.

Dentre os títulos de renda fixa que possuem seus rendimentos atrelados ao DI, temos, por exemplo, os CDBs (certificados de depósitos interbancários), emitidos por bancos para captar recursos de terceiros (como as pessoas físicas). A rentabilidade dos CDBs pode ser dada, por exemplo, em termos percentuais do CDI: um CDB que paga uma taxa de 105% do CDI. Logo, o aumento ou redução da Selic impactará diretamente em um rendimento maior ou menor para o título.

Poupança

O rendimento da poupança também é afetado pela variação da taxa básica de juros. A partir de maio de 2012, entrou em vigor a nova regulamentação da poupança. Os depósitos feitos a partir dessa data passaram a render de acordo com dois cenários distintos:

Cenário 1 Taxa Selic acima de 8,5% ao ano: nesse caso, o rendimento da poupança será de 0,5% ao mês + a TR (Taxa Referencial).

Cenário 2 Taxa Selic menor ou igual a 8,5% ao ano: nessa situação, a poupança terá retorno equivalente a 70% da taxa Selic.

Em qualquer um dos cenários, você encontra aplicações financeiras muito mais interessantes que a poupança. Se quiser saber um pouco mais sobre isso, clique aqui.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público. Como os demais títulos emitidos pelo governo, o Tesouro Selic pode ser encontrado no Tesouro Direto (plataforma de negociação de títulos públicos do Tesouro Nacional). Como o próprio nome já diz, esse título tem uma relação íntima com a taxa básica de juros brasileira. Se a Selic subir, o rendimento do título aumenta, se a Selic cair, o rendimento do Tesouro Selic também diminui (mas permanece positivo). Por oferecer sempre um rendimento positivo aos aplicadores, independentemente das condições de mercado, este é o título mais seguro para se aplicar.

O que é o Copom?

O Copom é o órgão decisório da política monetária do Banco Central, responsável por estabelecer a meta para a taxa básica de juros do país.

Ele foi constituído em junho de 1996 e com isso tornou-se possível tornar o processo decisório da política monetária mais transparente.

Até 2005, as reuniões eram mensais, mas desde 2006 passaram a ter uma periodicidade um pouco maior, de 44 dias, em média.

O modelo adotado no Brasil é parecido com o do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), que centraliza as decisões monetárias no Federal Open Market Committee (ou Fomc).

Como funciona o Comitê de Política Monetária

Desde 2000, as reuniões do Comitê são divididas em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a segunda, às quartas. O grupo é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central: o presidente do Banco Central e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural, Fiscalização, Regulação, Relacionamento Institucional e Cidadania, e Administração.

Também participam do primeiro dia de reunião os chefes de sete departamentos do Banco Central: Departamento Econômico (Depec); Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban); Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab); Departamento de Reservas Internacionais (Depin); Departamento de Assuntos Internacionais (Derin); e Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin).

No primeiro dia de reunião, é apresentada uma análise da conjuntura econômica incluindo variáveis como inflação, atividade econômica, finanças públicas, mercado de câmbio, balanços de pagamentos, operações de mercado aberto, expectativas gerais para variáveis macroeconômicas e de tendência para inflação.

No segundo dia, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, após a análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a meta da Selic e recomendações para a política monetária. Por fim, as propostas passam por votação.

A decisão sobre os juros é divulgada imediatamente após o término da segunda reunião. Já a ata da reunião demora uma semana para ser divulgada. Nela, além da taxa de juros atualizada, consta uma perspectiva do que esperar para a próxima reunião do Copom.