S01E07 – Sympathy For The Devil

nosso analista com cara de mau conta como vendeu sua alma para o Marketing.

S01E07 – Sympathy For  The Devil

“Please allow me to introduce myself

I’m a man of wealth and taste

I’ve been around for a long, long year

Stole many a man’s soul and faith”

No fim de julho, recebi um e-mail do Felipe com algumas coordenadas e instruções para um encontro ao meio-dia do dia seguinte.

Ele queria me fazer uma oferta.

Achei estranho, mas a gente não ignora uma proposta no meio dessa crise.

Chegando ao local indicado, uma imensa encruzilhada em um descampado árido, me deparei com o Felipe, todo vestido de preto, um sorriso cínico e uma maleta enorme nas mãos.

Brevemente, ele me explicou que, em troca de muito dinheiro, fama, mulheres e drogas, eu teria que vender minha alma de analista.

“Acabou-se o tempo da análise, daqui pra frente, só O Marketing”.

Fiquei confuso, afinal de contas, já havia lido alguns relatórios da Empiricus e tinha ficado positivamente impressionado com sua qualidade e fundamentação.

Ainda tentei argumentar – Max tem 83 por cento de acertos no Long & Short, a carteira de renda fixa da Marília está rendendo mais de 150 por cento do CDI no ano e a carteira de Fundos Imobiliários está batendo o IFIX em mais de 1.600 basis.

“Nada disso importa. Sede não é nada, imagem é tudo”, me respondeu, sem mudar o tom de voz.

Aos poucos, Felipe foi me explicando que a Empiricus é do mal.

Todos os analistas, independentemente de seus currículos gloriosos, abandonaram a análise faz tempo.

O foco é só o marketing.

“Pouco importa a qualidade do produto”, me explicou o careca no meio da encruzilhada.

“Temos 170 mil assinantes com uma taxa de renovação altíssima pura e simplesmente porque nosso marketing é bom. Acertar os calls e ter uma postura realmente diferenciada no mercado não tem nada a ver com isso. Nossa independência e compromisso com os assinantes também valem muito pouco, quase nada”.

Confesso que não estava totalmente confortável.

Mas era muito dinheiro.

Não resisti.

Assinei o contrato, peguei a maleta e fui pra balada.

Nunca conversei abertamente sobre o assunto com mais ninguém, mas desconfio que isso tenha acontecido com cada um dos analistas da Empiricus. Todos, de uma forma ou de outra, abriram mão de tudo o que haviam feito até aquele momento em suas vidas e, seduzidos por promessas de fama e glória, aceitaram a proposta de Felistófoles.

Se você duvida dessa história, não se esqueça de que há quem acredite que Sérgio Moro é um enviado da CIA para roubar nosso petróleo. Aparentemente, qualquer teoria pode ser verdade no Brasil de hoje.

Por exemplo, nesta semana, a Empiricus celebrou seus 7 anos de vida com um evento absolutamente falso: Gustavo Franco encerrou o evento com uma palestra incrível para quase mil atores contratados – tudo uma grande jogada de marketing.

A Empiricus é tão do mal que os mocinhos dessa história são os bancos que vendem títulos de capitalização ou os fundos de Vale que cobram 5 por cento de taxa de administração. A donzela é a Caixa, que mensalmente toma 8 por cento do seu salário e aplica a 3 por cento ao ano (AO ANO) no FGTS.

Eu e Felipe conversamos esses dias sobre uma estratégia que te protege de perdas, te deixa com possibilidade de ganhos infinitos e ainda é super simples de executar.

Mas isso nada tem a ver com fundamentos ou teorias econômicas.

É puro marketing!

Temos falado faz um tempo que a taxa de juros deve cair e que os investimentos em títulos prefixados serão vencedores no médio prazo.

Aplicar dinheiro em LTNs tem baixíssimo risco: acredito que as chances de um calote do Tesouro são praticamente nulas e, mesmo que os juros não caiam, é possível travar um rendimento em torno de 12 por cento ao ano para os próximos anos.

Bacana, não?

Sim, bastante!

Mas a verdade é que é muito difícil mudar seu estilo de vida com essa aplicação. É uma boa alternativa para garantir sua aposentadoria, ou até para complementar sua renda mensal.

Ficar rico, mesmo, não rola.

E se fosse possível turbinar suas LTNs sem aumentar muito o risco de sua carteira?

Que tal aplicar 95 por cento em LTNs, e os 5 por cento restantes em uma cesta diversificada de ações? Você pode escolher, sei lá, umas 10 ações “boas e baratas” na Bolsa para compor seu portfolio.

A beleza dessa estratégia é que, no máximo, uma ação pode cair 100 por cento, mas, quando for pra subir, o céu é o limite – quem comprou ações da Petrobras no auge, chegou a perder 88 por cento do valor aplicado, mas, desde janeiro deste ano, as ações chegaram a acumular lucros de mais de 320 por cento.

Mesmo que todas as ações da sua carteira virem pó – o que, convenhamos, é muito pouco provável, você ainda vai ter um bom rendimento com suas LTNs e, desde que as carregue até o vencimento, pouco vai importar se os juros subirem ou caírem.

Seu downside está limitado!

Por outro lado, o ganho potencial com sua carteira de ações é, literalmente, ilimitado. Nada impede (nada mesmo!) que alguns dos ativos apresentem valorização de 5x, 8x ou 10x – acredite, isso acontece!

Veja o que houve com as ações de Magazine Luiza desde dezembro de 2015.

A ação saiu de 7,8 reais para mais de 100 reais em um ano – 13x o valor original!

Sim, é muito difícil acertar a entrada no ponto mínimo e depois ter a paciência (ou a disciplina) para segurar os papeis até o ponto máximo, mas, é possível, sim, conquistar ganhos espetaculares no mercado acionário.

Se você duvida que alguém possa ganhar tanto dinheiro assim com ações, saiba que o brilhante Luiz Alves, um dos maiores investidores brasileiros, surfou essa multiplicação toda. Aliás, para nosso orgulho (e gratidão), ele esteve presente em nosso “culto satânico” no Unique, acompanhando nossas palestras marqueteiras.

O ponto é que, construindo seu portfólio da forma que propomos, as chances de perda são muito, mas muito, remotas – se o Brasil quebrar, imagino que suas LTNs serão o menor de seus problemas.

Por outro lado, há boas chances de retornos extraordinários.

E é simples, só é preciso que você diversifique de forma que suas chances de comprar grandes vencedoras aumentem significativamente. Você não precisa saber quais ações vão subir – cá entre nós, ninguém SABE o que vai subir e o que vai cair.

Se você escolher algumas ações ruins, sem problemas: as vencedoras ganham muito mais do que as perdedoras perdem – a compra de Google certamente compensa todas as perdas com ações do Grupo X.

Isso não quer dizer que não vale a pena analisar as companhias para minimizar a chance de se comprar os micos do mercado. Toda ajuda é bem-vinda e fazer uma análise diligente nunca machucou ninguém.

Se seguir esses passos e acreditar na solvência do Tesouro Nacional, é possível garantir um retorno nominal positivo e, mais forte que qualquer marketing ou análise, isso nos é assegurado pela aritmética.

Falo isso sem medo algum de errar: a matemática nunca mente.

É claro que essa estratégia nada tem a ver com teoria de formação de portfólio, mitigação de riscos, ou, imagine, Taleb e a antifragilidade.

Essa é só mais uma jogada de marketing da Empiricus.

Só mais uma artimanha pra vender retorno garantido!

Mas, cá entre nós, seria loucura deixar essa ideia passar.

Afinal de contas, marketing ou não, estamos aqui há 7 anos, com teorias vencedoras e clientes satisfeitos.

Haja marketing, amigo!

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