S01E10 – A Long December

nosso analista com cara de mau dá um tempo com os comentários mais ácidos e faz um agradecimento de fim (ou começo?) de ano.

S01E10 – A Long December

“A long December and there’s reason to believe
Maybe this year will be better than the last”

Difícil escrever alguma coisa para vocês no primeiro dia do ano sem cair na tentação de falar sobre como foi 2016 e o que esperar para 2017.

Também não preciso ficar aqui elencando todas as insanidades e tragédias que aconteceram no ano que passou. Todos sabem que 2016 foi um ano maluco, e tenho certeza que as 237 retrospectivas disponíveis por aí já deixaram isso bem claro.

Para mim, 2016 começou um pouco mais cedo, no dia 23 de novembro de 2015, quando minha mãe descansou depois de anos de uma batalha dura e fadada a um desfecho conhecido.

Meu pai, apaixonado que era por ela, se apressou em encontrá-la, menos de seis meses depois.

Depois disso, nada poderia salvar um ano que, por mim, poderia nem ter começado.

Fui, então, “sendo vivido”, quando, depois de meses de apatia, resolvi que era hora de mudar alguma coisa.

Foi quando abri o Linkedln e entrei em contato com a Olivia, amiga dos tempos da faculdade, com quem não falava há anos.

A primeira vez que ouvi falar da casa de análise mais polêmica do Brasil foi em julho de 2014 – meu celular piscou com uma mensagem de um tal de Felipe Miranda: “O Fim do Brasil”. O careca argumentava sobre como a reeleição de Dilma levaria o Brasil para o abismo.

Me lembro de concordar com os argumentos todos, mas, confesso que achei bastante exagerada a projeção de 4 reais para o dólar. Se 9 entre 10 economistas previram esse movimento, eu fui o “1″ que não previu.

Dei de ombros, ri e imaginei como deveria ter sido o processo produtivo daquele texto apocalíptico.

Veja, há um ditado no mercado financeiro – “não existe um trader no mundo que não seja um grande piloto, que não pegue muita mulher e que já tenha perdido dinheiro”. A verdade é que a maioria dos “gênios” do mercado financeiro são caras comuns, alguns até bastante tímidos. Muitos dirigem muito mal, e todos, sem exceção, já perderam dinheiro na vida. Mas o povo do mercado adora se gabar de suas façanhas, reais ou não.

A verdade é que são grandes pescadores.

Bem vestidos, com carrões e relógios reluzentes, mas pescadores que, invariavelmente, valorizam o resultado de suas pescarias.

É comum observar aquele moleque cheio de espinhas, que passou a vida toda tomando leite com pêra na casa da vovó, ganhar seu primeiro bônus, comprar uma BMW, um Rolex e começar a pisar nas secretárias.

Confesso que, ao longo da carreira, tive meus momentos de deslumbre, mas nunca curti esse perfil.

Era essa a visão que tinha de Felipe e do restante da equipe responsável por aquele texto, repleto de verdades, mas com uma necessidade quase fisiológica de polemizar.

Algum tempo depois, o dólar chegou, e passou, dos 4 reais. A Empiricus soltou novos textos, novos acertos.

As provocações ficaram ainda maiores.

Surgiu um papinho nos bastidores do mercado.

Tinha uma galera nova acertando tudo.

Alguém tinha aprendido a falar com as pessoas físicas, e um pedaço do mercado, mesmo que pequeno, já não era mais das grandes casas.

Comecei a ler os textos mais de perto.

O M5M era uma obrigação quase diária.

Informação descontraída, divertida e, mais importante, sem rabo preso.
Mas quem são esses caras?

Ainda achava que eram um bando de pescadores polêmicos, contando vantagem em mesas de boteco e em textos na Internet.

Foi com essa impressão que aguardei por Felipe em uma sala de reuniões repleta de livros.

Depois de pouco mais de 15 minutos de conversa, todas as impressões caíram por terra.

Felipe é um cara calmo, educado, ousaria dizer até que é gentil.

Bem diferente do playboy que eu esperava encontrar.

Me contou que, desde o início, a ideia era fazer análise de qualidade, mas com uma linguagem simples e de fácil acesso. Mudar a cultura de investimentos das pessoas físicas brasileiras.

Ambicioso o menino, não?

Pelos e-mails que recebemos de assinantes, eu diria que ele conseguiu alcançar seu objetivo, de uma forma que nem ele imaginava quando começou.

Menos de seis meses depois, cá estou, sentado na mesma sala de reuniões, aquela repleta de livros.

Nesse meio tempo descobri que boa parte dos analistas da equipe são pessoas que não se encaixam no perfil médio do mercado.

Até o nosso carioca foge à regra e está longe de ser o típico malandro ixperto do Leblon.

Somos os Garotos Perdidos do mercado financeiro.

Quase ninguém entende o que fazemos, e muita gente tem a mesma visão que tive por tanto tempo.

Assim, esse texto é tanto um pedido de desculpas quanto um agradecimento já que, em pouco tempo, fui muito bem aceito pela equipe toda. Me sinto praticamente em casa quando saio do elevador e dou de cara com a recepção no 4º andar.

Já converso com alguns dos doidos daqui como se nos conhecêssemos há bastante tempo e até ganhei um espaço semanal para escrever minhas palavras tortas livremente, algo que, confesso, sempre foi uma ambição pessoal.

É verdade que nem tudo é perfeito – o ar condicionado do escritório poderia ser um pouco mais confiável, por exemplo. Mas, em breve tenho certeza que isso será remediado e os pequenos e supérfluos “contras” são infinitamente menores que os “prós”.

Assim, por mais que a nova casa não tenha salvado meu 2016, porque nada o faria, certamente me fez acreditar em anos melhores pela frente.

E, por isso, gostaria de dizer meu muito obrigado ao Felipe, Olivia e a todo mundo da equipe que, além de muito competente, está longe de ser formada pelos playboys babacas que idealizei em minha mente.

Meus mais sinceros votos de um ano melhor e que, em 2017, você se livre de suas verdades e se dê a oportunidade de conhecer algo genuinamente novo.

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