S01E20 – Hable Con Ella

S01E20 – Hable Con Ella

Acho que o “livro” favorito de meu pai era O Tempo e o Vento. Leu a série enquanto era publicada e depois mais algumas vezes durante a vida.

Tinha uma queda pelas personagens femininas.

“Os homens eram uns gaúchos machistas, fanfarrões, boêmios e briguentos. As mulheres que carregaram todo mundo nas costas e seguraram o rojão durante os períodos mais difíceis”.

Admirava muito Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria.

“Mulheres fortes, de fibra.”

A obra de seu compositor predileto, Puccini, também é repleta de heroínas – Mimì, Manon, Liù… mas, deixemos para falar sobre Ópera mais para frente.

Tudo a seu tempo.

O ponto aqui é que, não à toa, meu pai se casou com a Dona Cleusa e, como uma personagem de Érico Veríssimo, minha mãe foi uma mulher incrível.

Forte, decidida e independente.

Logo após o casamento, ainda sob pressão de uma sociedade machista, se  ocupou mais em criar os filhos e cuidar da casa.

Aos poucos, os filhos foram crescendo e ela foi revolucionando as coisas.

Começou a contribuir com o orçamento, fazia trabalhos de datilografia (isso, numa máquina de escrever, old school), opinava sobre todas as decisões e foi deixando claro para mim e para minhas irmãs que mulher tem voz em todas as questões da casa e da sociedade.

Ela batia de frente com homens ou mulheres e nunca mais abaixou a cabeça para quem quer que viesse dando uma carteirada de gênero para cima dela.

Era bonito de ver.

Quando compramos o primeiro computador, eu e ela firmamos uma parceira. Tirei meus primeiros “salários” ajudando na revisão e formatação de monografias e na tradução de textos.

Se hoje escrevo minimamente bem, devo muito a suas aulas e a seu apreço total e irrestrito pela gramática correta.

Escrever errado era pior do que roubar.

Com quase 60 anos, decidiu concluir seu maior sonho.

Foi fazer Letras.

Depois de décadas longe da escola, pegou meus livros e apostilas do colegial, se preparou por alguns meses e passou no vestibular.

Foi lindo.

Nunca a vi tão feliz quanto nos anos da faculdade.

Com o fruto de seu trabalho, pagou as mensalidades e ainda tinha tempo para cuidar de mim, meu pai, minhas irmãs, dois cachorros e, claro, da casa.

Se as mulheres são incríveis por diversos motivos, me encanta mesmo é essa capacidade para cuidar de todo mundo.

Jack Ma, fundador do Alibaba, maior grupo de e-commerce da China  – pense no quanto tem de chinês pedindo tralha na Internet! – atribui boa parte do sucesso do grupo por ter 47 por cento do quadro de funcionários preenchido por mulheres.

Ele diz que as mulheres se preocupam mais no  bem-estar alheio do que no delas próprias, e isso é crucial para atender bem clientes e manter funcionários satisfeitos.

Isso é chave para fazer o mundo um lugar melhor.

Não sei de onde o bilionário chinês tirou essa conclusão, mas minha evidência empírica concorda com ele.

Mãe, avó, imãs, namorada e amigas, praticamente todas têm essa característica.

Isso acaba as sobrecarregando e seria ótimo se as tarefas fossem melhor divididas – ainda estamos longe do ideal.

Difícil saber se é uma predisposição genética ou fruto das características sociais e culturais.

Porém, de uma forma geral, as mulheres do meu convívio costumam ser mais atenciosas, mais cuidadosas e mais preocupadas comigo e com o mundo.

Ganhando a confiança, então, não tem companhia melhor para sentar em um bar e falar besteira e nem parceria melhor para a balada.

Se você não acredita, azar o seu.

Mas, com toda admiração que tenho por mulheres, há um problema a ser discutido.

Quem leu a última news da Bia, sabe que apenas 26 por cento dos investidores no Tesouro Direto são mulheres. São apenas 23 por cento quando falamos da Bolsa.

Quem leu a última da Luciana, sabe que ainda tem mulher por aí fazendo blog de investimento para mulheres dando dicas de como comprar uma bolsa mais cara.

Dei uma olhada, por curiosidade.

Sério, parece coisa da Contigo.

Tem gente de dentro do grupo sabotando as meninas do Brasil!

Assim não dá.

Minha mãe há anos já sabia.

Não dá pra ser empoderada (ela ia odiar essa palavra, mas ok) sem alcançar independência financeira.

E independência financeira não é ter dinheiro para comprar uma bolsa Hermès ou um vestido Valentino – eu quero é que você se interesse pela Bolsa de Valores.

Independência financeira é saber onde colocar seu dinheiro, é ter planos para a aposentadoria. É sentar com o gerente do banco e saber quando ele está te enrolando.

Independência financeira é, com fruto do seu próprio trabalho, comprar seu carro, pagar sua faculdade e, depois de alguns anos, dançar a valsa com seu marido e seu filho.

Enchendo os dois de orgulho.

E fazer isso como você escolheu.

Fazer do seu jeito.

No seu tempo.

A Empiricus tem um monte de produtos especiais para mulheres, para ajudar a realizar tudo isso.

Chamamos de TODOS os nossos relatórios.

Dinheiro, esforço e resultado não têm gênero.

Não é preciso escrever diferente, falar de flores, sapatos ou chocolate.

É preciso de falar de Renda Fixa, Fundos de Investimento, Ações e Tudo o que Permeia o mundo do(a) investidor(a).

Eu acho loucura, em pleno 2017, a participação das mulheres no mercado financeiro ser assim tão reduzida.

Então, ao invés de dar parabéns pelo dia das mulheres, gostaria de fazer um pedido.

Se informe.

Entenda como funcionam os produtos e os mercados.

Cuide de suas finanças como você cuida das pessoas e do mundo à sua volta e se prepare para o futuro sem depender de ninguém para te ajudar.

Porque a verdadeira independência é viver a vida nos seus termos, seja cuidando da casa, seja resolvendo equações complexas na NASA, seja operando derivativos na BM&F.

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