S01E21 – A Soma de Todos os Medos

Nosso analista com cara de mau fala um pouco sobre a missão da Empiricus e o papel dos derivativos em sua carteira.

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S01E21 – A Soma de Todos os Medos

Tirando o efeito Zidane, 98 foi um bom ano.

Atingi a maioridade penal e já podia entrar em qualquer lugar sem suar de medo de me pedirem o RG (sem contar o acesso a toda biografia do Buttman nas locadoras).

Timão levou o Brasileiro e, melhor de tudo, o velho foi promovido.

No fim do ano, recebeu um belo bônus.

Algo em torno de seis salários.

O dinheiro tinha destino: reforma da casa, que ainda não estava de acordo com os desejos da família – vulgo, desejos de minha mãe.

98 também foi o ano da reeleição de FHC.

Havia uma pressão enorme pela desvalorização do Real que, há meses, estava operando bem mais apreciado do que os fundamentos brasileiros permitiam

As reservas do Bacen sangravam, mas, em ano de eleições, a ordem foi segurar enquanto desse – Gustavo Franco sustenta até hoje que a decisão foi técnica e não política.

Durante um almoço de domingo, comentei com meu pai que o melhor seria aplicar o bônus em dólar e, depois da inevitável desvalorização, fazer a reforma e ainda contar com uma boa grana extra.

Meu pai simplesmente não sabia como aplicar em dólares e, no fim das contas, gastou tudo com a reforma, mesmo.

Veja: em 12 de janeiro de 1999, o dólar era cotado a 1,21 real. No dia 29 de janeiro, a cotação atingiu 2,05 reais. Variação de mais de 69 por cento em 17 dias.

Deixamos de ganhar o equivalente a quatro salários de meu pai pura e simplesmente por desconhecimento dos instrumentos do mercado financeiro.

É o tipo de coisa que pode mudar a dinâmica financeira de uma pessoa ou uma família.

Se à época tivéssemos o relatório da Luciana para ler (ou mesmo suas newsletters), saberíamos que existem fundos cambiais e que não há muito segredo nem trabalho para aplicar em um.

Eu sei que o marketing americanizado da Empiricus gera resistência por parte de alguns.

Não nego isso.

Às vezes exageramos e enchemos sua caixa de e-mails.

Mas tente olhar além disso.

A missão da Empiricus é instruir o cidadão comum (você) e prepará-lo para aplicar suas economias sem deixar a maior parte do rendimento na mão do banco.

A pessoa física brasileira ficou desalentada por muito tempo.

Única fonte de informação eram os gerentes de bancos que, por definição, têm mais alinhamento com o banco do que com você.

Poupança não é uma boa opção, nem o fundo caro oferecido pelo seu gerente.

Tem muita coisa melhor e acreditamos que é seu direito ser bem informado.

Toda semana recebemos e-mails narrando como fomos responsáveis por aumentar o conhecimento e melhorar a qualidade da aplicação financeira de várias famílias brasileiras.

Gosto de acreditar que, aos poucos, estamos tornando a aposentadoria de milhares de pessoas um pouco mais confortável.

algumas semanas, eu falei que o Felipe estava aplicando os conceitos do tail hedging para as carteiras aqui da casa.

Simplificando, o negócio envolve a compra de opções de venda (puts) para proteção da carteira.

“Ah, mas a pessoa física não sabe como funcionam derivativos e opções, é uma irresponsabilidade recomendar esse tipo de operação”.

Não faz sentido tratar a pessoa física como incapaz.

Se explicarmos as estratégias e motivações corretamente, qualquer um é capaz de entender o básico do funcionamento de uma opção.

É claro que não pretendemos que todo mundo saiba como calcular a vol implícita e aplicar o Black & Scholes.

Mas desde quando é preciso ser um especialista em motores a combustão para dirigir um carro?

Faz poucos dias eu fiz uma ressonância magnética e não tenho a mais puta ideia de como aquela máquina dos infernos funciona.

Desconhecer o processo de circulação extra-corpórea não impede ninguém de fazer uma cirurgia cardíaca e, sinceramente, tem poucas coisas mais arriscadas do que fazer uma ponte de safena.

Opções são instrumentos derivativos que te dão o direito de comprar (ou vender) um determinado ativo a um determinado preço em uma determinada data.

Você paga um valor relativamente baixo para ter esse direito.

Ponto.

Qual o maior risco de se comprar uma opção?

Perder todo o valor investido.

Só e tudo isso!

Então, desde que aplique pequenas quantias, há pouco a perder.

O grande problema das opções é quando você inventa de ficar vendido.

Pelas regras da Empiricus, é absolutamente vedada a recomendação de se vender uma opção a descoberto – vender uma opção sem que se tenha o ativo correspondente em carteira não pode!

“Ah, mas eu li numa revista que o Buffett falou que derivativos são armas de destruição em massa!”

É verdade.

Ele falou isso mesmo.

Mas, se você ler a declaração dele até o fim, vai ver que depois ele afirma  que isso não quer dizer que não se pode utilizar derivativos de forma inteligente, para proteção e/ou alteração do perfil de riscos da carteira.

A dinamite foi inventada originalmente para ajudar a indústria de mineração.

Anos depois, durante a guerra, pessoal se tocou que também servia para explodir os amiguinhos.

Urânio pode servir tanto para gerar energia elétrica quanto para evaporar toda a vida na Terra.

Analogamente, derivativos surgiram como instrumento de proteção.

Uma mineradora, por exemplo, pode vender contratos futuros de minério de ferro para garantir rentabilidade mínima de sua produção futura e, com isso, fazer investimentos e gerenciar seu caixa.

Por outro lado, um taxista chinês maluco pode apostar todo o dinheiro da família comprando minério na Bolsa chinesa.

Não estou falando aqui para você sair correndo e comprar um monte de opções.

Só estou falando que, se feita da maneira correta, a compra de derivativos contribui, e muito, para a redução de risco de sua carteira.

Se não acredita, vou dar dois exemplos REAIS de recomendações da Empiricus.

Preocupado com uma possível eleição do Trump, Felipe recomendou compra de puts de Petrobras no dia 8 de novembro passado. O topetudo foi eleito e, alguns dias depois, a Bolsa despencou. A recomendação rendeu mais de 450 por cento, quando a posição foi encerrada em 16 de novembro.

No dia 1º de fevereiro, o careca recomendou a compra de algumas puts, dentre elas, uma de BRF (BRFSS17). Mais por sorte do que por juízo, com ajuda da “Operação Carne Fraca”, encerrou a posição em 20 de março com ganhos de quase 270 por cento.

Veja, nos dois casos, enquanto o mercado despencava e as outras posições sofriam, a queda da carteira foi “amaciada” pela valorização dessas duas opções.

A carteira construída dessa forma permite que se obtenha retornos ainda maiores com menor risco, porque está recheada de seguros na forma de opções de venda.

Eu acho que é loucura privar o investidor pessoa física desse tipo de estratégia.

O fato de que muitos de nossos leitores são leigos no assunto não quer dizer que sejam crianças incapazes de tomar decisões conscientes.

Desde que bem orientados, não vejo problema algum em sofisticar um pouco o portfólio de cada um.

E você, acha que é pior um título de capitalização que COM CERTEZA vai trazer prejuízo ou uma put que serve como seguro e, potencialmente, pode te dar retornos expressivos?

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