Dos absurdos irrelevantes

Independência formal do Banco Central?

Dos absurdos irrelevantes

Quando eu aprendi que o governo abatia as despesas do PAC do balanço para atingir a meta de superávit primário, achei um absurdo.

Se você, empresário, faz um investimento na sua empresa, aumenta sua capacidade produtiva, você pode simplesmente desconsiderar esse gasto do seu balanço pois fez um bem para a sociedade e gerou empregos?

Não.

Porque pode o governo?

Quando perguntava a algum professor ou colega a resposta vinha com indiferença “é… mas é assim mesmo”.

É a mesma história com a “independência formal do Banco Central”, como assim temos um Banco Central e precisamos afirmar formalmente que ele é independente? Essa não é uma das premissas mais básicas de uma autoridade monetária?

Coitado do Banco Central do Brasil, sabemos que ele não é independente ou autônomo e muitas vezes esquece seu mandato. Mas quando autoridades falam em assumir isso formalmente me desperta aquele sentimento de “meu deus, que absurdo precisarmos fazer isso”.

Veja, eu sou 101% a favor que façam essa formatação, 102% a favor que demonstrem isso com atos e me alegro com as atitudes, mas me reservo ao direito da tristeza de que, em pleno 2016, o maior país da América Latina precise admitir que não tem um Banco Central independente e prometer que fará diferente a partir de agora.

Mas tudo bem, seguimos a programação normal. Em meio ao saco de absurdos (também conhecido como Brasil), existem absurdos relevantes, outros nem tanto.

 

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