Em busca da felicidade

Não deixe a crise abalar sua auto-estima. Veja aqui o fazer para contornar a situação e administrar suas finanças

Em busca da felicidade

Há algum tempo, temos falado sobre como a crise econômica brasileira se reflete em nossos investimentos e temos traçado estratégias para tentar driblar a má fase do país. Mas muitos leitores entraram recentemente em contato nas redes sociais para que falássemos mais sobre o assunto tão em alta. Por isso, cá estamos nós.

Desta vez, fui buscar a ajuda de uma psicóloga e doutoranda pela USP especializada em felicidade. Sim, felicidade. Quero apresentar essa abordagem, porque, ao longo de crises, muita gente perde a razão e se desestrutura. Mas tudo na vida tem um ponto de vista positiva, não é mesmo?

Angelita Corrêa Scardua que o diga. Segundo a psicóloga, não vale a pena ficar desesperado com alguma situação que não dependa de você. O melhor que podemos fazer, quando o assunto é economia, é avaliar os recursos disponíveis e aplicar da melhor maneira. Confira abaixo um trecho da entrevista e aproveite!

Criando Riqueza: Em tempos de crise, o que é melhor: buscar maneiras de agir diante da situação pouco favorável ou esperar o caos passar?

Angelita Corrêa Scardua: Um mix dos dois. É importante entender que algumas coisas simplesmente não dependem de nós. Por exemplo, não há nada que possamos fazer individualmente para melhorar o desempenho da bolsa de valores da China ou o inchaço da máquina pública com excesso de contratações. Quanto a isso, portanto, o melhor é esperar! Se informar, buscar mecanismos de informação qualificados para entender melhor o funcionamento da economia, pode ajudar a tornar a espera menos angustiante.

Criando Riqueza: É possível ser feliz e encontrar respostas em tempos de crise como os do Brasil atualmente?

Angelita: Sim! É possível ser feliz nas mais adversas condições, excluindo-se a miséria absoluta. Na miséria absoluta, passamos tempo demais tentando manter o corpo vivo e, aí, não há muito espaço para expectativas subjetivas ou felicidade. A vivência de felicidade, contudo, não depende de riqueza, mas da capacidade de apreciar os eventos da vida positivamente. Ainda que um evento seja negativo, ele não elimina a possibilidade da felicidade, mas a maneira como o encaramos e como reagimos a ele sim. Nesse sentido, uma crise pode ser tanto vista como o fim da linha ou como uma condição adversa que requer maior disposição para ser superada. As pessoas felizes conseguem ver as condições adversas como oportunidades para aprenderem e se desenvolverem. Isso não significa que elas não sofram, não percam as esperanças em alguns momentos…

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Criando Riqueza: E como reagir nessa situação?

Angelita: É claro que, se uma pessoa vê a crise como um evento temporário, ela tem muito mais chances de reagir, buscar alternativas, pensar em saídas. A crise requer um rearranjo da nossa maneira de lidar com várias coisas em nossas vidas: custos e gastos, prioridades e futilidades, necessidades e desejos. É um momento no qual é importante definir prioridades, separando o que é necessário do que é apenas desejável.

Criando Riqueza: Quais os principais erros que as pessoas cometem em tempos difíceis, pensando em alcançar a felicidade?

Angelita: O primeiro deles é desistir dos próprios sonhos, planos, objetivos etc. Não se deve fazer isso! Não é porque não posso realizar um sonho agora que nunca poderei. Às vezes, o sonho precisa ser reavaliado, precisa ser adequado às circunstâncias ou simplesmente adiado. Outro erro é não definir prioridades. Nem tudo o que queremos e fazemos tem a importância que achamos. Há coisas na vida que são necessárias, há outras que são desejáveis. É fundamental diferenciar umas das outras. Em tempos de crise não dá para ficar sustentando desejos que não são essenciais para os objetivos que temos na vida. Outro erro é focar no problema ao invés de buscar soluções para ele. Há pessoas que se debruçam sobre o problema como um moribundo a ser velado. Com isso, essas pessoas perdem o foco e mergulham no pessimismo pensando apenas nos obstáculos, nas dificuldades etc. A atitude mais pró-ativa em uma crise é se perguntar – “O que pode ser feito?” – e tentar pensar em saídas, buscar alternativas, estudar e conversar sobre situações, além de repensar a própria condição e encontrar respostas.

Espero que tenham gostado,

Até a próxima,

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