Já vai tarde, Tombini

Parece piada, mas Alexandre Tombini disse há pouco, em evento no Rio, que a inflação jamais saiu do controle no Brasil nos últimos anos.

Já vai tarde, Tombini

Parece piada, mas Alexandre Tombini disse há pouco, em evento no Rio, que a inflação jamais saiu do controle no Brasil nos últimos anos.

Talvez ele não tenha sido informado que, momentos antes, o IPCA-15 apurou uma alta de 9,62% no acumulado de doze meses – mais que o dobro, portanto, da meta de 4,5%.

Com a ajuda de nossos parceiros de O Antagonista, demonstro aqui um apanhado das estimativas do ainda presidente do Banco Central:

  • Em 4 de agosto de 2011, ele disse que o BC tinha “o compromisso com a meta de 4,5% de inflação em 2012”.
  • Em 9 de outubro de 2011, ele disse que esperava encerrar seu mandato com “um cenário de inflação estabilizada, na faixa que temos hoje, de 4,5%, que é a meta do BC” e um crescimento “entre 4,5% e 5%”.
  • Em 28 de fevereiro de 2012, ele anunciou no Senado que o IPCA de 2013 ficaria “ao redor” da meta central de inflação de 4,5%.
  • Em 10 de dezembro de 2013, Tombini afirmou que BC “continuaria se esforçando para fazer a inflação convergir rumo à meta anual de 4,5%”.
  • Em 6 de agosto de 2014, ele disse que “a economia mostrou significativa desinflação dos preços ao consumidor e, principalmente, dos preços no atacado”.

Como promessas não pagam dívida, vamos ao que de fato interessa: Alexandre Tombini assumiu o Banco Central em 1º de janeiro de 2011. A inflação era de 5,91%. Agora está em 9,28% (IPCA em doze meses encerrados em abril).

Felizmente, ele está de saída – será substituído pelo competente Ilan Goldfajn.

Antes tarde do que nunca.

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