Limites dos Modelos Preditivos ou Haute Couture

A relação entre os modelos de previsão e o desfile da Chanel.

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Limites dos Modelos Preditivos ou  Haute Couture

As abas do meu Google Chrome estão separadas em três categorias: papers de economia com modelos milagrosos, jornal e site da Vogue. Recentemente tenho revezado entre os papers de Hiato do Produto e Curva de Laffer e, quando vejo que talvez a tonelada de dados e econometria não me ajudarão muito a conter a ansiedade de prever futuro do país, passo para a Semana de Alta Costura de Paris (ou Haute Couture, como chamam os habitués).

Alguns chamariam isso de fuga. Porém existe um Q de Haute Couture nos modelos de previsão. O molde é complexo, dá uma mão de obra infernal e no final o resultado até é bonito, mas sem aplicação no dia-a-dia. No final do trabalho, nós [economistas] ficamos todos cheios de si acreditando ter cumprido o juramento de nossa profissão “(…) utilizá-lo para promoção do bem-estar social e econômico de meu povo e minha nação, cooperar com o desenvolvimento da ciência econômica e suas aplicações (…)”. Até ajudou, mas a realidade não cabe numa planilha de Excel, como disse o Felipe no Palavra do Estrategista.

Eu acrescento dizendo que também não cabe no E-Views, nem no MathLab. Outro dia coloquei um gráfico no nosso Twitter que mostra isso. O erro das primeiras estimativas dos economistas para o PIB é considerável nos últimos anos. Isso para não falar do erro do governo.

 

Eu gosto dos modelos econométricos, gosto de ouvir o que eles têm para dizer, assim como adoro os vestidos assimétricos apresentados pela Dior. Porém não posso usar uma roupa toda torta para trabalhar, nem quero. O que eu gosto de fazer é olhar aquele desfile, me inspirar e aplicar na minha vida real.

É mais ou menos o que deve acontecer com a complexidade simplista dos modelos de previsão. Em um momento de incerteza como este não dá para usar a econometria como instrumento de verdade absoluta. Também não dá para abusar da especulação e de day trade ignorando fundamentos que poderiam ter altos ganhos. Nosso analista Carlos Herrera ilustra muito bem a questão em edição recente do Empiricus Insider. O que prego aqui é tentar usar o incerto ao seu favor.

O que vai acontecer com o país? O que vai acontecer se a Dilma sair? Para onde vai a inflação? Não sei. Ainda mais com formulares de política que resolveram ser gauche na vida. Todo dia é uma surpresa. O que nos resta é olhar os fundamentos. É isso o que fazemos todos os dias. E tem dado muito certo.

 

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