Microfranquia = microlucro?

Modelo de negócio mais barato é a resposta das redes de franchising para crise econômica. Mas essa é a melhor solução?

Microfranquia = microlucro?

Semana passada eu estive na feira da Associação Brasileira da Franchising (ABF). A 25ª edição do maior evento de franquias do Brasil estava meio “morna”, em grande parte por conta do momento ruim da economia brasileira. Por isso, senti todo mundo bastante cauteloso.

Em uma das palestras para franqueadores, a presidente da ABF, Cristina Franco, definiu a situação: “Nós esperávamos que 2016 fosse difícil, mas não tão difícil assim”. Também percebi esse tom mais frustrado entre os participantes da feira. Em busca de uma franquia para chamar de sua, um participante resumiu bem o clima: “Para quem tem só uma chance para acertar, tem que ser muito cauteloso”.

Como alternativa à crise, a resposta que estava na boca de muitos franqueadores era microfranquia. Para quem não conhece, essas são unidades menores de lojas que custam menos de R$ 80 mil. A exigência de um investimento mais baixo pode atrair um maior número de empreendedores.

A Cacau Show é uma das redes que está tentando diversificar as opções. Além de começar a apostar em venda direta (seguindo o modelo de empresas como Avon), a empresa está oferecendo aos franqueados o modelo de “gelateria” (que nada mais é que um carrinho de sorvete).

A minha dúvida é se essa criatividade para driblar a crise vai funcionar. Não se engane: microfranquia tem esse nome porque o faturamento será menor.

Vamos a uma matemática simples: uma microfranquia da gelateria Cacau Show tem investimento inicial a partir de R$ 38 mil (para o que eles chamam de carro médio) e um retorno estimado de 18 meses, ou seja, só a partir de um ano e meio você começara a ter lucro.

Mas se você investir esses mesmos R$ 38 mil hoje no título público Tesouro Selic (LFT) pelo mesmo período (18 meses), você poderá resgatar um valor líquido de cerca de R$ 45 mil, o que resulta num lucro de R$ 7 mil. Não existe forma mais explícita para evidenciar como não vale a pena correr o risco do investimento proposto pela Cacau Show. Ou o retorno precisa aumentar ou o investimento mínimo exigido, diminuir.

Toda vez que você decide empreender, você ainda precisa avaliar se o negócio vai responder por sua principal renda e se ela será suficiente para arcar com suas despesas e de sua família? Não existe milagre: os investimentos precisam ser sempre condizentes com o retorno.

Por isso, se você foi demitido e está pensando em se “tornar o próprio chefe”, pense muito bem antes de colocar seu dinheiro na microfranquia. Seu retorno também poderá ser “micro”.

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