Muito otimismo poderá te quebrar

Confira o alerta do ganhador do prêmio Nobel Daniel Kahneman para empreendedores

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Muito otimismo poderá te quebrar

Na semana passada, a Empiricus promoveu uma palestra exclusiva para assinantes com o psicólogo e ganhador do prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman. Ele foi premiado em 2002 pela obra pioneira sobre processos de tomada de decisão.

Apesar de o trabalho do psicólogo ser focado em entender os investidores, o que me chamou atenção no evento, obviamente, foi sua abordagem sobre empreendedorismo.

Kahneman citou duas pesquisas muitos interessantes sobre empreendedores para explicar como o nosso comportamento não é necessariamente racional – as pessoas agem por impulso, ganância, excesso de confiança, otimismo ou pessimismo exagerado etc.

A primeira análise citada pelo prêmio Nobel foi a da empresa Dun & Bradstreet, que fornece dados para negócios. Segundo a pesquisa, 80% dos empreendedores percebiam suas chances de sucesso em seu negócio próprio como de 70% ou mais em um período de cinco anos. Um terço deles descrevia a empreitada como “garantida”.

No entanto, quando atribuíam chances para negócios parecidos com o seu, essa previsão caia para 59%. As duas projeções eram otimistas, já que a probabilidade real de sobrevivência (segundo dados do governo dos EUA), em um período de cinco anos, era de 33%.

Isso demostra que quando avaliamos nós mesmos e nossas chances, sempre acreditamos que somos especiais e que vamos ter mais sucesso que outros.

Um estudo canadense do pesquisador Thomas Astebro, baseado em dados do programa de assistência aos inventores do Canadá, mostrou que quando inventores recebiam a notícia de que suas ideias não seriam um sucesso comercial, metade desistia. Dentre os outros  47% que continuavam com os esforços de desenvolvimento, muitos dobravam suas perdas ao investir antes de desistir da ideia.

Quem nunca ouviu uma história de pessoas que insistiriam no erro, apesar dos conselhos e das provas de que o negócio não daria certo, e acabaram afundados em dívidas?

Segundo Kahneman, o importante é tomar decisões baseadas em informações concretas – e entender que nunca teremos todas as informações disponíveis. O problema é que, muitas vezes, já temos uma decisão estabelecida, só procuramos argumentos para justificá-la. E é aí que as coisas se complicam.

Se você não sabe as probabilidades de sucesso, como vai assumir o risco? Por isso falamos tanto de planejamento antes de começar o negócio e de se adaptar, pois ninguém sabe como os consumidores vão reagir ao seu produto ou serviço ofertado.

“Otimismo e confiança são os motores do capitalismo. Isso é bom para a economia, mas pode ser ruim para o indivíduo”, afirmou Kahneman.

Então, fique ligado para não deixar o excesso de confiança acabar com seu negócio!

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