Não vamos alugar o Brasil

Um guia rápido para explicar o impeachment aos gringos

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Não vamos alugar o Brasil

Obrigada, amigos gringos, por apoiar a saída da nossa presidente.

Mas vamos esclarecer algumas coisas.

O Brasil é uma república nova, temos em nossa história diversos calotes, golpes e planos econômicos fracassados. Não temos vantagem comparativa no planejamento econômico e social. Começamos a construir nossas instituições com algum padrão nos anos 1990, até quando veio a crise em 2008. Naquele momento, o então presidente Lula resolveu adotar medidas expansionistas, e estaria tudo certo se ele tivesse encerrado essas medidas tão logo quando a nossa economia voltasse a crescer. Não foi o que aconteceu. Aparentemente, o presidente encontrou uma brecha para aplicar medidas populistas.

Dilma, desde o início de seu mandato, deu continuidade a esse modelo populista. No campo da política fiscal, além da catástrofe da dívida pública, não fez nenhuma reforma no nosso complexo sistema tributário (nem nós entendemos) e cedeu estímulos para indústrias sem critérios aparentes (e sem ter como pagar por isso). Liberou crédito em um país que tem alta propensão ao endividamento. Passou por cima da autoridade monetária, fazendo com que nossa taxa básica se movesse de acordo com a pressão política, quebrando o princípio de independência do Banco Central.

No meio de todo esse caos, tivemos o julgamento de um outro escândalo de corrupção, o Mensalão. Depois de julgados, alguns condenados acionaram um recurso de infringentes, que revisou as penas. Algumas pessoas “de bem” como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoíno foram absolvidos de crime de formação de quadrilha, por exemplo, depois que o mesmo tribunal havia julgado os réus como culpados. Sei que é difícil entender, mas é como se um juiz julgasse você como culpado e logo depois mudasse de ideia. O embargo de infringentes está previsto na lei, mas num caso desses levantou muitas dúvidas acerca da credibilidade do STF.

Agora temos inflação muito acima da meta, desemprego de 10%, juros de 14,25% a.a., PIB de -4%, empresas importantes completamente desmoralizadas, mais escândalo de corrupção (Lava-Jato), e um Ministério da Fazenda, Banco Central e Supremo Tribunal Federal desmoralizados.

A última coisa de que precisamos é de agências internacionais ignorando os mais de 60% dos brasileiros que querem IMPEACHMENT da presidente, os 10 milhões de desempregados esperando uma solução efetiva para a crise e nosso Congresso Nacional (que não é limpo, mas seguiu à risca o rito do impeachment).

Pela primeira vez em anos o brasileiro está vendo algo ser julgado conforme a lei e as instituições.  Não nos tirem esse momento tomando o discurso de “golpe” ou falando em eleições gerais.

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