O Fim dos BRICS

O fim do grupo é tratado como consenso, querendo os estudiosos da economia internacional ou não.

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O Fim dos BRICS

Há alguns meses atrás, conversando com um acadêmico, afirmei que os BRICS não existem mais. Fui tratada como herege. Porém, diante dos fatos dos últimos tempos o fim dos BRICS já é praticamente consenso.

Para quem não lembra o conjunto Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul despontou como forte promessa de crescimento entre 2009-2011, quando saíram milhares de relatórios sobre os tais emergentes, ganhamos capa na The Economist e alguns gringos até aprenderam que a capital do Brasil é Brasília!

Mas onde estão os BRICS agora?

Bom, não preciso me alongar na situação do Brasil. O Fim do Brasil e todos os nossos relatórios já te deixaram bem a par do assunto.

A China também tem sido pauta quase que diária em nossas newsletters em 2016. Afinal, neste início de ano a bolsa chinesa já suspendeu as negociações (circuit breaker) durante o pregão duas vezes diante das quedas de mais de 7% das ações. O crescimento mais lento, de 6,9% do país (às vezes fico feliz de ser brasileira, aqui nos contentamos com pouco e quando o país cresce 3% é motivo de fogos de artifício!), e a desvalorização excessiva do yuan criam dúvidas se a China poderá continuar com o posto de “indústria do mundo” por muito tempo.

A Rússia também está patinando. Com os preços do petróleo caindo e os conflitos da região, o PIB do país registrou queda de 3,7% em 2015. Já a Índia conseguiu crescer 7,3% no ano passado, mas com produção industrial caindo 3,2% no período. E a África do Sul cresce por volta de 1% ao ano, mas com desemprego de 25% e produção industrial de -1%.

Pra completar, o Financial Times constatou que o desemprego mundial vai crescer em 2016 principalmente pelo aumento de desocupados no Brasil, Rússia e China.

Ou seja, tudo voltou ao normal nas terras emergentes. Péssima notícia principalmente para nós brasileiros, que além de ter que lidar com o turbilhão de problemas internos, agora temos que enfrentar um dos nossos principais consumidores de matéria prima (a China) diminuindo o ritmo de compras.

O Banco Mundial divulgou esse gráfico evidenciando que os exportadores de commodities devem contribuir consideravelmente menos para o PIB mundial entre 2015-2018, ao passo que as economias desenvolvidas devem aumentar sua participação.

O mundo está mudando.

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