O que os franqueadores pensam do impeachment?

Empresários do franchising frustrados e em compasso de espera em relação à política

O que os franqueadores pensam do impeachment?

Nesta quinta-feira (14), estive no terceiro Congresso Internacional de Franchising, promovido pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), em São Paulo.

Com uma programação muito interessante, o evento reuniu vários presidentes das franquias mais importantes do Brasil – muitas com unidades fora do Brasil e outras  interessadas em buscar o mercado externo para tentar fugir da crise.

Mas o clima estava tenso. Um dos palestrantes, de um fundo de investimento, comentava perplexo: “Ninguém poderia imaginar um cenário assim, em 2013, quando começamos a investir nas empresas franqueadoras.” O sentimento de preocupação era generalizado, mesmo em um setor que costuma ser mais resiliente durante as crises.

Os franqueadores participaram das palestras, mas, como qualquer empreendedor sabe, os negócios rolam mesmo é nos intervalos, no papo do cafezinho. Eu, com meu radar sempre ligado, comecei a sintonizar. E, como em todo lugar, a possibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff estava entre os tópicos principais.

Mas quando eu, como jornalista, perguntava o que os empresários pensavam sobre o assunto, escutava a resposta: “sem comentários”. Ainda bem que existe o recurso do off (o que na linguagem jornalística quer dizer: eu falo, mas não coloque meu nome). Com isso, eles se sentiram livres para falar francamente e deixaram claro: o desejo é que a situação se resolva logo!

Um dos primeiros empreendedores com quem conversei, ligado ao setor de serviços, demonstrou ceticismo com relação a um novo cenário político. “Acho que o impeachment não muda nada, inclusive economicamente, porque o vice-presidente Michel Temer está tão envolvido quanto a presidente no escândalo. Não tem credibilidade para liderar. A única coisa que mudaria seria a realização de eleições gerais.”

Mas, na prática, os negócios esfriaram diante desse imbróglio político. O empresário me contou que tentava fazer uma parceria com outro empreendedor que se juntou a nós na conversa há três meses, sem sucesso. “Ele me pediu para esperar mais um pouco para ver o que vai acontecer no domingo (17, dia da votação da Câmara dos Deputados).”

Em outro cafezinho, conversei com um franqueador de um segmento diferente, que estava com os ânimos mais à flor da pele. “Para falar a verdade, acho mais importante o seguimento da operação Lava-Jato. Eu posso aguentar mais dois anos de crise, já passei por outras antes, mas gostaria de ver os corruptos na cadeia.”

Outro franqueado, do segmento de alimentação, foi o mais pragmático sobre o impeachment: “A saída da presidente é positiva, pois é como no mundo dos negócios: quando não está dando certo, é melhor mudar”.

Uma das minhas fontes dentro da ABF resumiu bem o clima do evento. “Os empresários estão muito frustrados e querem uma solução, independentemente de qual seja. Ninguém aguenta mais tanta indefinição.”

E você, o que acha?

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