Oi: uma resposta que não merece mais de um parágrafo

A Oi quebrou por conta da privatização? E se fosse pública, estaria saudável?

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Oi: uma resposta que não merece mais de um parágrafo

Então, quer dizer que há gente por aí culpando a “privataria tucana” pelo pedido de recuperação judicial da Oi? Teríamos uma única responsável pelo fracasso da supertele nacional: sua privatização, é isso?

Eu entro na Empiricus às 7h10. Deixo meu filho na escola às 7h e venho direto. Em plena madrugada, não há mais ninguém na rua além de mim. Da Paulista à Joaquim Floriano, gasto dez minutos. Normalmente, sou eu quem liga as luzes aqui e talz. A empresa parece aquelas cidades fantasmas, do tipo Resident Evil quando eu chego.

Mas hoje foi diferente. Quando entrei, a iluminação já havia sido acionada, alguns computadores estavam ligados. Parte da turma aqui tem rodízio às terças. Sobre a minha mesa já havia um post-it amarelo (na minha época chamava bilhetinho) escrito: “Felipão, escreve uma carta aberta pro cara explicando tudo que aconteceu, vai?”

Eu realmente não sabia se atendia ao pedido ou não. Tenho uma certa preguiça dessa gente. Acho um assunto tão lugar-comum e tão clichê que parece perda de tempo dedicar tempo relevante.

Então, ponderando o pedido da equipe e a preguiça macunaímica clássica, decidi resumir tudo num único parágrafo – o sujeito não merece mais do que isso: a Oi dos fundos de pensão, da mudança da Lei Geral de Outorgas para formação da supertele nacional, que foi controlada na prática pela Portugal Telecom sem que fosse disparado tag along aos minoritários (eu tentei publicamente apoiar a Tempo Capital à época), que sangrou com dividendos excessivos sugados pela Andrade Gutierrez (sim, ela mesma), que tem entre seus principais credores BNDES, BB e CEF, e, claro, a dona da famigerada antena em Atibaia, quebrou por conta da privatização? E se fosse pública estaria saudável, é isso? Tão saudável quanto à Petrobras, com seus R$ 500 bi de dívida, ou quanto à CEF, que espera ansiosamente por um aporte de capital, ou, ainda, quanto ao Banco do Brasil, que já quebrou várias vezes ao longo da história e hoje volta a ser o principal prejudicado pelo pedido de recuperação judicial da própria Oi?

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