Ações da Embraer voam com notícia de takeover da Boeing

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As ações da Embraer decolaram diante das notícias de que a norte-americana Boeing estaria em negociação para adquirir o controle da competidora brasileira, com um prêmio “relativamente grande” sobre seu valor de mercado – que, na abertura do pregão, estava na casa dos R$ 12,2 bilhões. Logo após o fechamento do mercado, a Embraer confirmou que as tratativas estão acontecendo, sem mencionar valores.

O interesse da Boeing é positivo para a Embraer, pois se trata de uma companhia relevante no setor e implica o aquecimento dos papéis. Para a Embraer, a entrada da estrangeira poderia agregar escala, reduzir custo de capital, fortalecer P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e quebrar algumas barreiras de mercado.

A transação faria sentido para a Boeing, no que tange o fortalecimento de seu segmento de jatos regionais. Ao mesmo tempo, a companhia teria mais força para brigar com a europeia Airbus, que recentemente comprou uma fatia majoritária dos C Series da canadense Bombardier – principal concorrente da Embraer no segmento de jatos comerciais de até 150 assentos.

Ao analisar as chances das tratativas se transformarem em um anúncio concreto, cabe destacar a existência da “golden share” do governo, que é uma ação de classe especial que confere à União poder de veto em eventuais ofertas de compra de controle. Portanto, considerando que a Embraer é vista como a joia da coroa da indústria brasileira, a concretização do negócio é bastante incerta e poderá passar por um processo bastante complexo, em nossa visão.

Supondo um cenário em que o governo brasileiro trave a negociação e analisando o modelo de negócio da Boeing, enxergamos que uma alternativa que faria sentido seria a formação uma joint venture no segmento de jatos comerciais sem transferência de controle. Em nossa percepção, esse modelo de negócio seria estratégico tanto para a Boeing, quanto para a Embraer – que ganharia musculatura para ajuda-la a atravessar o período de transição que vem à frente com os custos mais altos com a entrada em operação dos jatos da nova geração.

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