Fipe propõe novo modelo previdenciário para trabalhadores jovens

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Um novo modelo previdenciário para trabalhadores jovens é o que propõe Hélio Zylberstajn, pesquisador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), para resolver o déficit da Previdência que em 2016 foi de PIB negativo de 4,9%. “A conta já não fecha e a tendência é piorar, pois em 2060 devemos ter poucos jovens para sustentar muitos idosos”, afirmou Zylberstajn durante o fórum de lançamento do Codemec.

O novo modelo previdenciário funcionaria da seguinte maneira. Primeiro, se escolhe um ano base, como por exemplo, o ano de 2000 e todos os nascidos deste ano para frente será encaixado nas mudanças. “A reforma da previdência precisa ser feita para frente e não somente para trás. Assim não mexemos com quem já está em algum sistema hoje”, explica o pesquisador da Fipe.

Após escolher o ano base, todos as aposentadorias seriam construídas em cinco pilares: universalidade (atinge todos os setores – público, privado e militares), equidade, equilíbrio, eficiência (hoje a alíquota de contribuição são grandes e inibe o emprego formal e incentiva a informalidade) e simplicidade.

Outra característica seria a criação da renda básica do idoso. “Não é aposentadoria, mas transferência de renda para todos, de uns R$ 500, por exemplo”, destaca Zylberstajn. Também haveria o beneficio contributivo por repartição com valor máximo de R$ 1,5 mil que se somaria aos R$ 500 da renda básica do idoso. Ou seja, não haveria piso, como há hoje.

Outra mudança proposta seria o beneficio contributivo, transformando o FGTS em contribuição previdência e seguro-desemprego. As pessoas continuariam a depositando os 8% dos salários no FGTS, mas ao invés de terem essas contas vinculadas à empresa seria ao CPF do trabalhador. “Assim, o seguro desemprego passa a ser autofinanciado e criamos uma poupança de longo prazo e só se mexe nesse dinheiro na hora da aposentadoria. Porque hoje o sistema incentiva a rotatividade e a sacar o FGTS”, argumenta.

Para conseguir isso, Zylberstajn fala que são necessários três atos: fazer a reforma para trás, que é exatamente o que o governo do Michel Temer vem tentando aprovar no Congresso; garantir a transição; e somente aí criar a nova previdência.

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