Atenção investidores: 2017 será o ano do retorno das aberturas de capital à bolsa

O analista Bruce Barbosa fala sobre o retornos dos IPOs em 2017.
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Ciclo viria naturalmente na esteira da melhora da economia. Para os investidores, são vários aspectos a avaliar antes de apostar nas novatas. A Gazeta do Povo reuniu algumas dicas

Fabiane Ziolla Menezes [16/02/2017] [22h00]

Neste mês de fevereiro, a Movida, empresa de aluguel de veículos, estreou na BM&FBovespa. A primeira oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de 2017 quase ocorreu junto com a de uma concorrente, a Unidas, e sob a sombra de uma terceira competidora que tem feito bem a sua lição de casa, a Localiza. Apesar da queda na estreia – as ações da Movida passaram de R$ 7,50 para R$ 7,11 –, a empresa movimentou um total de R$ 645,17 milhões. “A união de duas ofertas e a desconfiança com a competição no setor deixou os investidores receosos [a Unidas cancelou, em cima da hora, a oferta de ações prevista para o último dia 10 de fevereiro]. Muita gente simplesmente não gosta desse setor e pode ter achado as ações caras”, arrisca o analista da Empiricus Research, Bruce Barbosa. Mais do que isso, ele e outros analistas ligados a bancos e corretoras não falam porque é preciso respeitar o período de silêncio (previsto antes e depois da oferta de ações por instruções normativas da Bovespa que exigem cuidado com o que é divulgado para não instigar o público a investir no IPO).

Com certo otimismo, porém, os analistas e o próprio o diretor presidente da Bovespa, Edemir Pinto, insistem que 2017 é mesmo o ano em que as empresas voltarão a olhar a abertura de capital na bolsa com bons olhos. Segundo Barbosa, a bolsa sempre reflete a antecipação do que o mercado em geral está pensando sobre a economia brasileira. “Estamos vendo o mercado olhando para o segundo semestre de 2017 e [também para] 2018, quando teremos juros menores, a economia voltando a crescer e as empresas voltando a investir”, explica ele. “Em 2016, a bolsa subiu olhando [para] uma menor probabilidade de o Brasil quebrar. Este ano, estamos olhando a possível melhora da economia”, resume Barbosa.

O analista da Clear, corretora do Grupo XP, Raphael Figueredo, diz que é “um ciclo natural”. “O fato é que é o empresário, o controlador, que está na linha de frente da economia real. Ele é quem tem nas mãos as informações e os estudos para entender o que pela frente. E aí um pequeno sinal de melhora [com inflação e taxa de juros em queda] combinado a algumas sinalizações do Planalto, como a aprovação da PEC do Teto e da colocação das reformas em pauta, faz com que esse empresário volte a procurar a bolsa, e não um banco, para financiar a sua empresa”. “Acredito, inclusive, que é um ciclo natural que trará o investidor pessoa física de volta para a bolsa. É claro que quando digo isso, eu que vivi o período de boom entre 2006 e 2008, estou olhando para frente, de agora para uns cinco anos. Mas sou bastante otimista em relação a isso”, explica Figueredo.

Não há um setor específico que concentre essa possível oferta de ações em 2017. Mas há, como já era esperado, fundos de private equity (que investem em empresas já consolidadas como forma de prepará-las para a abertura de capital na bolsa) que chegaram no momento certo para de sair de cena, ou seja, vender suas participações e terem um retorno do investimento feito. Esse é o caso da Unidas, que tem 45% de suas ações nas mãos dos fundos Kinea, Gavea e Vinci.

No último dia 14, a empresa de medicina diagnóstica Hermes Pardini também estreou na bolsa, com mais sucesso que a Movida. A empresa movimentou R$ 213,5 milhões e fechou o dia com alta de 8,95%, com ações cotadas a R$ 20,70. O objetivo da empresa é usar os recursos obtidos para expandir o negócio, via aquisições ou abertura de novas unidades.

Não há um setor específico que concentre essa possível oferta de ações em 2017. Mas há, como já era esperado, fundos de private equity (que investem em empresas já consolidadas como forma de prepará-las para a abertura de capital na bolsa) que chegaram no momento certo para de sair de cena, ou seja, vender suas participações e terem um retorno do investimento feito. Esse é o caso da Unidas, que tem 45% de suas ações nas mãos dos fundos Kinea, Gavea e Vinci.

No último dia 14, a empresa de medicina diagnóstica Hermes Pardini também estreou na bolsa, com mais sucesso que a Movida. A empresa movimentou R$ 213,5 milhões e fechou o dia com alta de 8,95%, com ações cotadas a R$ 20,70. O objetivo da empresa é usar os recursos obtidos para expandir o negócio, via aquisições ou abertura de novas unidades.

Aos investidores: cada caso é um caso

Além das empresas já mencionadas, Carrefour e Caixa Seguridade, instituto de seguros da Caixa Econômica Federal, Azul e Lojas Americanas também estão entre as cotadas para fazer IPO em 2017. os analistas, não há fórmula mágica para avaliar as empresas estreantes na bolsa. “É complicado criar um guia para algo complexo como analisar uma empresa. (…) E sempre existe algo diferente em cada situação que merece análise específica. É aqui que pode morar o perigo em uma oferta”, observa Barbosa.

Um bom sinal para o investidor, segundo Figueredo, é quando a empresa se inscreve na listagem de Novo Mercado na bolsa – categoria em que a Hermes Pardini entrou, por exemplo. “Quando a empresa entra querendo participam da listagem de novo mercado, significa que ela, voluntariamente, está assumindo que terá um nível maior de governança corporativa, isso significa que haverá, por exemplo, mais transparência, em comparação com uma empresa de Nível 2, que não tem esse compromisso maior.”

Ainda que cada caso seja um caso, a reportagem montou algumas dicas para dar uma ideia do que o investidor precisa avaliar antes de apostar em algumas empresas novatas na bolsa. Confira:

Fonte: Gazeta do Povo

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