Bovespa atinge menor pontuação em seis meses com expansão dos EUA

Depois de passar boa parte do dia próximo à estabilidade, com investidores avaliando o corte em US$ 10 bilhões no estímulo mensal do banco central americano à economia dos EUA, o principal índice da Bolsa brasileira firmou queda no final da tarde e fechou em seu menor nível em seis meses.

“A queda está relacionada a diversos fatores, como o desempenho ruim da indústria chinesa, dados mistos americanos e resultados de companhias brasileiras”, diz Roberto Altenhofen, analista da Empiricus Research.

Ao vivo: acompanhe o mercado financeiro no liveblog do Folhainvest

O Ibovespa cedeu 0,66%, para 47.244 pontos. É o menor nível do índice desde 16 de julho do ano passado, quando ficou em 46.869 pontos.

No câmbio, depois de sete altas seguidas, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, passou hoje por um ajuste. A moeda teve desvalorização de 0,94%, a R$ 2,412 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedeu 0,90%, a R$ 2,415.

A economia americana cresceu 3,2% no último trimestre do ano passado, dentro das expectativas do mercado. O resultado saiu um dia depois de o Fed (banco central dos EUA) ter ignorado as tensões nos mercados emergentes e anunciado que seguirá com os cortes em seu programa de estímulos, o que reduz o volume de recursos disponíveis para investimento em outros países, como o Brasil.

“O crescimento americano provocou reação positiva nas Bolsas dos EUA, mas o efeito ruim aqui no Brasil, pois indica que os EUA seguirão retirando estímulo”, avalia Altenhofen. As vendas
pendentes de moradias americanas caíram 8,7% em dezembro, o que colaborou para a perda da nossa Bolsa.

Na China, principal parceiro comercial do Brasil, o PMI (Índice dos Gerentes de Compras, na sigla em inglês) final para a indústria, medido pelo Markit/HSBC, atingiu seu menor valor em seis meses em janeiro.

O resultado ajudou a ação mais negociada da mineradora Vale, que representa mais de 8% do Ibovespa, a cair 0,67% no dia. A China é o principal destino do minério de ferro produzido pela Vale.

As ações do Bradesco, que subiram pela manhã, fecharam em queda de 0,62%. A instituição financeira divulgou que fechou 2013 com lucro líquido de R$ 12,011 bilhões, crescimento de 5,5% em relação ao ganho do ano anterior.

Em linha, o Santander Brasil viu seus papéis caírem 2,65%. O banco divulgou queda de 9,7% no lucro líquido de 2013 em relação ao ano anterior, para R$ 5,744 bilhões.

“Nenhum dos dois resultados (Bradesco e Santander) foi bom. Classifico ambos como ‘não-evento’ aos bancos, pois os números ficaram bem parecidos com aqueles do trimestre anterior. No ano, as cifras não surpreenderam. Para o Bradesco, foi menos pior, porque ele tem um nível operacional muito mais desenvolvido que o Santander”, diz Altenhofen.

A produtora de celulose Fibria ficou entre as maiores quedas do Ibovespa, com perda de 3,35%. A empresa divulgou prejuízo líquido de R$ 185 milhões no quarto trimestre, pressionado por efeito da variação cambial sobre a dívida líquida e por aumento de despesas com imposto de renda.

“Mesmo com prejuízo, a Fibria teve um resultado operacional forte, com incremento de receitas e ganho de margem”, completa o analista da Empiricus.

CÂMBIO

O Banco Central do Brasil deu continuidade hoje ao seu programa de intervenções no mercado de câmbio, promovendo um leilão de 4.000 contratos de swap (equivalentes à venda futura de dólares), por R$ 197,9 milhões.

Fonte: Folha de S. Paulo

Conteúdo relacionado