Fatia de renda fixa aplicada no Brasil cai a menor nível

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A parcela de recursos que investidores de mercados emergentes destinaram ao Brasil atingiu seu menor nível no ano passado.

Pela primeira vez desde, pelo menos, 2002, o mercado brasileiro atraiu menos de 10% do total de recursos de fundos dedicados a aplicações de renda fixa em países emergentes.

De forma geral, esses fundos tiveram mais saques do que investimentos. A saída líquida nos países emergentes como um todo somou US$ 19,5 bilhões em 2013.

Os dados são da consultoria EPFR (Emerging Portfolio Fund Research).

Em meio a esse movimento de realocação, alguns emergentes sofreram mais do que outros. O encolhimento da fatia de recursos aplicados em ativos de renda fixa no Brasil revela que o país está nesse grupo.

Segundo Ian Wilson, diretor global da EPFR, China, Índia, Tailândia, Hungria e Rússia ganharam espaço nas carteiras de renda fixa dos fundos de emergentes dedicados a esse tipo de aplicação.

AÇÕES EM ALTA

Os fundos focados em ações de países emergentes –ao contrário dos dedicados à renda fixa– registraram mais entradas do que saques em 2013. O saldo foi positivo em US$ 14 bilhões.

O Brasil, no entanto, também perdeu espaço para outras nações nesse tipo de aplicação. A fatia desses fundos investida no país caiu para 11,7% contra 13,8% em 2012.

De acordo com Wilson, no caso dos fundos de ações, China, Índia e México foram os que mais ganharam com a menor exposição ao Brasil.

Para André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, o Brasil está mais preparado para lidar com o cenário externo adverso do que alguns outros mercados emergentes.

Ele cita o fato de que o colchão de reservas do país é suficiente para cobrir 18 meses de importações. A relação entre esses dois indicadores é considerada uma medida de solvência externa.

RISCO

Mas Perfeito ressalta que o ponto fraco do Brasil é a desconfiança do mercado em relação ao governo.

“É muito forte no mercado que vamos perder um grau em nossa nota soberana”.

Roberto Altenhofen, analista da Empiricus Research, bate na mesma tecla:

“O Brasil tem um agravante: o medo da ingerência política. As contas públicas estão muito ruins e a perda do rating [rebaixamento da nota soberana] é iminente”.

A grande aproximação do Brasil com a China –hoje, principal parceiro comercial do país– na última década também é vista por alguns economistas como desvantagem no contexto atual.

Michael Shaoul, presidente da administradora de recursos americana Marketfield, acredita que, no longo prazo, a proximidade com os EUA é mais benéfica.

“Os EUA representam uma relação de longo prazo em termos de comércio muito melhor do que a China”, diz.

“O México, por exemplo, continua a fazer muitos negócios com os EUA e agora vai se beneficiar do que está acontecendo lá”.

Um amplo conjunto de reformas que vêm sendo aprovadas –como maior flexibilidade no mercado trabalhista e abertura do setor de energia– é outra causa para o otimismo com o México.

Isso tem contribuído para que o país atraia recursos antes destinados ao Brasil, que vive um período de paralisia em termos de reformas.

“Os EUA representam uma relação de longo termo em termos de comércio muito melhor do que a China. O México continua a fazer muitos negócios com os EUA e vai se beneficiar do que está acontecendo lá”

Michael Shaoul
Presidente da administradora de recursos americana Marketfield

Fonte: Folha de S. Paulo

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