Petrobras fecha em baixa de 5% após rebaixamento; dólar sobe para R$ 2,87

As ações da Petrobras caíram 5% e fizeram a Bolsa fechar levemente em baixa nesta quarta-feira (25), um dia após a agência de classificação de risco Moody’s rebaixar a nota de crédito da estatal. O aumento da aversão ao risco fez com que o dólar voltasse a R$ 2,87, patamar em que estava antes do discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), na terça.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou com queda de 0,12%, a 51.811 pontos. Das 68 ações negociadas, 46 subiram, 21 caíram e uma fechou estável no pregão. O volume financeiro negociado foi de R$ 8,8 bilhões, acima do giro médio diário no ano, que é de R$ 6,64 bilhões, até o dia 24.

As ações da Petrobras chegaram a cair mais de 8% no início dos negócios, mas reduziram as perdas ao longo do pregão. Os papéis preferenciais, mais negociados e sem direito a voto, fecharam com queda de 4,87%, a R$ 9,38. As ações ordinárias, com direito a voto, tiveram desvalorização de 4,52%, para R$ 9,30. Ambos os papéis lideraram as baixas do Ibovespa no pregão.

A empresa perdeu o grau de investimento, espécie de selo de local seguro para investir, da agência de classificação de riscos Moody’s, considerada uma das mais austeras em suas avaliações.

O motivo foi a crescente dificuldade de a empresa conseguir publicar o balanço auditado, levantar dinheiro no mercado de capitais e o impacto que isso terá em seu caixa nas próximas semanas.

O rebaixamento, que ocorre duas semanas após a troca no comando da estatal, terá como consequência a saída de investidores, como fundos de pensão e de investimento, que não podem colocar dinheiro em ações e dívidas de empresas consideradas de alto risco de calote, como é agora a Petrobras.

Sem balanço auditado, a estatal não conseguia levantar recursos no mercado de capitais. A mudança deve tornar ainda mais caro o financiamento da companhia. Também deverá impactar os custos de financiamento de toda a cadeia de óleo e gás, que tem na Petrobras a principal intermediadora junto aos bancos e ao mercado financeiro. Pelo menos R$ 9 bilhões em papéis de fornecedores da Petrobras estão nos fundos de investimento brasileiros.

“O rebaixamento não me pegou de surpresa. Há um estrangulamento da estrutura de capital da empresa que vai além de recuperação de credibilidade ou do anúncio de nova diretoria”, afirma Roberto Altenhofen, analista da Empiricus Research.

CAPITALIZAÇÃO

Com o rebaixamento, a empresa terá dificuldades para implementar seu plano de negócios, avalia Altenhofen. “Há fundos que não podem investir em empresas com grau especulativo, o que significa o encarecimento do custo da dívida da empresa. Ela teria que vir até o mercado para captar, mas não consegue por não ter o balanço auditado”, ressalta o analista.

Entre as possibilidades que restariam estão a emissão de ações ou uma capitalização pelo governo. Para Roberto Indech, analista da corretora Rico, a dúvida agora, afirma Indech, é se o governo vai capitalizar ou não a empresa neste ano e como se daria essa capitalização. “A Petrobras vai ter dificuldade em encontrar financiamento mais barato, então o custo de sua dívida sobe mais ainda para manter os investimentos”, afirma.

Porém, um eventual socorro à empresa poderia comprometer o esforço para o ajuste fiscal. “O socorro não seriam poucos bilhões. O sentimento principal é de espraiamento do risco, o que afeta outras estatais, como o Banco do Brasil, além do próprio governo”, afirma Altenhofen, da Empiricus Research.

As ações do Banco do Brasil fecharam em baixa de 2,11%, a R$ 23,15. Em comparação, os papéis do Itaú Unibanco subiram 0,25%, a R$ 36,71, e os do Bradesco fecharam em alta de 0,56%, a R$ 37,99.

Para Henrique Florentino, analista da UM Investimentos, pesa também a possibilidade de novos rebaixamentos por agências de classificação de risco como Fitch e S&P. “Quanto menor o rating da Petrobras, maior o prêmio que o investidor vai exigir para investir no papel da empresa”, diz.

Ainda no Ibovespa, as ações da Estácio lideraram as altas do índice, após subirem 5,39%, a R$ 22,50, ainda sob rescaldo das mudanças no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

CÂMBIO

O aumento da aversão ao risco provocado pelo rebaixamento da Petrobras fez com que o dólar praticamente voltasse ao patamar em que estava antes do discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, ao Senado americano, na terça-feira.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 1,56%, a R$ 2,877. O dólar comercial, usado no comércio exterior, fechou com alta de 1,23%, a R$ 2,869.

“O dólar reflete a piora da percepção do risco em relação ao Brasil e a possibilidade de um rebaixamento da nota do próprio país pelas agências de classificação de risco”, avalia Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

Lá fora, as principais moedas emergentes caíram em relação ao dólar, na contramão do real. Das 24 principais moedas emergentes, 17 se valorizaram em relação à divisa americana.

Nesta quarta-feira Yellen voltou a discursar, desta vez na Câmara americana, mas o teor de seu pronunciamento não teve grandes mudanças em relação ao de terça-feira, afirma Pereira.

Nesta manhã, o BC brasileiro deu sequência a suas atuações diárias e vendeu a oferta total de até 2.000 contratos de swap cambial (que equivalem à venda de dólares no mercado futuro). Foram vendidos 500 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.500 para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 97,9 milhões.

O BC também vendeu a oferta integral de até 13.000 contratos de swap para rolagem dos contratos que vencem em 2 de março, equivalentes a US$ 10,438 bilhões. Ao todo, a autoridade monetária já rolou cerca de 91% do lote total.

Fonte: Folha de S. Paulo

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