Por que a Copa pode ser um gol contra para a Bovespa

São Paulo – O diretor-presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, já indicou o que a Copa do Mundo e o período eleitoral trazem para a Bolsa em 2014: apenas feriados. Enquanto a Copa do Mundo não chega, os torcedores podem acompanhar as projeções para o ano – que apontam para uma recuperação econômica global ganhando força, mas com crescimento econômico “sem brilho” para o Brasil nos próximos anos. Como fica a Bovespa nesse cenário?

Para o analista da Empiricus Roberto Altenhofen, como o evento está marcado há muito tempo, o mercado já vem embutindo suas perspectivas sobre algumas ações – de empresas que vendem bebidas, por exemplo. Um relatório do Credit Suisse de junho de 2013 já indicava as ações que poderiam se beneficiar diretamente e indiretamente.

Mas, para Altenhofen , em linhas gerais, o impacto da Copa é mais negativo que positivo. “Embora tenha algum beneficio pontual em algumas ações, haverá menos dias úteis”, afirmou.

As ações não oscilariam no momento do evento, segundo Altenhofen, a influência viria mais em decorrência do impacto da Copa nos resultados do segundo e terceiro trimestres.

Zona Cinzenta

Altenhofen coloca alguns papéis no que ele chama de “zona cinzenta”: podem ser beneficiados, mas há muitas incertezas. Neste grupo, estariam ações de companhias aéreas, por exemplo, que ganham muito com o fluxo de turismo do evento, mas, possivelmente, perderão no fluxo corporativo.

“Penso que foi depositada uma expectativa que pode ser frustrada”, afirmou. Os hotéis também tem o risco de sentir a perda do fluxo corporativo, apesar dos turistas. Altenhofen citou o papel do Brazil Hospitality Group (BHGR3), que tem queda de 8% no ano.

A rede hoteleira BHG, que comprou o hotel Marina Palace, no Rio de Janeiro, já afirmou acreditar que o maior benefício da Copa do Mundo virá depois do evento. No começo do ano, o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo, afirmou à Reuters que, na África do Sul, o efeito da Copa foi sentido um ano depois.

Para o Credit Suisse, o impacto da Copa do Mundo na Guararapes (GUAR4) é incerto – o evento será um dos desafios para a companhia no ano, segundo relatório do banco de fevereiro.

Perde-ganha

Algumas companhias perdem em um lado e ganham no outro. Neste grupo, Altenhofen citou a Log-In (LOGN3), que pode perder com os feriados – que diminuiriam a produtividade industrial – mas ganhar com o transporte de bebidas e eletrônicos.

“Ganhadoras”

O grupo das “ganhadoras” reúne empresas em que as expectativas de aumento de vendas já estariam precificadas, segundo Altenhofen, como é o caso da Ambev (ABEV3), pelo aumento da venda de bebidas, e também de Alpargatas (ALPA4), Grendene (GRND3) e Marcopolo (POMO4).

Alpargatas e Grendene – vistas pelo Credit Suisse como ações que se beneficiariam diretamente do evento – podem se beneficiar do aumento de consumo de produtos nacionais enquanto a Marcopolo, da produção de ônibus para delegações e pelos investimentos em mobilidade urbana que já foram feitos.

No entanto, para o analista, a projeção desses efeitos também estaria incorporada às cotações e ainda não se sabe se elas irão corresponder à altura da expectativa.

“Azaronas”

Altenhofen cita alguns papéis que também poderiam se beneficiar, como a CVC (CVCB3), que poderia ganhar impacto no fluxo, e a Minerva (BEEF3), em um efeito parecido com o da Ambev. “A Minerva ganhou um estímulo marginal na Copa das Confederações com os churrascos”, afirmou. A Localiza (RENT3), com o aluguel de carros, também poderia surpreender – para o Credit, ela se beneficiaria diretamente.

Há empresas que, parecem apostas óbvias de benefícios com a Copa do Mundo, mas que podem frustrar, segundo Altenhofen, como a Cielo (CIEL3). Em sua teleconferência sobre o balanço de 2013, a empresa comentou que os resultados da companhia podem ser adversamente afetados por menor movimento no comércio devido à Copa do Mundo no país.

De acordo com o presidente-executivo da Cielo, Rômulo Dias, se a seleção brasileira for à final do evento, isso possivelmente implicará em quatro dias de ponto facultativo no país – o que pode ter efeito negativo superior ao da vinda de estrangeiros ao país, segundo o executivo.

Fonte: Exame

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