Situação é ruim, mas pode ser revertida em 2015, diz Giannetti

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SÃO PAULO  –  Para o economista Eduardo Giannetti, um mix de ambiente externo desfavorável, má condução da política econômica e deterioração das expectativas colocam o Brasil em um momento difícil, em que a economia cresce pouco e a inflação, muito. Não se trata, no entanto, de uma situação alarmante. A reorganização das políticas públicas, com retomada da austeridade fiscal e monetária, podem reverter essa situação.

“O quadro brasileiro se deteriorou nos últimos anos, está passando por uma reversão tremenda das expectativas e hoje chegamos ao limite extremos: estagflação. A inflação está no teto e a média do crescimento do governo Dilma deve ser de 1,8% ao ano – comparável apenas às de Collor e Floriano Peixoto”, disse o economista, que participa nesta segunda-feira de fórum da consultoria independente Empiricus, em São Paulo. “A situação é ruim, mas não é desesperadora. E pode ser revertida em 2015”, disse ele, que integra a equipe econômica da campanha presidencial do PSB, partido do candidato Eduardo Campos, morto na semana passada. 

Para embasar sua opinião, Giannetti citou exemplo anteriores de reversão rápida de quadro ruins na economia, caso, em sua opinião, de 1999, quando o governo Fernando Henrique Cardoso respondeu à crise cambial com a implantação do regime de metas e, em 2003, quando o presidente Lula recém-eleito fortaleceu a continuidade de uma política de reformas e reverteu o mau humor que sua eleição havia causado no mercado. Nos dois casos, “um ano depois a economia já crescia punjantemente”, segundo Giannetti. “Boa parte dos nossos problemas é totalmente administrável.”

Em sua análise, além do momento adverso externo, há dois principais fatores internos que botaram o Brasil no momento atual. Um é estrutural e diz respeito ao peso social dado à agenda brasileira com a Constituição de 1988, uma das razões que impulsionaram o crescimento dos gastos públicos. “A verdade é que o Estado brasileiro não cabe no PIB e isso demanda um diálogo longo, com a sociedade, o Congresso Nacional, e de longo prazo.” O outro é conjuntural, e passa por erros na condução econômica desde o fim do segundo mandato de Lula, com descontrole dos gastos e pouca transparência. “Se o governo não controla os gastos, há três consequências possíveis: mais carga tributária, mais dívida ou mais inflação. Será este o dilema do próximo presidente.”

Fonte: Valor Econômico

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