COE é renda fixa?

O COE é uma operação estruturada que usa a rentabilidade da renda fixa. Leia aqui para entender mais e saber como investir nesse ativo

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COE é renda fixa?

Hoje escolhi falar sobre o Certificado de Operações Estruturadas (COE), que gera muitas dúvidas, mas, ao mesmo tempo, muito interesse por parte dos assinantes.

Um assinante pediu para eu abordar esse assunto na nossa newsletter, e eu já tinha escrito sobre os COEs para meus leitores do Empiricus Renda Fixa, que gostaram bastante do conteúdo, diga-se de passagem. Então, decidi compartilhar com vocês os principais pontos discutidos, pois acredito que o interesse é também de todos aqui.

Recebo uma série de perguntas sobre se o COE X vale a pena, se o Y é uma boa oportunidade… Todas essas perguntas partem do pressuposto de que o COE é um produto de renda fixa e, portanto, deveria ser analisado por mim.

Mas isso não é inteiramente verdade, e aqui explicarei com mais detalhes por quê.

Oficialmente, o COE é considerado um produto de renda fixa, pois, para o banco emissor, ele funciona como um instrumento de captação de recursos, como o CDB, a LCI e a LCA. Ou seja, o banco capta esses recursos e os utiliza para novos empréstimos.

Mas, para o investidor, o COE não é um CDB, pois o retorno dele não é definido antecipadamente. Ele não rende 105% do CDI — nem 10% —, como alguns CDBs que encontramos nos bancos. O retorno dependerá do resultado de uma APOSTA que aquele COE específico vai se propor a fazer.

Por exemplo, saiu há um tempo o COE da Apple. Nele, você recebia ao fim do período do empréstimo o seu dinheiro investido mais a performance da ação da Apple. Se a Apple ficasse parada, você acabaria recebendo apenas o dinheiro investido, sem nenhuma rentabilidade adicional. Se subisse, você receberia esse retorno até um teto escolhido.

Mas como os bancos fazem para proporcionar esse “capital protegido” mais um possível ganho?

Em 90% dos casos, o que estará embutido no COE serão opções somadas à renda fixa.

Imagine que você quer investir 100 reais em um COE da Apple com vencimento para daqui a um ano. Ao fim desse período, ele terá que lhe devolver, no mínimo, seus 100 reais. Para isso acontecer, dá-se o seguinte: uma parte do valor compra call (opção de compra) de Apple, e o restante é alocado em renda fixa.

Digamos que os juros de uma LTN seja de 11,11% no ano. Então, o banco que estrutura o COE investe 90 reais nela e, depois desse período, sabe que terá os mesmos 100 reais e poderá devolver para você o seu capital investido. Com os 10 reais que sobraram, ele compra a call de Apple e, se ela subir 10%, você ganha 5% desse rendimento.

Assim, no vencimento, você terá obrigatoriamente seus 100 reais investidos de volta — por conta da valorização da LTN — mais a rentabilidade da opção da Apple.

“Nossa, Marília, eu não sabia que tinha opções dentro de um produto de renda fixa!”

Pois é, meu caro, mas tem.

Agora eu te pergunto: se o banco vai pegar o seu dinheiro, investir uma parte dele em renda fixa e vai utilizar o resto para fazer uma aposta qualquer (certamente cobrando também suas taxas e spreads no meio do caminho), não seria muito melhor se você mesmo escolhesse a aposta que quer realizar?

Não seria melhor então comprar uma opção ou investir em uma aposta na qual você realmente tem muita convicção e acha que tem alta probabilidade de acontecer?

O Bruce Barbosa faz exatamente isso na série Gamma Trader. Investe apenas em opções. Fica a dica para você refletir e fazer suas próprias escolhas.

É claro que deve haver COEs com excelentes apostas. Mas certamente não são todos —diria que é a minoria.

Mas lembre-se: o COE é uma operação estruturada que usa a rentabilidade da renda fixa para garantir seu capital principal e mais uma estrutura (geralmente com opções) para fazer uma aposta qualquer. E isso não é renda fixa nem aqui nem na China!

Sem contar que você corre o risco de calote do banco emissor. Como usa seus recursos em empréstimos, se ele quebrar, não te devolverá o montante principal.

Vale notar também que o COE não é protegido pelo FGC. Ou seja, se o banco não pagar, abraço!

Por fim, a tributação do COE segue a tabela regressiva do IR para renda fixa.

Bom, agora você já sabe. Quando um COE for oferecido a você, pergunte ao seu gerente qual é a APOSTA que ele está fazendo. Depois disso, pergunte a você mesmo: eu quero realmente fazer essa aposta? Por último, analise o banco emissor e tenha certeza de que ele é seguro.

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