Lutar a batalha errada

Culpar o capitalismo é lutar a batalha errada. Se concordarmos que os gastos são relevantes, mas malfeitos, vamos mirar a nossa bazuca para os gestores, e não para o “sistema opressor”.

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Lutar a batalha errada

Em 280 a.C., a Batalha de Heracleia deu início à Guerra Pírrica. As forças gregas, comandadas por Pirro, tentavam conter o avanço romano.

A vitória grega foi conquistada a duras penas, com perdas enormes no seu exército.

A baixa foi tamanha que, no fim das contas, os gregos perderam a guerra. Foi daí que surgiram expressões como “ganhou a batalha, mas perdeu a guerra” e “vitória de Pirro”.

Assim como Pirro, o Brasil vem há anos “torrando” todos os seus recursos em batalhas erradas.

Aumentamos nossos gastos em todos os setores, imaginando que assim seríamos um país melhor. Desde 1995, apresentamos crescimento dos gastos públicos. E, desde então, experimentamos seguidos aumentos de impostos.

E aí… estamos melhores?

Um país melhor poderia ser definido como uma nação com forte crescimento, igualdade de oportunidades, investimento no futuro e em qualidade de vida.

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Em 2015 e 2016, sofremos com a maior crise da história brasileira e regredimos anos e anos na nossa história de Ordem e Progresso.

O grande problema é que a massa (que acaba decidindo uma eleição) forma sua opinião sobre o que gera crescimento econômico por meio do que os meios de comunicação mostram, e esses são constituídos basicamente por jornalistas e artistas que carregam pouco — ou nenhum — conhecimento sobre economia.

Claro, existem alguns jornalistas com formação em Economia que realmente fazem um trabalho diferenciado. Mas dá para contar nos dedos de uma mão.

O resto, juntamente com os artistas, forma uma classe iluminada de falsos conhecedores, que nada mais reproduz do que a sua mera opinião.

Não há nada de errado em cada um ter a sua posição, desde que ela seja reproduzida com responsabilidade condizente.

Os jornalistas tanto sabem disso que criticam muito as “fake news” e o bullying cibernético, exatamente pelo “poder de destruição em massa” e irresponsabilidades que estes podem acarretar.

Acho muito engraçado quando jornalistas e artistas falam de assuntos relacionados à área da saúde. Eles têm o maior cuidado em dizer: “Mas essa é a minha opinião. Para saber o que fazer, procure o seu médico”.

Quando uma emissora busca um comentarista de futebol, eles chamam um ex-jogador ou um técnico. Todo mundo tem sua opinião sobre a escalação de um time e a solução para que ele seja campeão. Mesmo assim, não chamam o galã da novela para comentar o jogo, não é mesmo?

Mas, quando o assunto é economia, isso não acontece. Chamam ator de novela para falar de reforma da Previdência. Jornalista sem formação na área para opinar sobre um programa liberal de um novo candidato…

Isso é lutar a batalha errada. É ter o falso diagnóstico do real problema social, chegar a conclusões e soluções equivocadas e, apesar de todos os dados em contrário, dar a sua vida por algo que não vai melhorar em nada a situação do povo.

O Brasil está há séculos lutando a batalha errada. Rodamos no mesmo lugar, contradizemos a história e repetimos os mesmos erros esperando por resultados diferentes.

Por exemplo, quantas vezes você já ouviu o apresentador (ou apresentadora) do jornal dizer que no Brasil se gasta pouco com educação?

Isso é verdade?

Não!!!

Você sabia que gastamos com educação, em percentual do PIB, a mesma coisa que se gasta na França? E que gastamos mais que Portugal, Austrália, Canadá e Estados Unidos? Esses são dados do Banco Mundial, de antes da crise.

O problema não é gastar mais! É gastar direito.

Pressionar por aumento de gastos em educação é a mesma coisa que dobrar o orçamento de marketing de uma empresa que vende gelo no Alasca, com o intuito de aumentar as vendas.

Não vai funcionar!

E jamais esqueça: o Estado não é um gerador de riquezas! Ele financia os próprios gastos a partir do recolhimento de impostos. Pressionar por aumento de gastos é a mesma coisa que pressionar por aumento de impostos — seja agora, seja no futuro.

Antes de pedir para o Estado dar mais para você, pense se você também está disposto a dar mais para o Estado.

Ou você (ainda) acha que recurso público dá em árvore?

É preciso ter um bom diagnóstico do problema para encontrar uma solução efetiva.

Se concordarmos que os gastos são relevantes, mas malfeitos, vamos mirar a nossa bazuca para os gestores, e não para o “sistema opressor”.

Culpar o capitalismo é lutar a batalha errada.

A diferença entre capitalistas e socialistas não é a beleza de seus corações, e sim em que eles acreditam que vai gerar um país melhor.

O comunismo falhou em 9 de cada 10 países em que foi implementado — para não dizer nos 10. O capitalismo continua aí, com todas as suas imperfeições, mas seguindo com sua superioridade.

Graças à História, não precisamos reinventar a roda, nem repetir erros. Não precisamos de mais intervencionismo, nacionalismo, calote na dívida, congelamento de preços, hiperinflação, crescimento “a la canetada” ou queda de juros no grito.

Mas, para conhecer história econômica, é preciso estudo e interesse.

Palpite nunca levou país nenhum ao sucesso.

Então, caro artista ou jornalista, se você tiver algum conselho sobre economia, guarde-o para o churrasco de domingo. Ou aceite de uma vez por todas que o Brasil vai seguir como o país do improviso, da falta de estudo, do achismo e do experimentalismo.

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