A Morte da Renda Fixa

A Morte da Renda Fixa

Para a minha surpresa, estou recebendo uma grande quantidade de perguntas nas monitorias a respeito do que irá acontecer com a renda fixa depois que os juros caírem.

Será o fim da renda fixa como um bom investimento?

Leio nos jornais afirmações fortíssimas sobre a iminente morte da renda fixa. Aliás, não sei se só eu penso assim, mas os jornais me parecem cada vez piores fontes de informação. Primeiro, porque o que está sendo noticiado já foi precificado pelo mercado. Segundo, porque o que está escrito cada vez menos são fatos, e cada vez mais são explicações emocionais e muitas vezes equivocadas da realidade, ou pior, de uma conjectura futurística.

Eu até acho uma certa graça dessas afirmações. Claro que uma dose de sensacionalismo sempre atrairá muitos olhares. Mas apenas cogitar que essa hipótese maluca seja verdadeira significa não entender absolutamente nada a respeito da natureza da renda fixa como investimento.

A renda fixa é exatamente aquele tipo de investimento que vai ocupar pelo menos metade da sua carteira, SEMPRE! Isso mesmo, eu disse SEMPRE! Ciclo de queda de juros, de alta, crise, expansão econômica… Se o seu perfil de aversão ao risco é moderado, então deve ter 50 por cento do seu portfólio em renda fixa. Ponto!

Isso porque investimentos ligados a juros funcionam não apenas como fonte (enorme) de rentabilidade, mas também como controle de risco.

Como assim? Vou explicar…

Imagine que você é um investidor médio da Empiricus, com seus 40 anos, e um bom patrimônio, acumulado durante 20 anos de carreira. Você colocaria todo o seu dinheiro em Bolsa, ou em câmbio, ou em qualquer outro ativo de risco?

Digamos que a sua resposta seja sim; afinal, seu perfil é arrojado e você está animado com os retornos da Bolsa no último ano. Eis que, pela eventualidade de um Cisne Negro, o mercado derreta e a Bolsa perca 40 por cento do seu valor.

Pronto, em pouco menos de 1 mês você perdeu 40 por cento de um patrimônio conquistado em 20 anos de trabalho. Satisfeito, Senhor Arrojado?

A grande maioria dos investidores que se consideram “arrojados” é, na verdade, oportunamente arrojada. Esse tipo de investidor fica mais ganancioso após fortes altas no mercado de ações, e mais conservador durante períodos de crise.

Tanto é verdade isso, que as bolhas de euforia na Bolsa acontecem exatamente estimuladas pelos atrasados. Quantos gestores de fundos não aumentam o risco dos clientes em Bolsa logo depois de um rali? Quantas matérias de jornal não anunciam meses depois do rali que está na hora de entrar na Bolsa?

E quantos alocadores ou publicações sugeriram fazer isso quando a Bolsa estava no chão, durante a crise? Hummm… Vejamos… Só a Empiricus mesmo.

Pois é, como o investidor nunca conseguirá prever um Cisne Negro, por definição, não tem como ele manter uma carteira com alto percentual em risco. O patrimônio conquistado deve ser preservado, e a melhor forma de controlar sua exposição ao risco é exatamente tendo um percentual maior em renda fixa.

Digamos que o mesmo Senhor Arrojado siga meus conselhos e, em vez de manter 100 por cento da carteira em Bolsa, aloque apenas 50 por cento, e o resto vá para LFTs. No evento do Cisne Negro descrito, ele perderia apenas 20 por cento, em vez dos 40 por cento que foram destruídos com a queda da Bolsa. Metade da perda apenas. Belo seguro, não?

Se quiser limitar sua perda máxima para apenas 10 por cento, basta alocar apenas 25 por cento em Bolsa. E assim vai…

Claro que limitar sua perda é também limitar o seu ganho. Não se pode ter tudo na vida, não é mesmo?

Mas a renda fixa tem e sempre terá o seu papel de controle de risco. Independentemente do que venha a acontecer com a taxa Selic.

Além disso, em muitos casos, a alta dos juros, que será péssima para títulos expostos a juros (como prefixados e indexados), será péssima também para a Bolsa, para o câmbio, FIIs e afins. Muitas vezes, a melhor rentabilidade que se pode ter no mercado são os singelos 100 por cento da Selic, da nossa querida LFT.

Em 2013, por exemplo, observamos uma alta nos juros de mercado. Os prefixados de 5 anos renderam  -0,2 por cento, e os indexados, entre -17 e -35 por cento. Agora, adivinhe quanto rendeu a Bolsa nesse mesmo período? -17,35 por cento! Em 2013, o melhor retorno possível para o investidor foi a boa e não tão velha assim LFT, que rendeu a Selic do período (8,06 por cento).

Por isso que eu evito ao máximo a pergunta que meus assinantes adoram fazer:

“Marília, quanto você mira de retorno para a carteira de renda fixa?”

Essa pergunta não tem resposta objetiva. Em épocas de queda dos juros, eu posso mirar 160 ou 200 por cento do CDI. Mas em épocas de crise, ou de alta dos juros, vou visar 100 por cento do CDI — e isso será uma excelente rentabilidade! E digo mais: eu quero que você entenda e fique extremamente feliz com esse retorno.

Durante o tempo de permanecer nos pós-fixados, o investidor terá que ter paciência, e aguardar o momento certo de voltar ao jogo do risco. Mas fique tranquilo, pois a economia é cíclica, e os períodos de bonança sempre voltam.

E aqui eu gostaria de fazer uma última consideração a respeito do caráter Fênix da renda fixa.

Nesses momentos de calmaria com pós-fixados, você ainda pode buscar retornos bem acima do CDI!

Como? Aí vem uma das partes mais interessantes no mercado de renda fixa…

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Via produtos de crédito privado, como debêntures, CRIs, CRAs, LCIs, LCAs, CDBs, entre outros produtos pós-fixados disponíveis por aí.

Da mesma forma que a melhora dos fundamentos de uma empresa faz a sua ação subir, essa mesma melhora faz também o spread de crédito das debêntures dessa empresa fechar.

Esse processo é o grande pulo do gato para ganhar dinheiro com renda fixa no meio de um mercado de juros parado.

Por exemplo, no Empiricus Renda Fixa, compramos a debênture da Unidas quando a empresa ainda estava alavancada e pagava CDI + 3,67 por cento. Hoje, com a empresa melhorando seu balanço, a debênture passou a valer CDI + 1,33 por cento. Ou seja, no período de apenas 1 ano essa queda nos spreads representou um ganho de 18,76 por cento (ou 150 por cento do CDI).

E esse ganho independe do que acontece com a Selic. Ele vem apenas da queda nos spreads de crédito.

Ou seja, esqueça essa besteira de “morte da renda fixa”. Além de a renda fixa não ser fixa, ela é essencial em qualquer portfólio que se preze, e sempre será.

Ela sempre terá o papel de controle de risco da carteira. Além disso, podemos ganhar bastante dinheiro com renda fixa, tanto em épocas de alta dos juros, como em períodos de queda.

Escute o que eu digo. Renda fixa é um investimento matador.

Você não pode ficar fora dessa!

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