O que eu faria com 1 milhão de reais

O que eu faria com 1 milhão de reais

Não sei se sou só eu, mas tenho a impressão de que não nasci na Terra.

Às vezes me pergunto se fui abduzida quando bebê e trazida para cá sem querer.

Sabe aquele sentimento de “eu não me encaixo neste mundo”? Os humanos são bichos muito esquisitos.

Ou, quem sabe, eu que sou um bicho muito estranho para os humanos.

Talvez eu não esteja no planeta errado, mas apenas na época errada, não sei direto.

Pra começar, eu gosto de músicas que são chamadas pelos terráqueos de “músicas de elevador”. Chego ao estacionamento para pegar o caro cantando “For Your Love”, do Stevie Wonder, como se fosse um mega-hit, top das paradas. Quando vou abrir a porta, troco rapidamente para “Despacito” ou qualquer uma do Bob Marley que me faça parecer mais “cool” para o cara do carro ao lado. E, se ele estiver escutando uma música fora das “normais permitidas”, faço cara de “eu sei de onde você veio”.

Se você me encontrar no trânsito, certamente estarei simulando um microfone na mão, enquanto cantarolo um Billy Paul ou um Michael Franks. Se estiver muito parado, estarei com o microfone bem em baixo, para disfarçar, mas ele com certeza estará lá.

Quando dou carona para terráqueos não tão familiares, é um problema. Não tenho nenhuma playlist normal com As 10 Melhores da Jovem Pan. O que será que posso colocar para eles não perceberem que não sou daqui? Será que Skank ainda é aceitável?

Tenho vagas lembranças do meu planeta natal. Na verdade, não tenho lembranças, tenho sentimentos, saudades, que não sei explicar de onde vêm. Por exemplo: tenho certeza de que no meu planeta era permitido misturar o arroz com o feijão em locais públicos.

Confesso que às vezes me pego testando se consigo mover objetos com o poder da mente. Será que eu posso fazer isso?

Os paulistanos, por exemplo, são criaturas muito esquisitas. Nunca entendi por que eles saem fantasiados com roupas coladas e cheias de cores e acessórios para andar de bicicleta.

Se querem aprender a tocar guitarra, compram logo uma Gibson, cinco palhetas, um potente amplificador, um slide profissional, dois afinadores digitais (para ter certeza) e o kit de limpador de cordas. Tudo isso para dois meses depois desistirem.

Nunca entendi os carros chiques — e imundos — que vejo em restaurantes caros da Faria Lima. Tenho a teoria de que os donos de jipes conhecem um lugar ultrassecreto que dá “banho de lama” nos carros para eles parecerem mais “cool”. Eles vão lá de manhã, saem com a parte de baixo do carro toda suja e vão direto para os restaurantes “caros” com seus óculos de sol vintage. Se você é dono de um jipe e sabe onde dão banho de lama em São Paulo, por favor, me avise!

Também é muito peculiar dos paulistas gostarem de filas. Se tem um restaurante lotado, e outro vazio, ambos do mesmo dono e servindo a mesma comida, eles preferem ficar horas na fila, tendo que implorar para o garçom os atender, ficando a olhar uns para os outros por mesas distantes.

E os domingueiros que saem com seus carros no fim de semana e fazem questão de dirigir extremamente devagar, atrapalhando todo o tráfego da cidade? Costumo dizer ao meu marido que todo o trânsito de São Paulo é causado por cinco ou seis domingueiros — no máximo.

Mas, como fui abduzida quando criança e trazida para cá depois, fiz de São Paulo o meu lar. E tenho que acostumar com o fato de EU ser a estranha.

Acho que nunca vou entender o planeta Terra.

Mas a coisa mais maluca que existe neste mundo são as taxas de juros brasileiras.

Como um país pode pagar em suas dívidas taxas capazes de dobrar o patrimônio do credor a cada 8 anos?

E, dado que o Brasil faz isso, como é que as centenas de milhares de investidores da dívida brasileira não são ricos nem milionários?

Pois bem, a Empiricus quer saber o que eu faria com 1 milhão de reais.

Eu posso ser maluca, mas para mim, a resposta à essa pergunta é muito fácil.

Eu investiria em renda fixa!

Em 8 anos, eu teria 2 milhões de reais — em 16 anos, 4 milhões de reais!

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Em 20 anos, estaria viajando o mundo e curtindo a vida, com os meus 6 milhões acumulados! Estaria misturando o arroz com o feijão em Maldivas! E cantando Mariah Carey na minha Ferrari.

O mundo é muito esquisito, mas viver e investir no Brasil deve ser, sem dúvida, uma das melhores coisas de toda a galáxia!

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