O velho conto do FGC

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O velho conto do FGC

Hoje essa news foi feita especialmente para você, que adora CDB de banco quebrado a 120 por cento do CDI.

Vai para você que divide seus investimentos em 250 mil e vai aplicando em tudo quanto é banco. Quanto pior, melhor!

Vai para você que olha para propaganda de CDB da corretora piscando na sua tela e pensa: é hoje! Mega oportunidade!

Vai para você que pensa que tudo pode! Afinal, terá um super herói que irá garantir seus investimento se algo der errado.

Cuidado, você pode estar caindo no “Conto do FGC”.

Se você caiu nessa, não se sinta envergonhado. Você não é o primeiro, e nem será o único.

Isso também não é coisa de país subdesenvolvido. Saiba que milhares de americanos também caíram no “Conto do FDIC”.

O FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) foi criado em 1933 como uma resposta às milhares de falências ocorridas na época da Grande Depressão.

A idéia era proteger os depósitos dos cidadãos, evitando assim uma corrida aos bancos e, consequentemente, uma crise no sistema financeiro.

Você sabe como funciona um banco?

Resumidamente, é assim: ele junta um capital dele e atrai depósitos de outras pessoas com contas corrente e produtos de investimento. Com esses recursos, ele empresta para outras pessoas, pegando para si o spread entre as taxas captadas de terceiros e as taxas emprestadas.

Se você comparar o quanto de dinheiro ele de fato tem, será, a depender do país, apenas 1 décimo do capital que ele empresta.

Até aí, tudo bem.

O problema é que, durante uma crise econômica, ou durante um período de baixa rentabilidade do banco, os depositantes começam a sacar seus recursos, com medo de falência da instituição.

Muitos correntistas fazendo isso ao mesmo tempo quebra o banco, que tem que devolver o dinheiro das pessoas sem ter recebido os recursos dos empréstimos que concedeu.

A quebra de um banco prejudica outros bancos, que tinham recursos emprestados para este. Os outros bancos entram na zona de perigo, e passam a ser alvo de saques também. E assim que o sistema implode.

Os criadores do FDIC consideraram que se houvesse uma garantia de que seu depósito não seria perdido, mesmo no caso de quebra dos bancos, seriam evitados saques sistemáticos, e o sistema financeiro não correria riscos.

Assim, todo mês os bancos contribuíam com um percentual dos depósitos, e em troca o seu correntista estaria segurado.

O plano parecia bom, mas conforme o volume de crédito foi crescendo na economia, o FDIC passou a ter um peso maior do que conseguia carregar.

A crise de 2008 foi uma flecha no coração da instituição. Os saques sistemáticos continuaram acontecendo e os bancos quebraram aos montes. O FIDC, que carregava em disponibilidades apenas 2 por cento do valor segurado, quebrou, com perdas apenas em 2009 de 38,1 bilhões de dólares.

A diferença do FDIC para o FGC é que o FDIC era público. Então, o governo americano que ficou com o prejuízo, pagando aos correntistas os valores assegurados.

No Brasil, o FGC é uma instituição privada, e nada tem a ver com o governo.

Se a mesma coisa acontecer por aqui, quem irá salvar o FGC?

O que gera uma crise financeira?

Primeiro, é necessária uma crise econômica. Quando tudo vai bem, as pessoas estão empregadas e a economia cresce de forma sólida, é difícil pensarmos em uma crise financeira.

Mas quando a economia vai mal, o desemprego aumenta, causando aumento da inadimplência e dificuldades financeiras para os bancos.

Estamos na maior crise da história do país. Em 2014, tivemos crescimento nulo, em 2015 e 2016, tivemos recessão de cerca de 3,5 por cento. Este ano, teremos algo como 0,50 por cento ou menos de crescimento. Estamos no fundo do poço. O desemprego ainda sobe e se encontra em 13,6 por cento, maior nível desde 2002, no início da série.

Ou seja, as condições econômicas estão dadas, e funcionam como pólvora para a crise financeira.

Mas é preciso a faísca para que haja explosão.

Nos EUA, a faísca foi a quebra da Lehman Brothers, que desencadeou o efeito dominó.

Aqui no Brasil, a faísca pode ser a Lava Jato.

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Diversos bancos estão sendo denunciados pela operação policial. Há noticias suspeitando inclusive de bancos grandes, pertencentes aos top 4 do país.

A quebra de qualquer um desses, derivada de uma corrida de saque, pode desencadear um efeito dominó.

Se isso acontecer, você acha que o FGC, com seus incríveis 3,24 por cento do total garantido vai conseguir salvar alguém?

Não dependa de um super herói para salvar seus investimentos.

Você trabalhou a vida toda para acumular seu patrimônio.

Se mantenha em bancos seguros, estáveis, bem administrados e mais preparados para lidar com uma crise sistêmica.

A festa está acabando, e a porta de saída é pequena…

Assista aos dois vídeos que preparei:

Vídeo 1: A denúncia
Vídeo 2: A solução

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