O xeque-mate da Renda Fixa

O xeque-mate da Renda Fixa

Quando o mercado acreditava que o ano da renda fixa tinha ficado para trás, em 2016, e que agora teria que focar em Bolsa, a renda fixa atacou novamente!

Apenas neste ano, tivemos uma queda de 150 pontos base na taxa de juros de cinco anos. Sendo que ainda temos um semestre inteiro pela frente.

Se pegarmos os últimos 17 anos, vamos encontrar cinco outros anos como 2017, quando quedas iguais ou maiores que a atual ocorreram. Essas cinco baixas incluem a forte queda de 515 bps que tivemos no ano passado.

Em 2016, os títulos públicos renderam até 51 por cento. Este ano, passados seis meses, já temos uma rentabilidade acumulada de 11 por cento.

Enquanto isso, o Ibovespa rendeu 38 por cento no ano passado, e, no primeiro semestre, acumulou alta de 7 por cento. Menos, portanto, que o Tesouro Direto.

Ponto para as meninas!

Brincadeiras à parte, não estou querendo dizer aqui que a Bolsa é sempre pior. Em épocas de forte expansão econômica — com alta de juros (por causa do superaquecimento do PIB) —, como aconteceu em 2007, a Bolsa subiu 42 por cento, enquanto a renda fixa rendeu míseros 11,87 por cento (com alguns títulos inclusive dando retornos negativos).

Isso significa que há um momento certo para cada tipo de investimento. Temos períodos em que a renda fixa impera, e outros em que a Bolsa dá um show.

Não por outro motivo, ambas ( renda fixa e Bolsa) são os investimentos preferidos dos poupadores.

 

A diferença é que alguns investidores acreditam que só é possível ganhar dinheiro de verdade com ações. Isso, sim, que está errado!

Somados o resultado do ano passado ao do primeiro semestre de 2017, podemos ver a renda fixa “brilhando” entre as aplicações. E a Bolsa tentando acompanhar o show.

Mas a renda fixa não é só um título para apostar quando temos uma melhora dos fundamentos econômicos. Digo mais: a renda fixa não se resume a um título apenas. Temos, no Tesouro Direto, três tipos diferentes de papéis, e cada um funciona de uma forma.

A LFT (ou Tesouro Selic), por exemplo, é aquele título conservador que rende sempre a Selic e não perde com as variações das taxas de mercado. Temos também os pré-fixados (LTN), que ganham muito com as quedas da Selic. Além disso, existem também os indexados (NTNB), que possuem um seguro embutido contra a alta da inflação.

Fazendo uma analogia com o jogo de xadrez, é como se cada título do Tesouro fosse uma peça no tabuleiro. Cada peça se move de um jeito diferente e, assim sendo, deve ser utilizada como tal com o objetivo de conquistarmos a vitória. No caso dos títulos, maiores ganhos.

O estrategista/investidor tem que conhecer a forma correta de cada peça se mover, e utilizar uma de cada vez, para dar o xeque-mate. Não adianta querer utilizar um peão para avançar três casas em diagonal.

A economia muda constantemente, e isso reflete na Bolsa, assim como nas taxas de juros do mercado. Da mesma forma que escolhemos setores defensivos para investir em ações, podemos usar títulos defensivos também em épocas de baixa nos juros.

Da mesma forma que aumentamos nosso beta na Bolsa em épocas de expansão, aumentamos também nosso risco nos juros, visando retornos mais agressivos.

Investir em renda fixa não é comprar um título e esquecê-lo na gaveta. Imagine você optar por somente utilizar o cavalo no jogo de xadrez. Não faz sentido, faz?

Se temos dois cavalos, dois bispos e uma rainha, para não falar das torres e do rei, vamos usar todos! Vamos para cima!

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Estamos no meio de um campeonato lá fora. Temos uma reforma trabalhista aprovada, e uma da Previdência no horizonte. Essas mudanças nas regras devem alterar os juros neutros da economia.

Além disso, temos redução de metas de inflação, contenção do papel do BNDES na economia, alteração dos programas de concessão e até privatização de empresas.

Se tudo isso não causar uma queda estrutural do juro neutro para baixo, então eu não sei mais o que causaria.

O Banco Central está contido, tudo bem, faz parte do jogo. O BC tem que ir na certeza, em vez de correr riscos.

Mas estamos, sim, diante de um ano extremamente relevante para a renda fixa.

Então, meus caros leitores, alinhem seus peões, cavalos, rainha, torres, bispos e rei, porque o jogo já começou!

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