Por onde começar?

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Por onde começar?

Acho que, se eu fosse uma médica ou publicitária, ou tivesse qualquer outra profissão que não tem nada a ver com economia, teria muita dificuldade de gerir meu patrimônio.

Imagino que a primeira coisa que faria, ao sobrar algum recurso na conta, seria ligar para o gerente do banco e pedir para que ele aplicasse o dinheiro para mim. Mesmo sabendo que os incentivos dele não estão alinhados com os meus.

Provavelmente eu não teria tempo para estudar sobre os investimentos.

Como eu ficaria sabendo se existem outros investimentos melhores para mim?

A resposta é triste, mas real: eu não saberia. Ou teria que gastar um bom dinheiro com um consultor particular e independente.

Pensando nisso, resolvi escrever para você, que se enquadra na descrição de perfil acima. E pergunto: sua carteira é formada basicamente por produtos do seu banco e alguns outros recomendados por amigos?

Se você respondeu “sim”, então sugiro que leia este texto!

Algumas coisas podem ser feitas logo de cara para você analisar a saúde da sua carteira.

Primeiro, enumere todos os seus investimentos — desde fundos a CDBs, até planos de previdência. Tudo! Depois, some os valores investidos e anote o valor total.

Em seguida, classifique os ativos: renda fixa, ações, fundos multimercados, fundos imobiliários e algum outro, se tiver — fundo cambial, ouro, etc.

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Digamos que você, por exemplo, tenha ações do Itaú e do Banco do Brasil, fundos que replicam o Ibovespa, fundos de long & short e um PGBL que investe em Petrobras. Tudo isso tem que ser agrupado na caixinha Ações.

Todos os seus CDBs, LCIs, fundos DI, fundos high yield, fundos de crédito privado, títulos do Tesouro Direto e fundos IMA-B devem ser agrupados na caixinha Renda Fixa.

Todos os fundos que investem em vários ativos diferentes, como renda fixa e ações — no mesmo fundo — coloque no grupo Multimercados.

E assim vai…

Depois de agrupados, calcule o quanto cada classe representa do total.

Se você tem um perfil de risco CONSERVADOR, o ideal é ter entre 70 e 80% da sua carteira em renda fixa. O resto pode ser dividido entre ações e multimercados. Claro que isso não é definitivo; em tempos de Bolsa nas máximas, você pode mudar de 5 a 10% desses percentuais. É só um “cheiro” para você se situar.

Se o seu perfil é MODERADO, você poderia alocar algo em torno de 60% do seus recursos em renda fixa e o restante dividido entre ações, multimercados e até fundos imobiliários (este em proporção menor que os anteriores) se convier.

Mas se o seu perfil é AGRESSIVO, aí o céu é o limite. Você pode trabalhar com apenas 30 ou 40% em renda fixa, destinando a maior fatia do seu dinheiro às outras modalidades de investimento.

Essa divisão já é um primeiro passo para que você analise como está a distribuição do seu patrimônio em relação ao seu perfil de risco. Depois disso, você terá que olhar dentro de cada caixinha para verificar se seus investimentos realmente são bons.

Em se tratando de renda fixa, é fácil. Se você tem um fundo de renda fixa ou algum produto de crédito, compare a performance dele com o CDI do período — nos últimos 12 meses, 24 meses, 36 meses — para ver se houve consistência.

Para consultar o CDI de qualquer período, acesse a Calculadora do Cidadão do Banco Central (digite no Google) e selecione correção pelo CDI.

Se o investimento ficar abaixo do CDI, cuidado. Ele pode não ser vantajoso. Agora, se ficar acima e tiver consistência no tempo, é um bom sinal.

No caso da caixinha de Ações, você deve fazer a mesma coisa, mas, em vez de comparar com o CDI, compare com a performance do Ibovespa. Tem vários sites que mostram cotações históricas do índice, como, por exemplo, o UOL Economia.

Para a caixinha Multimercados, também tenha o CDI como parâmetro.

Seguindo esses dois passos, você não estará mais 100% no escuro. Você já saberá se sua distribuição de ativos está mais ou menos condizente com o seu perfil de risco, e também se seus ativos são bons o suficiente em relação ao benchmark.

Claro que isso não resolverá todos os seus problemas.

Você pode ter 70% da sua carteira em renda fixa, com fundos de crédito privado extremamente arriscados, e parecer que está enquadrado no perfil conservador, quando na verdade está correndo altos riscos. Sempre teremos aquelas excessões à regra que devem ser analisadas caso a caso.

Mas essa triagem prévia já vai tirar você de muitas furadas.

Depois de identificar a caixinha que está superdimensionada e o ativo dentro dela que parece ruim, é hora de trocar de produto. O substituto deverá ser, obviamente, um bom ativo. Para escolhê-lo, indico procurar uma recomendação de um analista experiente e independente.

E para quem quer trocar fundos de Bolsa mal-geridos ou ações que não performaram bem, ninguém melhor que o Bruce Barbosa e o seu As Melhores Ações da Bolsa.

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