Inclinação é a bola da vez

Estamos chegando ao fim do ciclo de queda dos juros, e assim que ele terminar, começará no mesmo instante um movimento tendencial que vai gerar excelentes retornos para quem o pegar desde o início.

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Inclinação é a bola da vez

Estamos chegando ao fim do ciclo de queda dos juros, iniciado há pouco mais de um ano. A Selic irá para 7 ou 6,75% ao ano — já não temos muito mais espaço para níveis menores.

Os núcleos de inflação já começam a voltar, e a atividade dá sinais definitivos de crescimento, embora o caminho seja gradual.

É o fim de um caminho, uma porta de rentabilidade que se fecha.

Mas antes de você ficar todo depressivo, achando que não tem mais como ganhar dinheiro com juros, lembre-se de que isso é mercado, meu chapa.

E mercado tem todo dia — e oportunidades também.

Assim que o ciclo de queda chegar ao seu fim, vai começar no mesmo instante um movimento tendencial que vai gerar excelentes retornos para quem o pegar desde o início…

A queda da inclinação!

Observe no gráfico os ciclos de queda e de alta da Selic desde 2003.

A linha preta é a Selic Meta e a linha vermelha, a inclinação 5 contra 2.

Primeiro, vou explicar o que é inclinação.

Inclinação é a diferença entre juros de dois vencimentos. Para calcular a inclinação basta escolher dois vértices e subtrair o mais curto do mais longo. Neste caso, eu peguei os juros de 5 e de 2 anos. Subtraí a taxa de 2 anos da taxa de 5 anos, e o resultado foi essa linha vermelha.

Note pelo gráfico que as regiões de fundo da linha vermelha coincidem com as regiões de topo da linha preta, e vice-versa.

“Por que isso acontece?”

Quando estamos em um ciclo de queda da Selic — como em 2012 —, os vértices mais curtos tendem a cair mais do que os mais longos. Isso acontece porque os mais longos têm que incluir o fato de que depois de os juros curtos caírem abaixo do neutro, eles terão que voltar a subir em algum momento. Assim, quanto maior for o vencimento, maior será a média dos juros mais longos.

Além disso, quanto maior for a queda do juro curto, maior será o risco de descontrole inflacionário no futuro. Em 2012, por exemplo, comentava-se que o BC estava forçando a barra “caindo” demais a Selic, e que isso iria resultar em uma necessidade de fortes aumentos dos juros lá na frente.

Esse aumento de risco também faz com que o juro longo aumente o prêmio de suas taxas, ficando muito maiores que as do curto.

Em um ciclo de alta da Selic, o inverso acontece. Enquanto os curtos sobem muito por conta das altas do Copom, os longos começam a embutir uma queda posterior para níveis mais baixos. Assim, os longos sobem menos que os curtos, reduzindo a inclinação.

Em alguns casos, o fim do ciclo de queda marcou exatamente o ponto máximo da inclinação, como em 2009. Em outros, a inclinação só caiu quando os juros começaram de fato a subir.

Mas, em ambos os casos, não tivemos novas altas da inclinação encerrado o fim do ciclo.

Ou seja, precisamos começar a dar atenção para esse trade desde já.

Os maiores riscos para essa operação são as eleições e a reforma da Previdência.

Se as eleições resultarem na vitória de um presidente populista, poderemos ver novas altas da inclinação, refletindo o medo do mercado quanto a descontrole fiscal, rebaixamento de rating e calote.

A não aprovação da reforma da Previdência pós-eleições também aumentaria a aversão ao risco e poderia levar a inclinação para um novo patamar.

Temos que nos manter atentos a esses dois fatores. Não se esqueça de que riscos nós sempre iremos correr. Se não há riscos, não há prêmios a serem capturados.

Outro dado importante é que o mundo tende a convergir em suas posições. Quando os juros dos países desenvolvidos sobem, as taxas no resto do mundo tendem a subir também.

E adivinha em qual país estamos observando uma queda da inclinação por conta do aumento dos juros?

Exatamente — nos Estados Unidos!

A maior economia do mundo está liderando o processo e deve levar outros países na rabeira.

Voltaremos a esse tema numa próxima oportunidade.

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