O que provocou o rali de quinta?

Na última quinta-feira, o mercado entrou em uma euforia como não se via há tempos. A Bolsa subiu 2,5%, o real se valorizou 1,10% e os juros longos caíram 15 bps.

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O que provocou o rali de quinta?

Na última quinta-feira, o mercado entrou em uma euforia como não se via há tempos. A Bolsa subiu 2,5%, o real se valorizou 1,10% e os juros longos caíram 15 bps.

Mas, afinal, o que aconteceu?

Foi alguma novidade na Previdência? Temer fez ou falou algo? Acabou o risco fiscal?

Não.

O que de fato aconteceu foi a aprovação, na Casa dos Representantes (a Câmara dos EUA), por 227 a 205 votos, do plano de redução de impostos que o presidente Donald Trump tanto prometeu durante sua campanha.

A reforma tributária de Trump não entrará em vigor imediatamente, pois ainda precisa ser aprovada pelo Senado — a votação deve ocorrer ao longo da próxima semana. Mas é importante entendermos do que se trata e como ela pode nos influenciar.

A ideia por trás do plano, idealizado por Trump (que além de presidente é um empresário), é reduzir os impostos corporativos de empresas americanas, que são considerados os mais altos do mundo.

Por exemplo, enquanto uma empresa brasileira paga 15% do seu lucro em Imposto de Renda, uma empresa nos EUA paga 35%.

A princípio, você pode pensar de forma inocente: “Mas isso é bom para eles, pois assim taxam os mais ricos, que são os donos do capital”.

Não! Infelizmente, não é assim que funciona.

Na verdade, isso acaba estimulando empresas de DNA americano a abrirem matrizes em outros países — ninguém é bobo —, o que acaba drenando o possível pagamento de impostos e seus benefícios para lá. Bom, isso pelo menos em teoria, porque, na prática, muitas empresas já planejam estratégias diversas para pagar menos impostos.

Então qual foi a proposta do novo plano?

Inicialmente, haveria uma redução do imposto corporativo de 35% para apenas 20%. Com essa redução, eles já estariam em linha com os impostos mundiais, e apenas as grandes empresas seriam contempladas com o benefício, uma vez que as pequenas não atingem a faixa mais alta do imposto.

Além disso, o imposto de renda também sofreria reduções de cerca de 3% nas faixas de renda mais baixas.

Para financiar a perda de arrecadação (estimada em 1,4 trilhão de dólares em dez anos), o plano reduziria algumas deduções de Imposto de Renda, como empréstimos lastreados em imóveis (“home equity”), despesas médicas, empréstimos estudantis e impostos estaduais e municipais.

Mas isso só recuperaria uma pequena parte da grande fatia de receitas da qual o governo abriria mão. A esperança, na verdade, estaria no aumento do crescimento que uma medida dessa poderia gerar, o que melhoraria a arrecadação.

É um plano ousado, que ninguém sabe se vai dar certo. Mas a Bolsa americana segue muito otimista com as possibilidades.

Em 2004, os EUA já tinham feito um corte de impostos chamado de “tax holiday”, que, na prática, não estimulou a atividade, mas promoveu uma grande distribuição de lucros para os acionistas.
Essa mesma expectativa pode explicar a alta que vimos nos preços das ações, lá e aqui.

Ao que parece, a promessa de Trump (“Make America Great Again”) também vale para a nossa Bolsa.

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