50 tons de Verde

O que esperar do Verde Scena, multimercado da XP em parceria com a Verde Asset

50 tons de Verde

Ao se deparar com um gênio da lâmpada e o direito de fazer três pedidos, um mineiro pede dois pães de queijo e uma bela mulher – conta minha avó. Questionado sobre a incoerência da escolha, o mineiro responde: queria três pães de queijo, mas fiquei com vergonha.

É óbvio que meus dois primeiros pedidos seriam os mesmos: pães de queijo. Dispensaria, entretanto, o gênio com uma solicitação final: cotas do fundo Verde.

O portfólio, gerido por Luis Stuhlberger, rende 14.242 por cento desde que foi criado, em 1997. Uma lavada no CDI, que, no mesmo período, acumula 1.779 por cento.

Ser cotista do Verde é, para mim, um sonho. E pelo jeito não estou sozinha.

Desde que a XP começou a anunciar a abertura do Verde Scena, em parceria com a Verde Asset, na semana passada, minha caixa de e-mails ficou mais animada do que café da tarde mineiro.

A forma de comunicação da XP, o que inclui um gráfico com o histórico do incomparável fundo Verde, fez com que muitos investidores entendessem que Verde Scena seria, enfim, a grande oportunidade de ter no portfólio a gestão Stuhlberger.

“A XP me ofereceu hoje um fundo de investimentos do Verde que na verdade se chama Scena (mas que no primeiro contato me foi anunciado assim: ‘e aí, vamos comprar o Verde?’). Logo depois de perceber que não se tratava de uma brincadeira, o primeiro impulso foi a vontade de vender tudo e comprar as cotas”. Isoldino N.

 

“Segundo as informações que recebi, este fundo é uma espécie de espelho do famoso fundo da gestora Verde”. Gabriel S.

 

Há semanas também recebo dúvidas sobre dois outros fundos Verdes, oferecidos pelo Itaú ao cliente Personnalité: Verde Vista e Verde Patrimônio.

Será uma miragem? Infelizmente, sim.

O fundo Verde, aquele gerido por Stuhlberger, segue fechado.

Mais desanimador, na verdade: o gestor chegou a devolver dinheiro de cotistas nos últimos dois anos. Stuhlberger entendeu que gerir mais patrimônio prejudicaria sua capacidade de se movimentar no mercado.

E isso me obriga a desiludir você (e a mim própria) sobre lâmpadas maravilhosas.

Os fundos multimercados lançados recentemente pela Verde e seus espelhos não são geridos por Stuhlberger. Eles têm uma gestão híbrida: Luiz Parreiras cuida da renda fixa; Pedro Sales, da renda variável; Artur Wichmann, da fatia internacional da carteira.

Stuhlberger vai atuar para o Scena da mesma forma que já faz para o Horizonte, o Vista e o Patrimônio, como CIO (Chief Investment Officer): um diretor de investimentos, que norteia a visão de longo prazo de toda a equipe.

Os novos filhos da Verde são bastante descorrelacionados do fundo gerido por Stuhlberger. O primogênito, Horizonte, seguido de perto pelo Vista, do Itaú, é um exemplo claro – de abril de 2015, quando foi lançado, até agora, o irmão do Verde entrega 23,75 por cento. O Verde, no mesmo período, rende 37,25 por cento.

Já tentei misturar açúcar e amendoim e até pegar a panela emprestada da minha mãe. Meu pé-de-moleque não chega aos pés do dela.

Não será a primeira vez que um gênio tem dificuldades em encontrar seu sucessor.

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O Scena, produto criado pela XP em parceria com a Verde Asset, vai investir até 20 por cento do patrimônio no fundo internacional da casa, o Verde Global Alpha.

A exposição cambial, entretanto, pode ser nula, a depender da visão estratégica da casa para a moeda americana. Essa será uma das diferenças para o Horizonte, que nasceu com a intenção de ficar de 25 por cento a 75 por cento exposto em dólar.

Por outro lado, o Verde Scena tem uma trava no percentual que pode ter em ações brasileiras, inexistente no Verde original. A parcela na Bolsa brasileira é limitada a 20 por cento da carteira.

Em um primeiro momento, não deve haver um impacto muito grande de tal trava, já que Stuhlberger há tempos não tem uma exposição tão grande na Bolsa brasileira. Mas é bom lembrar que isso pode mudar – o Verde nasceu com uma posição importante em renda variável.

O Verde Scena mira uma volatilidade de 5 por cento, inferior à do Verde original, historicamente mais próxima de 8 por cento. Para fazer jus ao fato de assumir menos riscos, a taxa de administração também é menor, de 1,5 por cento. Justo.

A XP teve a intenção de criar um produto que se aproveite da expertise da Verde e que esteja disponível para o varejo – com aplicação mínima de 50 mil reais. Ótimo.

Infelizmente, entretanto, ainda não é nossa chance de ter a gestão Stuhlberger.

 

Quer mais?

Debrucei-me em uma análise bastante completa dos filhotes da Verde, finalizada com nossa recomendação. Para ler, junte-se a nós.

Lá também, a visão de mercado da discretíssima equipe do Safra Galileo.

Para encerrar, você precisa ver esse depoimento do jogador Müller.

Abraço,

Luciana.

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