9 verdades e 1 mentira sobre fundos

Desafio a você a descobrir o que é fato e o que não é

9 verdades e 1 mentira sobre fundos

Se você é um usuário de redes sociais, posso apostar que ou já fez sua própria lista de 9 verdades e 1 mentira ou tem criticado os amigos que o fizeram. Não resisti a fazer minha própria versão para fundos.

Quero ver você descobrir qual é a mentira:

1. Marcelo Giufrida, gestor e sócio-fundador da Garde, é baterista da banda Black Zornitak, que tem no contrabaixo Walter Mendes, fundador da Cultinvest, gestora de um fundo que investe em vinhos.

2. O Itaú chega a levar 3,5 por cento de cada aporte do investidor na previdência, por meio da chamada taxa de carregamento na entrada, que em geral não é cobrada por distribuidores on-line.

3. Rogério Xavier, sócio-fundador da renomada SPX Capital, tomou sua decisão de trabalhar no mercado financeiro depois de ler uma reportagem, numa revista Playboy, sobre a rotina de um operador de moedas em um antigo banco asiático.

4. Conheci o Mauricio de Sousa – o pai da Mônica, amiga do Cebolinha – no aniversário de 20 anos da Fama, gestora de ações fundada por dois jovens de 20 anos, Fabio e Mauricio.

5. Luis Stuhlberger, gestor do renomado fundo Verde, foi estagiário de Luiz Alves, que depois de um longo período gerindo o próprio patrimônio começou a administrar recursos de pessoa física em 2015 na gestora Alaska. A carteira dele foi o fundo de ações livres mais rentável do ano passado: 129 por cento de ganho.

6. A indústria de fundos brasileira tem um atleta campeão mundial de Ironman, Pedro Cerize, que gere ações na Skopos.

7. Verde Scena, Verde Patrimônio e Verde Vista são fundos geridos por Luis Stuhlberger.

8. Santander e Banrisul dividem o crédito de fundo de curto prazo mais caro da indústria. Santander Inteligente e Banrisul Automático cobram 5,5 por cento de taxa de administração por ano.

9. Existe um fundo DI com taxa de 0,2 por cento ao ano e aplicação mínima de R$ 1 mil. E qualquer um pode investir nele.

10. Depois de gerir no Safra o Galileo, um dos multimercados brasileiros de histórico mais consistente, Márcio Appel criou no ano passado a própria gestora e deu a ela o nome de seu avô, Adam.

Somente uma afirmação é errada. É capaz de descobrir? Envie o número dela para mim em fundos@empiricus.com.br com o título 9 verdades e 1 mentira sobre fundos. Vamos compilar e dar a resposta correta na newsletter da próxima quarta-feira.

Os fundos quantitativos estão entre os que mais atraem a curiosidade dos investidores que nos escrevem. Uma das gestoras mais antigas nessa seara é a Murano Investimento, dedicada à estratégia desde junho de 2008.

A casa foi fundada por Christiano Pereira, que tocava um fundo quantitativo na gestora carioca Polo. Em 2012, Moacir Fernandes, que carregava na bagagem três anos de pesquisa quantitativa na gestora londrina Concordia Advisors, juntou-se à equipe. Foi com o engenheiro químico, Phd em Finanças, que bati um papo.

A premissa das estratégias de um fundo quantitativo é que o passado vai se repetir no futuro. E aí você já sabe a minha preocupação: e os tais Cisnes Negros, aqueles eventos imprevisíveis e de resultado impactante? O modelo diz que vai acontecer X, porque sempre foi assim, acontece Y e… prejuízo?

Moacir defende-se. Diz que, na realidade, é “comprado em Black Swan”, ou “tem a cauda pesada para a direita”. Como? O fundo da Murano é treinado, segundo ele, para zerar uma posição com muita velocidade quando ela começa a perder. Quando há ganho, por outro lado, o stop demora mais a acontecer.

Assim, a gestora pretende potencializar a possibilidade de grandes retornos (o Cisne Negro positivo) e reduzir a de grandes quedas. “Uma semana devastadora para mim tem uma magnitude muito menor do que uma semana maravilhosa”, diz.

Pode dar errado? Sim. Imagine um dia em que a Bolsa perde muito na virada de um dia para o outro? Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Brexit – quando os britânicos votaram, em plebiscito, deixar a União Europeia. A posição que perdia com o evento foi zerada, mas não a tempo de evitar o prejuízo da virada.

Não é certo que o histórico vai se repetir, mas é mais provável do que a quebra do padrão, defende-se Moacir. É como apostar em cara e lançar uma moeda viciada – que em 52 por cento das vezes exibe cara e 48 por cento, coroa – o máximo de vezes possível.

A Murano desenvolve seus próprios modelos, com base no que já viu funcionar em outros mercados e em revistas acadêmicas.

Um exemplo, para que você entenda. Imagine que os preços de ações ON e PN de uma mesma empresa tenham historicamente uma distância relativamente constante. De um dia para o outro, eles se afastam. O modelo vai identificar a distorção e ordenar a montagem de uma posição que ganhe com o ajuste da diferença.

O único de seus oito anos em que a Murano perdeu para o CDI foi 2012, com prejuízo de 0,49 por cento. Em todos os outros, ultrapassou 115 por cento do referencial.

O problema para um fundo desse tipo é uma mudança estrutural permanente, explica Moacir. Se o Banco Central troca o regime cambial de hoje para amanhã, de flutuante para fixo, então o histórico deixa de ser útil. Nesse caso, é preciso desligar o modelo. Mas a mudança estrutural nem sempre será tão clara.

O que aconteceu em 2012 com o fundo da Murano é uma lição sobre quantitativos. O fundo operava com somente dois modelos. E os dois, voltados para ações, foram abalados por mudanças estruturais. “Em um avião com dois motores, se quebrou um…”, deixou no ar o Moacir.

Uma das decisões da Murano para lidar com essa “falha de nascença” foi diversificar os modelos. Hoje o fundo tem 12 estratégias em funcionamento. E não só em Bolsa, mas também juros e câmbio. Se um ou dois deixarem de funcionar, eles não devem abalar de forma expressiva o desempenho do fundo.

Ainda assim, não é um fundo para amadores. A volatilidade média é de 10 por cento.

Os fundos quantitativos têm um charme que é o reconhecimento das limitações humanas. As pessoas demoram para reagir quando é hora de comprar e também têm aversão à perda, demorando assim a realizar um prejuízo. Os quantitativos operam isso, por meio dos modelos seguidores de tendências.

A falta de interferência humana nas negociações diárias – se o modelo manda comprar ou vender, é soberano – também é um resultado desse entendimento. Moacir confessou para mim que não é fácil ver o modelo tomar uma decisão que às vezes, aos olhos humanos, parecem erradas para o momento.

O resultado é um fundo bastante descorrelacionado dos demais multimercados.

Os gestores quantitativos, na prática, confiam mais na disciplina do que no humor ou na capacidade de o gestor prever o fundo. Parece ótimo. No que se apoiam – o passado – é o que levanta mais polêmica sobre o segmento.

Conteúdo relacionado