Fundo DI: Aqui jaz um fundo caro

Está dada a largada para a morte dos fundos DI caros

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Fundo DI: Aqui jaz um fundo caro

Mineiro é meio besta. Ser malfalado na vizinhança preocupa mais do que ficar sem comida em casa. Roda na família até hoje a história de quando a Deborah, minha prima, foi parar no hospital com a unha do pé encravada há meses.

O médico perguntou o que tinha acontecido. Ela respondeu que o tênis estava furado e que a mãe não tinha dinheiro para comprar um novo. A Deborah ficou uma semana de castigo. Foi assim, com um trauma profundo, que a Dedete, mãe dela, resolveu fazer uma reserva de emergência.

A Dedete me ligou desesperada esses dias: “Ei, Lu, joia? Que negócio é esse de que o fundo DI vai morrer? Minha reserva está toda lá”.

O Guilherme fez a mesma pergunta para o Ricardo Schweitzer no Twitter: “A Empiricus defende a migração de recursos dos fundos DI para outros investimentos. Isso vale para o ‘colchão de segurança’”?

A Dedete e o Guilherme provavelmente chegaram a essa dúvida depois de ver esse documento aqui. Vamos lá. Qual é o seu caso? A, B ou C?

A MORTE DOS FUNDOS DI

Você tem fundo DI, Tesouro Selic, CDB, LCI, LCA…ou qualquer outra aplicação indexada ao CDI?

A poupança de hoje é seu DI amanhã: o pior investimento que você pode fazer.

O CDI anda lado a lado com a Selic, a taxa de juros da economia, que acaba de cair pela primeira vez em 4 anos.

Será um movimento de quedas sucessivas…

Você precisa de uma saída rentável e igualmente segura para seu patrimônio.

SAIBA MAIS

Opção A – Sua reserva de emergência está no fundo DI caro do banco?

Peguei leve com você até aqui, mas não dá mais. As paredes já começaram a se aproximar. Quando o Banco Central anunciou, na semana passada, que ia cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, você deveria ter ouvido assim: caro investidor, acabo de comer um pedaço do ganho do seu fundo DI.

Você não vai conseguir convencer o BC de voltar atrás. E a nossa expectativa (e de boa parte do mercado) é que os cortes continuem. Em 2013, o ano de menor taxa Selic da história brasileira, 209 dos 304 fundos DI que estão hoje aí na praça – ou 70 por cento do total – perderam para a poupança. Isso para aplicações de curto prazo (para menos de seis meses).

Àquela altura, 244 bilhões de reais estavam em fundos que renderam tão pouco que nem chegaram a entregar retorno de poupança. Você estava entre eles? Quer estar de novo? Não?

Entendo que você queira manter o mesmo nível de risco para sua reserva de emergência. E agora, quem poderá te defender? Você precisa já de um fundo DI com taxa de administração menor.

Seu fundo DI precisa ter taxa menor do que 1 por cento. E eu vou provar isso a você!

Escuto economistas conceituados projetarem a meta para a Selic em 9 por cento ao ano (já ouvi menos). Tire a taxa de administração de 1 por cento (em matemática essa conta é uma divisão). Você tem 7,92 por cento, certo? Tiro o imposto para saque em menos de seis meses, de 22,5 por cento, porque é a reserva de emergência…

Deu 6,13 por cento. Pronto. Perdeu para a poupança, playboy.

Não vou resistir a fazer uma propaganda neste momento. Nós recomendamos fundos DI com taxa 0,2 por cento ao ano. Para aplicação mínima de 3 mil reais. 

Opção B – Todo seu patrimônio está em um fundo DI barato 

Você está errado também. Desculpe, hoje é o dia da sinceridade. O fundo DI deve ser o destino da sua reserva de emergência. O que é isso? Vamos abrir espaço para o Walter Poladian, nosso planejador financeiro certificado pelo CFP:

“Varia de uma pessoa para a outra, mas, prioritariamente, sugiro juntar o valor equivalente a três a 12 vezes os seus gastos mensais em uma aplicação de altíssima liquidez (possibilidade de resgate imediato) e baixíssimo risco”.

Obrigada, Walter. Se você tem mais do que isso no fundo DI, é hora de começar a pensar em colocar um pouco de dinheiro no risco, uma vez que seu retorno vai ficar mirradinho. Que tal um fundo de crédito privado para começar? Ou um multimercado? Ou um fundo de ações? Eu posso ajudá-lo com isso (Tô metida hoje, eu sei! Mas é que realmente acho que posso ajudá-lo). 

Opção C – Somente sua reserva de emergência está em um fundo DI barato

Parabéns! Eu tenho, porém, uma má notícia para você: sua reserva vai começar a render menos de agora em diante. Se quiser manter a rentabilidade atual, você pode preservar o sagrado colchão de liquidez, e pensar em tomar um pouco mais de risco no restante do patrimônio.

Quem sabe, ousar muito? Se estiver nessa pegada, sugiro conhecer o Empiricus Insider. Como boa mineira, sou desconfiada, mas tenho observado: o Herrerra é bom.

O CÓDIGO REVELADO

Conheça o Código Secreto da Multiplicação de Capital — uma estratégia fora do radar tem gerado lucros gigantescos a um número restrito de pessoas.

Você pode ganhar muito dinheiro de forma rápida, sem expor seu patrimônio a riscos desnecessários.

QUERO MULTIPLICAR MEU PATRIMÔNIO

 

“Estive pesquisando fundos multimercados na corretora em que possuo alguns títulos. O Sparta Cíclico chamou a minha atenção, tanto pela ótima rentabilidade dos últimos dez anos – mais de 30 por cento por ano, na média – quanto pela taxa de administração (4 por cento parece meio salgado). Por favor, você poderia incluir esse fundo nas suas análises?”. Filipe F.

Seu desejo é uma ordem, Filipe. Essa é uma consulta recorrente aqui no meu guichê. Não é à toa. O Sparta Cíclico é o segundo maior multimercado de gestor independente em número de cotistas. São 2.089, atrás somente do Adam XP Macro, com 3.573 investidores. E com um patrimônio bem menor, de 78 milhões de reais. A aplicação mínima, baixa para um multimercado, de 5 mil reais, ajuda.

A pulverização por si só é um fator positivo. O saque de um único investidor dificilmente vai deixar o gestor em dificuldade de liquidar uma posição.

A graça mesmo do Sparta Cíclico é ser um fundo completamente diferente do resto do mercado. É estranho que, no país das commodities agrícolas, os gestores tenham tanto preconceito contra operar esses ativos. O Sparta é o único fundo que conheço realmente dedicado a elas.

Dedicado no sentido de ter nas commodities alguns dos ativos principais – boi, açúcar, milho, soja, café. Mas não só delas vive o Sparta. Ele opera também dólar e bolsa. Em juro, em geral, não toma risco.

A Sparta faz análise fundamentalista das commodities. “Seu Vitor”, o fundador da gestora, é engenheiro agrônomo, teve fazenda por muito tempo e vai a campo literalmente. Ele avalia a oferta, a demanda, o clima, a produtividade, a área plantada.

Seu Vitor viaja de carro pelo Mato Grosso, pela Argentina, conversa com fazendeiros, tira fotos, mede as mudas e compara com o tamanho da plantinha no mesmo dia do ano passado, conta o filho dele, Ulisses Nehmi, sócio-gestor da Sparta.

No momento, por exemplo, o Cíclico está comprado na alta do açúcar, com a expectativa de quebra de safra, e vendido em milho, no mercado doméstico contra o internacional. Nosso preço hoje está o dobro do lá de fora, alguma hora vai convergir, disse o Ulisses.

O charme do Sparta é essa descorrelação. Enquanto a maior parte do mercado está posicionada em juro ou atenta à aprovação da PEC dos gastos, ele está de olho na safra do milho e do açúcar.

O retorno histórico, você está certo, Filipe, enche os olhos. O fundo da Sparta rende 913 por cento do CDI desde a criação, em outubro de 2005. Está certo que 2007, com ganho de 244 por cento, e 2008, com 116 por cento, ajudaram bem.

O Cíclico não é para qualquer um, entretanto. Teve 76 meses no positivo. E 55 no negativo. O máximo retorno mensal foi 62 por cento. O mínimo, prejuízo de 28 por cento, segundo os dados do Quantum Axis.

Vale a regra de sempre: volatilidade é legal? Sim, desde que você goste dela. Se for para entrar feliz logo depois do mês de ganho e sair correndo chorando no de prejuízo, essa brincadeira não é para você.

O próprio Ulisses fala isso: “Se você não estiver preparado para um mês de prejuízo de 10 por cento, não é para você aplicar. As commodities podem ter movimentos bruscos mesmo”.

Fora que o Sparta não cobra barato por esse rolê no mundo das commodities. A taxa de administração, o Filipe observou bem, é de 4 por cento ao ano. Salgada. E ainda tem os 20 por cento de taxa de performance sobre o que exceder o CDI.

Por fim, liquidez não é um problema do fundo: o dinheiro cai na conta quatro dias depois do pedido de resgate. A maior parte das operações é feita nas bolsas de Nova York e Chicago, bastante líquidas. O risco mesmo é de mercado.

O Sparta é, assim, um complemento interessante para um pedacinho do portfólio. O próprio Ulisses diz: nunca passe de 5 por cento do patrimônio no fundo e pense em um horizonte de pelo menos dois anos. E, vou repetir, definitivamente é para quem se sente muito à vontade com o risco.

Alegria de pobre dura pouco

Eu escrevi que a Alaska não quer gerir só o dinheiro dos ricos e você protestou. Faltou dizer, de fato, que apesar da aplicação mínima baixa, de 5 mil reais, o fundo gerido pelo Luiz Alves está disponível somente para investidores qualificados, portanto, com 1 milhão de reais em patrimônio investido.

O Henrique Bredda, sócio da Alaska, explicou: o fundo cobra performance sobre IPCA + 6 por cento em vez de Ibovespa, o que é ótimo para o investidor, mas obriga o gestor a restringir o público em obediência à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Chega em breve às plataformas um multimercado da Alaska, esse sim para o varejo, mas fica para uma próxima análise. Até breve! Ficou dúvida? Escreva para fundos@empiricus.com.br.

A semana foi animada aqui. Lançamos um projeto incrível com nosso sócio americano e abrimos uma turma no WBC Brasil. Quer saber mais? Coloque o nome nesta lista que te ligamos quando houver vaga.

Vou terminar hoje com insider: o Alexandre Mastrocinque, nosso analista com cara de mau, estreia amanhã a própria newsletter. Ácida. Sunday Night Extreme Investment Ideas. Recomendo.

 

Um abraço!

Luciana Seabra.

 

 

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Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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