Assim investiu Zarathustra

Aplico em fundo, LCI, Tesouro Selic ou compro uma bicicleta?

Assim investiu Zarathustra

“Grande astro! Que seria da tua felicidade se te faltassem aqueles a quem iluminas?” – pergunta Zarathustra ao Sol no livro de Nietzsche. Modesto, não? Já sei em que fonte bebem alguns gestores de recursos brasileiros.

O profeta persa segue: “Já estou tão enfastiado da minha sabedoria, como a abelha que acumulasse demasiado mel”. Uau, definitivamente lembra algumas figuras do mercado!

Já volto ao Zarathustra, o fundo sobre o qual você leitor mais me perguntou desde que sentei em minha cadeira na Empiricus. Antes, recorro ao profeta para dizer que não me sinto a razão de ser do sol que me ilumina. Fundos não são a melhor opção de investimento sempre.

É muito difícil, entretanto, pensar em um portfólio em que pelo menos um fundo não faça sentido. E digo mais: é difícil encontrar um investidor que não aplique em um único fundo. Em geral, no errado, infelizmente.

Se há alguma questão mais frequente daquela sobre o Zarathustra na minha caixa de e-mails é a que começa com “por que investir em um fundo?”. E termina com: “em vez de uma LFT”, ou “em vez de uma LCI ou LCA” ou “em vez de uma NTN-B”? Sábias perguntas; vamos às respostas.

Veja enquanto está no ar

Os grandes bancos ficaram incomodados e estão procurando alguma inconsistência no documentário recentemente publicado pela Empiricus.

Não vão encontrar.

De toda forma, é fundamental que você veja o material enquanto está no ar.

Ele realmente está incomodando os bancos, de forma que não garantimos que ficará disponível por mais tempo.

VEJA AQUI O DOCUMENTÁRIO NA ÍNTEGRA

 

1 – Por que diabos eu investiria em um fundo DI se posso comprar uma LFT?

Se você investe no Tesouro Direto, paga a taxa de custódia da bolsa, de 0,3 por cento ao ano sobre o valor investido, mais a taxa cobrada pela instituição financeira, certo? E se eu lhe disser que existe um fundo DI com taxa de administração de 0,2 por cento ao ano e aplicação mínima de 3 mil reais?

É certo que o gestor pode lançar algumas taxas adicionais no fundo. Ano passado, por exemplo, descontadas todas as taxas da carteira, esse fundo DI teve retorno de 13% antes dos impostos. E o título público? Se a corretora em que você investe não cobra taxa de administração – confira aqui – então, o título rendeu 12,94 por cento brutos.

E o imposto? As alíquotas são exatamente as mesmas para cada prazo. Mas o fundo não é taxado só no resgate (sacanagem!). Ele sofre a mordida do come-cotas, uma tributação semestral. Sendo assim, a balança pende levemente para a LFT se sua corretora não tem cobrança e se seu fundo tem taxa maior do que 0,2 por cento (para patrimônios muito grandes, ela pode cair bem).

Como o retorno quase empata e o fundo pode ter resgate um pouco mais rápido – muitas vezes no mesmo dia – escolha a opção que for mais confortável para você.

Importante! Se você investe via banco, há uma taxa da corretora. Caixa e Santander cobram 0,4 por cento; Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, até 0,5 por cento. E aí, meu amigo, o fundo DI de taxa baixa indicado por nós já ganhou. Próximo!

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2 – Por que eu compraria um multimercado se ele está cheio de NTN-Bs?

Um discreto gestor de multimercados, que admiro muito, me disse esses dias para eu recomendar que invista em NTN-Bs e LTNs em vez de colocar dinheiro no fundo que ele gere. “E como o investidor vai saber a hora de sair?”, perguntei. “Você conta para ele”, disse.

E se a investidora for uma dentista e viver no consultório em cirurgias? Ou um neurologista em um congresso na Suíça? Ou um ambientalista no meio da Floresta Amazônica? Aí, melhor o fundo, concordou o gestor.

De fato, os multimercados estão recheados de LTNs e NTN-Bs agora, a primeira com uma taxa prefixada e a segunda com uma “pré” mais a variação da inflação. Mas, antes que você consiga se mexer, pode ser que eles convertam essa posição em dólar. Ou em bolsa.

Além de saber o vencimento certo e a hora de comprar ou vender e buscar diversificação, o gestor pode alavancar a posição, proteger-se de um revés, inclusive com ativos não disponíveis a uma pessoa física e diversificar. Pelo menos é o que se espera de um bom gestor.

Conclusão: se você pode esperar até o vencimento, está pensando na aposentadoria ou no futuro do seu filho, compre NTN-B ou LTN para carregar até o vencimento. Se você tem tempo para acompanhar o mercado, compre os títulos e leia o Palavra do Estrategista e o Empiricus Renda Fixa para saber a hora de vender.

Se você não tem tempo para acompanhar o mercado, mas quer aproveitar o movimento de valorização de curto prazo, invista em um bom multimercado. Ruim não serve.

3 – Há algo nesta galáxia melhor do que LCI e LCA?

 Existe quase um fetiche pelos produtos isentos. O ditado dos novos tempos é: isento, até injeção na testa! Se tem proteção do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), então, aí não há páreo no mundo dos investimentos.

Pera lá. Concordo que LCIs e LCAs podem ser belos investimentos. A LCI mais rentável do último relatório de renda fixa da Empiricus tem prazo de seis meses e rende 94 por cento do CDI. Para uma aplicação de até 250 mil reais (e assim com proteção FGC) e sem necessidade de liquidez, difícil competir com a Marilia.

Para resgate em seis meses, o imposto sobre o fundo é de 20 por cento. Então seria necessário um fundo que, depois das taxas, rendesse 117,5 por cento do CDI. Ponto para as letrinhas.

Como eu fiz essa conta? Dividi o percentual do CDI pago pelo título – 94 – pela parcela do retorno do fundo que o governo vai deixar para você – 80 (100 menos 20) – passados seis meses. O resultado multipliquei por 100. É o que o fundo precisa render para valer a pena aplicar nele.

Se você tem acesso a LCIs e LCAs com esse nível de retorno e pode esperar por seis meses (títulos de crédito privado nem sempre têm liquidez fácil), a maior parte dos fundos conservadores de fato perde nessa comparação.

Então devo colocar todo meu dinheiro em letras de crédito? Calma. Que tal separar um pedaço do portfólio para produtos de maior risco em que, sim, você pode ganhar mais do que isso? Um exemplo? O fundo multimercado da gestora Garde, que já foi nosso Cota Cheia, rendeu 138 por cento do CDI nos primeiros seis meses deste ano.

Bom lembrar que em geral as letras têm o retorno indexado ao CDI. E que quando o juro cair ali na frente, elas vão perder em rentabilidade. Aí talvez você se sinta seduzido por um pouco mais de risco.

E, só para fechar, você já deve ter percebido que as boas opções de LCIs e LCAs estão cada vez mais escassas. Falta lastro para novas emissões e os bancos públicos não estão tão generosos quanto outrora. Pode ser que você precise recorrer a outros ativos para complementar o portfólio. Que tal espiar fundos?

“Eu vos anuncio o Super-Homem”, diz Zarathustra ao povo no livro de Nietzche. Já o Zarathustra brasileiro, fundo da gestora Zeitgeist Tech, prefere não apostar as fichas na capacidade humana de prever cenários. Fia-se no comportamento histórico dos ativos, que busca prever por meio de 16 modelos matemáticos, e explora ineficiências dos mercados.

Faz um mês que pergunto a todas as pessoas bem informadas do mercado que encontro o que acham do Zarathustra. Confesso que nunca havia ouvido falar do fundo antes de vir para a Empiricus e receber e-mails de você, investidor. E, a cada dez pessoas a quem perguntei, nove não conheciam também. Para cada um que sabia, metade tinha opinião formada.

Fiz uma visita à Visia e fui recebida por um dos sócio-fundadores, Jorge Laranjeira, formado em Engenharia Aeronáutica pelo ITA, com MBA em Finanças e Estatística em Wharton e 15 anos em instituições financeiras como J.P. Morgan, Merrill Lynch e UBS. Ele está acompanhado de um time de nerds bastante competente: um engenheiro de produção, um naval e um elétrico.

Confiaria todo o meu patrimônio à equipe do Zarathustra caso o objetivo fosse construir o edifício mais alto do mundo em cima de um barco em um mar revolto. Mas confesso o desconforto da nossa análise com fundos em que o investidor não consegue compreender exatamente a estratégia.

Cada modelo matemático é desenvolvido por até sete meses. E eles servem de base a operações em dólar, juro, commodity e opções de ações. A gestora opera somente ativos líquidos, segundo Laranjeira, e todos os modelos têm regras de saída bem definidas. Se uma operação come na largada 2 por cento do patrimônio do fundo, ela é desmontada, diz o gestor.

O retorno histórico parece um reloginho. O fundo foi criado em 2012. Em todos os seus anos completos de história – 2013, 2014 e 2015 –, o retorno ultrapassou 20 por cento. Este ano está longe do fim e o ganho, mais uma vez, já passa de 20 por cento. Mas, você sabe, retorno passado não deve ser seu único guia.

O Zarathustra chegou a ter prejuízo de cinco por cento em um único mês. E ganho de 13 por cento em 30 dias, justo dizer. O que quero dizer é: estamos falando de volatilidade. E os próprios gestores fazem questão que você entenda isso.

E se o comportamento histórico deixa de se repetir? Os poucos fundos quantitativos brasileiros comportaram-se muito mal, por exemplo, no período de maior intervenção do governo na economia. Em 2012, dos 37 fundos quantitativos, somente 12 bateram o CDI.

A estratégia quantitativa, ou sistemática, é muito maior em mercados de fundos mais desenvolvidos, caso do americano. E é daí que vem o nome Zarathustra, diz Laranjeira: ele foi um profeta que anunciou a nova filosofia. Mas fora os quantitativos, dividem opiniões.

A taxa de performance do Zarathustra é uma das mais altas do mercado – o gestor leva 27,5 por cento do que ultrapassar o CDI. Mas a taxa de administração, em compensação, é bem baixa, de 1 por cento ao ano. Ou seja, o gestor é bastante estimulado a perseguir retorno.

Fiquei contente de saber que o Zarathustra acaba de fechar temporariamente para novas aplicações. Um dos maiores desafios de um fundo quantitativo é conseguir replicar as estratégias à medida que o patrimônio cresce.

O fechamento, aos 62 milhões de reais de patrimônio, o que é pouco, mostra a responsabilidade do time com o limite da estratégia. E me ajuda a convencê-lo a entender melhor o produto, assim como o fundo de ações que a Zetgeist estuda lançar, antes de decidir aplicar nele. Ou ajustar a posição, se tiver deixado lá uma parte muito grande do patrimônio.

Não temos nada contra tecnologia e modelos matemáticos. Aliás, os fundos quantitativos têm a vantagem de ser bastante descorrelacionados com os demais, ou seja, complementam bem o portfólio.

Dito isso, a estratégia quantitativa o atrai: você confia piamente nos engenheiros do ITA, não se incomoda em não entender muito bem o que acontece dentro do fundo? Então sugerimos que esse seja o destino de uma pequena parcela do seu portfólio – aquela da qual você não vai precisar no curto prazo e que não vai sofrer se tudo der errado ali na esquina.

 

Um recado para a Neudma

“Luciana, por favor. Converse com a minha mulher. Ela está aplicando no Bradesco” .
Bayard C.

 

O Bayard fez esse apelo no domingo, depois de assistir à denúncia sobre o Esquadrão Bancário da Taxa Abusiva. Você já viu? Neudma, esse recado é para a senhora. Está na hora de sair do Hiperfundo. De cada 10 mil reais que a senhora aplica lá, o Bradesco leva 390 reais por ano. Nós indicamos um fundo muito similar para nossos assinantes, em que o gestor leva 20 reais.

Ainda está em dúvida? Escreva para fundos@empiricus.com.br.

 

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Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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