Diversificado pero no mucho

O mais genial alocador do mundo ficaria preocupado ao ler minha caixa de e-mails

Diversificado pero no mucho

No começo da década de 70, a Fundação Clark, construída com fortunas provenientes da Avon – sim, as revistinhas dão dinheiro! – decidiu que deveria diversificar seus investimentos para além do negócio de venda de cosméticos a potes plásticos.

A fundação escolheu o prestigioso J.P. Morgan para fazer o serviço. O gestor vendeu uma parte das ações da Avon e, com o dinheiro, seguiu uma estratégia que vinha dando certo para seus clientes: comprou ações do à época chamado “Nifty Fifty” – elegante grupo de 50 empresas sólidas e de elevado crescimento negociadas na Bolsa de Nova York, do qual fazia parte a própria Avon.

Um colapso, porém, espreitava as cinquenta notáveis na esquina, no começo da década de 80. Uma crise atingiu em cheio as ações de qualidade. Assim como subiram juntas ao longo da década anterior, Avon e as demais deram-se as mãos e afundaram unidas, com desempenho inferior, inclusive, à média da Bolsa.

Mesmo quando os investidores fazem esforços de boa fé para diversificar o portfólio, os resultados muitas vezes desapontam – conclui David Swensen, o gênio da alocação que, além de ocupar um lugar de honra na minha estante de livros, cuida do endowment de Yale. O fundo que sustenta a universidade americana rendeu US$ 15,6 bilhões de dólares ao longo de 23 anos sob seu comando acima da média de seus pares.

Entretanto, há uma explicação para o desapontamento. A verdadeira diversificação requer ter ativos que respondam de formas diferente às forças fundamentais que dirigem os mercados, diz Swensen.

Ou seja, se for cair um temporal, de nada adianta eu sair de casa carregada com protetor solar, óculos de sol e chapéu de praia!

Acho que Swensen ficaria preocupado ao ler minha caixa de e-mails.

Nela, tem gente que diversifica entre três títulos públicos de diferentes tipos e vencimentos. E também aqueles que compram cinco fundos de ações de gestores que compartilham uma cervejinha no Leblon e, coincidentemente, têm entre as maiores posições Itaú e Equatorial.

Há um terceiro tipo: os que diversificam em cinco fundos multimercado que, por sua vez, estão em diferentes vencimentos de títulos públicos que vão ganhar com um afrouxamento adicional na política monetária brasileira. Afinal, é óbvio que os juros vão cair.

Não é uma miopia só nossa. Swensen fez um estudo com os fundos das universidades americanas e concluiu que, em média, mais de quatro quintos (ou 80 por cento) do portfólio vão andar para o mesmo lado, ao sabor dos fatos econômicos.

E como diversificar de verdade? A estratégia mais simples é adicionar ativos estrangeiros à carteira, diz Swensen. É um começo, para o portfólio não ficar sujeito somente aos humores brasileiros.

recomendamos uma exposição permanente a dólar como diversificação, mas a distância entre um brasileiro não milionário e ativos no exterior ainda me incomoda.

Até tem um fundo global aqui no forno para ser recomendado na semana que vem, depois de uma longa análise, mas a regulamentação impõe que o investidor tenha pelo menos 1 milhão de reais investido para acessá-lo, o que lamento (a vinda do João para a Empiricus também vai ajudar com isso, mas não sei se já pode contar).

Swensen aponta outros caminhos de diversificação também, como fundos imobiliários.

E é sempre bom lembrar que dentro de uma mesma classe de ativos há diferentes estratégias. Se você quer investir em dois fundos de ações, mescle gestores que investem em empresas consolidadas com aqueles que estão atrás de boas-novas.

Se vai ter três multimercados, misture perfis mais direcionais domésticos com globais, assim como gestores que negociam mais no curto prazo com os que estão de olho em 2020.

Se vai investir diretamente em ações, mescle small caps com ações de qualidade.

A lição de Swensen é esta: busque ativos com alto potencial de retorno, mas que sigam padrões diferentes.

O pensamento imediato é que somar vários ativos de muito risco levará você a um risco absurdo, mas a combinação deles pode, na realidade, reduzir seu risco. Isso se eles se moverem de forma diferente.

Para diversificar de verdade, é preciso lutar contra nossos neurônios. A diversificação nos traz a sensação de caos.

Uma amiga que entende tudo de moda me disse esses dias que combinar diferentes tons de uma mesma cor no vestuário transmite uma sensação de elegância ao espectador: “Amarelo com roxo só no fim de semana”.

No mundo dos investimentos, combinar amarelo com roxo não só pode, como deve.

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O Bradesco e seus executivos vão pagar à CVM 1,5 milhão de reais para encerrar dois processos administrativos.

O órgão regulador responsabilizou o banco por manter “taxa de administração em patamar incompatível com os objetivos de investimento, inviabilizando que a rentabilidade do fundo se aproximasse aos objetivos previstos em regulamento”.

Um dos fundos em questão, o Bradesco Curto Prazo Fácil, tinha taxa de administração de 6 por cento ao ano!

A CVM selou o acordo considerando que ele seria oportuno e conveniente para desestimular condutas dessa natureza. Que sirva mesmo de exemplo.

 

“Tenho 63 anos e 300 mil reais numa poupança do Bradesco e 400 mil reais numa poupança da Caixa… Olhando para o futuro, penso que se essa grana da poupança acabar, vou ter que vender um imóvel para me bancar. Até quando essa conta vai fechar?” Viviana F.

Viviana, nos últimos dois anos, seus 700 mil reais renderam na poupança 117.880 reais, o que, dividindo por 24 meses para simplificar, garantiu à senhora uma renda mensal de 4.912 reais, certo?

E se esses 700 mil reais tivessem sido investidos em um dos fundos DI recomendados por nós? Então, depois de impostos e taxas, o rendimento teria sido de 167.790 reais. Ou seja, 6.991 reais por mês.

Foi uma renda mensal adicional de 2.079 reais, sem correr mais risco, jogada no lixo. Agora entendo por que a senhora colocou no assunto do e-mail “Para a Luciana perder o sono”.

 

Haja melatonina…

Vejo centenas de mulheres jogando dinheiro fora como a Viviana, achando que estão sendo conservadoras ao investir. Parece-me o caminho direto e reto para ter que depender de alguém financeiramente no futuro.

Pensando nisso, lancei o Sexo Antifrágil, o primeiro curso de investimentos para as mulheres baseado em ciência. Clique aqui para reservar o seu lugar.

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