A fórmula secreta dos grandes gestores de ações

Os responsáveis pelos 15 melhores fundos de renda variável do país conversaram conosco e vão virar livro

A fórmula secreta dos grandes gestores de ações

Na bolsa, ninguém acerta sempre. Todos ganham e perdem. Há, entretanto, os que acertam muito mais do que erram. E fazem fortunas em bolsa. Qual é o segredo deles? Ao desejo de entender isso somou-se a ansiedade do Felipe Miranda, nosso estrategista que você já conhece. Ele me propôs um desafio quando coloquei os pés na Empiricus.

Moleza: convencer os maiores e melhores gestores de fundos de ações do País, muitos deles avessos a holofotes, e sem motivos para aparecer – já que gerem fundos fechados –, a revelarem seus acertos e erros, o que aprenderam com eles e que processo derivou daí para seleção de companhias na bolsa. Daí vai nascer o livro do ano, disse o Felipe.

Mais fácil pedir à Coca-Cola para revelar sua fórmula. Esse fundador da Empiricus é meio doido, pensei, acho melhor eu me aproximar do Rodolfo, a serenidade da dupla. E respondi… que sim, claro, vou fazer (sabe como é primeiro dia no emprego).

O fato é que, menos de seis meses depois, com muito suor e uma generosidade incrível dos gestores de ações brasileiros, temos cerca de 40 horas de gravações (que viraram preciosas 300 páginas sobre as quais tenho me debruçado) de conversas profundas com um time de experts da bolsa. Vou listar os entrevistados, porque vale a pena:

André Ribeiro – Brasil Capital
Bruno Rudge, Luiz Orenstein e Pedro Damasceno – Dynamo
Dório Ferman – Opportunity
Fabio Alperowitch – Fama Investimentos
Flávio Sznajder – Bogari Capital
Guilherme Affonso Ferreira – Teorema
Florian Bartunek – Constellation
José Zitelmann – BTG Pactual
José Carlos Magalhães – Tarpon Investimentos
Leivi Abuleac e Sérgio Carettoni – Vinci Partners
Leonardo Linhares – SPX Capital
Pedro Cerize – Skopos Investimentos
Pedro Sales – Verde Asset Management
Ralph Rosenberg – Perfin Investimentos
Roberto Vinhaes – IP Capital Partners

Timaço, não? A ótima notícia é que todas essas entrevistas vão virar livro, que já está no forno e tem até nome: Conversas com gestores de ações brasileiros. Foi também ideia do Felipe, inspirado no livro Conversas com economistas brasileiros, do José Marcio Rego. O gringo Market Wizards, de Jack Schwager, foi outra inspiração.

O melhor presente que a Empiricus poderia dar a você, investidor: os passos para você também fazer dinheiro em bolsa.

Com essa coleção incrível em mãos (aproveito para dizer ao Felipe que, em troca, ele me deve um belo prefácio), não vou resistir a dar uma palhinha. Impossível resumir aqui, mas vou adiantar um pouco do que ouvi sobre os processos desses gestores, que gerem nada menos do que 26,17 bilhões de reais na bolsa brasileira.

De olho nas notas de rodapé

O que você deve olhar quando avalia o balanço de uma companhia? O retorno? O lucro? O Ebitda? As notas explicativas, ensinam os gestores da Dynamo. Ali está o que a empresa não quis contar, mas o auditor obrigou a enfiar em algum lugar.

“Contabilidade não é uma ciência exata”, diz Leo Linhares, da SPX. Há uma liberdade nos cálculos e existe informação na forma como a empresa faz uso dela. Uma contabilidade mais conservadora ou mais agressiva conta uma história.

“Os grandes investimentos não são feitos porque você acertou exatamente um número”, diz Leo na entrevista para o livro, “mas existem grandes erros que são cometidos em bolsa pelo desconhecimento de contabilidade”.

Estão Destruindo O Projeto De Vida Da Sua Família

Dos 2.610 planos de Previdência Privada analisados, os famosos VGBL/PGBL, somente 5 podem lhe garantir uma renda digna no futuro.

Todos os demais, oferecidos principalmente pelos Grandes Bancos, estão destruindo o projeto de vida da sua família.

Conheça imediatamente este estudo para não terminar na miséria.

QUERO CONHECER O ESTUDO

Sola de sapato

No processo de decisão para investir em M. Dias Branco, Fabio Alperowitch, da Fama, entendeu em conversas com consumidores e fornecedores por que a empresa pouco conhecida pelo consumidor (e desprezada pelo acionista) do Sudeste fazia um sucesso estrondoso no Nordeste.

Além da poderosa rede de distribuição para comércios de pequeno porte, feita em pequenos carros, havia um segredo nos ingredientes: o cream cracker substitui com frequência o pão na mesa do nordestino. E o fato de o biscoito da M. Dias Branco ser amanteigado elimina a necessidade do complemento – uma compra a menos.

Também na linha de experimentar, os analistas da Constellation, contou Florian, já fizeram o vestibular da Kroton. E o estagiário foi eleito para ser representante da Natura (e obrigado a vender os produtos a preço de custo para os colegas).

Na Tarpon, que leva a participação na vida da companhia ao limite, três sócios dedicam as noites e fins de semana a dar aulas na Somos Educação, empresa no portfólio.

Vem daí também o conselho de Pedro Sales, gestor de ações da Verde Asset, para o investidor: “O que você faria se fosse comprar um posto de gasolina? Certamente teria uma lista de pontos a ser avaliada. O mesmo dever de casa deve ser feito ao comprar uma empresa em bolsa. A ação não é um ativo abstrato, é um pedaço de uma empresa”.

Gente, gente e gente

Gente boa faz toda a diferença. E gente ruim também, aprendeu o André Ribeiro, gestor da Brasil Capital. Não duvide da capacidade de uma empresa de destruir valor ao longo do tempo por causa de uma equipe ruim na direção.

Para selecionar as ações que entram no Absoluto, do BTG Pactual, José Zitelmann não acredita na história do CEO super-herói, que veio de fora para transformar a empresa. Companhias que têm o quadro estável e uma cultura forte tendem a surpreender mesmo quando parecem caras aos olhos da maior parte do mercado, diz.

Não se esqueça do histórico, ensina Dório Ferman, do Opportunity. “Aquele que roubou no passado vai roubar depois. E aquele que foi incompetente no passado provavelmente vai ser incompetente no futuro”. Simples assim.

Controle do risco

Grande parte dos gestores de sucesso protege-se de alguma forma do cenário adverso, seja via opções ou diversificação. Ralph Rosenberg, gestor da Perfin, prefere uma empresa com potencial de subir 50 por cento e de cair 15 por cento a uma que pode subir 150 por cento, mas que, se der tudo errado, corre o risco de cair 50 por cento.

A paciência

Flávio Sznajder, da Bogari, aprendeu da pior forma possível a ter paciência com a bolsa. Ele carregou um de seus primeiros investimentos em bolsa – Brazil Realty, hoje Cyrela – entre 1998 e 2003. Chateado com o prejuízo, vendeu tudo. E assistiu de fora à multiplicação do valor da empresa por 30.

Hoje o Flávio se blindou: ele prefere não ver todos os dias o resultado do fundo que gere. “Porque, senão não dá para trabalhar. Esperar o longo prazo passar é muito chato e a ansiedade atrapalha suas decisões”, diz. Viu? Ele é humano como nós.

O Roberto Vinhaes, da IP, definiu bem o comportamento errado do investidor brasileiro em bolsa. É comum por aqui a ideia “vou dançar perto da porta; quando começar o tiroteio, eu saio correndo”.

Tem de participar

Cada vez menos gestores participam dos conselhos de administração das empresas em que investem, principalmente pelas travas para comprar e vender. Guilherme Affonso Ferreira, entretanto, defende que o acionista tem de participar da vida da companhia. A fórmula dele é: encontrar um setor que tenha problema e tentar destravar valor com a mão na massa.

Leivi Abuleac, da Vinci, ensina a fazer ativismo com educação, sem estrebuchar, ou a empresa não vai abrir o jogo. Haja autocontrole ao ouvir do presidente de uma companhia em que investia, ao questionar por que ele próprio não comprava as ações da empresa, um inesperado “Deus me livre!”.

A sorte e a intuição

Há uma boa dose de intuição no processo de seleção de ações, os gestores confessam. Mas, como diz o Pedro Cerize, da Skopos, o que é a intuição se não a manifestação de um monte de conhecimento escondido?

Você sempre me pergunta sobre fundos de dividendos. Vou aproveitar o ensejo do livro para contar um pouco do exemplar mais conhecido da classe: Vinci Gas Dividendos FIA.

O gestor é Gustavo Kataguiri, mas por trás do fundo estão os veteranos da bolsa Américo Breia, Leivi Abuleac e Sérgio Carettoni (entrevistados no livro, diga-se de passagem). O trio tinha a própria gestora, Gas, incorporada pela Vinci Partners em 2010 por um desejo dos sócios de deixar a burocracia administrativa de lado e cuidar só do que lhes desperta paixão: escolher ações.

O fundo da Vinci dedica-se a comprar empresas boas pagadoras de dividendos. Por esse mandato, o portfólio é recheado de empresas com estabilidade de receita, que não serão em geral as que mais vão subir em um momento de alta da bolsa, mas que se defendem bem nas quedas, com menos volatilidade no meio do caminho.

Até o ano passado, o fundo distribuía os dividendos aos cotistas em vez de incorporá-los à cota. A proposta era ótima para o investidor: o provento estava isento de Imposto de Renda, como acontece quando uma ação paga dividendos.

A Vinci era uma das poucas gestoras do mercado a adotar a prática, ruim para o gestor: ao distribuir, a casa era proibida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de considerar o dividendo como retorno, o que a prejudicava em rankings de rentabilidade.

Lamentavelmente, em agosto do ano passado, uma instrução normativa da Receita Federal trouxe uma interpretação diferente: dividendos são um ganho do fundo e, portanto, devem ser tributados. Diante disso, os proventos passaram a ser incorporados à cota.

O perfil do fundo da Vinci segue, entretanto, o mesmo. É uma carteira defensiva, para quem quer colocar um pé na bolsa, mas tem receio de forte volatilidade e de grandes ousadias na seleção de ações.

Em uma simulação com dividendos incorporados ao patrimônio do fundo entre 2005 e 2015, o retorno anualizado foi de 19 por cento contra 6 por cento do Ibovespa no período.

No saco do Papai Noel

O livro tem muito mais do que pude descrever aqui. Tem os segredos para comprar e vender ações na hora certa, tem lágrimas, arrependimentos e fortunas construídas em pouco tempo.

Não vejo a hora de compartilhar tanto conteúdo valioso com você. Segure um pouco mais a curiosidade porque o livro sai até o fim do ano.

Encerro com minha versão “criança descabelada” para desejar um feliz dia atrasado ao seu filho! Falando nisso, já viu a conversa da educadora financeira Cássia D`Aquino com a Beatriz e a Olivia? Imperdível para quem quer educar um futuro investidor.

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Um abraço,
Luciana Seabra

 

Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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