Borboleta!

Esse texto é para você, que, ao ouvir falar em fundos de investimento, se sente como eu me sinto ao fazer a posição "borboleta" na academia.

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Borboleta!

“Borboleta!” – ordenou o Rafa. A primeira imagem que me veio à cabeça foi a daquela sofisticada operação com opções para proteger o portfólio. Depois pensei que talvez uma borboleta tivesse passado pela fresta da janela da academia. Mas não encontrei.

O Rafa seguiu me encarando, eu sentada no colchonete, naquele típico desconforto dos iniciantes que não sabem onde colocar as mãos. Reagi. Posicionei-me, puxando os pés para perto do corpo, formando com as pernas as asas da borboleta: a volta do cérebro à infância foi quase palpável: “Borboletinha, foi pra cozinha…”. Ufa!

O alongamento da musculação me rendeu um estalo: faz anos que tive minha primeira experiência como investidora, mas provavelmente foi algo tão novo para meu cérebro quanto aquele momento. Esse texto é para você, que, ao ouvir falar em fundos de investimento, se sente como eu no colchonete. Perdida ou perdido. Se já passou dessa fase, pule diretamente para o Cota Cheia. Se não, siga comigo.

Começar no mundo dos investimentos por meio dos fundos foi muito bom para mim. Um fundo é simplesmente uma galera investindo em conjunto. É como se eu, você e mais o pessoal do happy hour rachássemos os custos de contratar um profissional que vai cuidar da grana pra nós.

Criamos regras, claro, expressas em um regulamento. Esse gestor vai poder investir em quê? Vai ser um fundo que somente tem títulos de dívida do governo? Ou que deve escolher as melhores ações da Bolsa? Ou ele pode ser um fundo multimercados, com Bolsa, juros e câmbio? E é bom ter alguém para regular essa bagunça, né? A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) faz esse papel no Brasil.

Antes que você corra para juntar uma galera (na realidade, a burocracia torna a história que contei acima um pouco menos fluida), outras pessoas já fizeram isso e têm um histórico de retorno interessante. Por que não se juntar a elas?

Ao acompanhar as cartas dos fundos e entender como esses profissionais trabalham, aos poucos você pode se animar a buscar uma consultoria para investir seus próprios ativos diretamente. A Marília pode ajudar você com a renda fixa. O Sérgio Oba pode ajudar com ações de empresas mais consolidadas, no Vacas Leiteiras.

Não digo que esse é o caminho necessariamente melhor. Apenas foi o que funcionou para mim. E é um começo.

Optou pelo mundo dos fundos? Por onde começar? Por uma reserva de emergência. Multiplique seu custo mensal por três caso seu chefe ame você. Multiplique por 12 se você acha que há grandes chances de estar no olho da rua amanhã. Escolha algo entre três e 12 se você não está em nenhum dos extremos.

Agora sugiro que você tome esse dinheiro e invista em um fundo DI que somente aplica em títulos públicos – bastante conservador – e que tenha taxa de 0,2% ao ano. Se você precisar de uma mão para encontrá-los, posso ajudar você aqui.

Se sua reserva de emergência não ultrapassa os 500 mil reais, você infelizmente não vai encontrar um fundo DI tão barato no seu banco. Você vai ter que abrir conta em uma corretora. Bateu pânico? É tão simples quanto comprar livro online ou assinar a Netflix – entra no site, preenche lacunas, responde perguntas e pronto!

Fez isso? Então hoje você se tornou um investidor ou uma investidora. Sugiro que agora comece a flertar com fundos multimercados e de ações. Uma coisa de cada vez.

A poupança é a principal muleta de quem ainda tem medo de investir. Já vou me antecipar, porque hoje é dia de divulgação da meta para a Selic, quando são publicadas várias matérias dizendo que a poupança voltou a ser melhor do que o fundo DI. Você na certa se lembra de que isso aconteceu da última vez que o Banco Central cortou a meta dos juros para 8,25%, em 6 de setembro.

Vamos tirar a prova? Se eu tivesse investido 1.000 reais na poupança no dia 6 e precisasse do dinheiro hoje, quanto teria rendido? Nada. A poupança só rende depois de 30 dias, diferentemente do fundo DI, que tem retorno diário.

Sejamos mais legais com a poupança. E se eu tivesse investido os 1.000 reais em 26 de julho, quando a meta para a Selic caiu a 9,25%, e precisasse deles hoje? Eu teria 1.007,90.

E se o dinheiro tivesse sido colocado no fundo DI de taxa 0,2% ao ano, recheado somente de títulos públicos? Sacaria hoje 1.015,97 reais. Sim, mesmo depois de descontado o imposto, de 22,5% sobre o retorno para saques em menos de seis meses.

Logo, cota cheia para o fundo DI barato. Imagine a diferença no longo prazo e para um montante maior.

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De fato, para quem curte um fundo DI caro, a poupança parece mais atraente.

Você se lembra do Hiperfundo Bradesco, personagem da minha primeira batalha na Empiricus contra os fundos caros? Diante da queda recente da Selic, ele passou a perder para a caderneta antes mesmo de ter os impostos descontados.

Veja com seus próprios olhos o momento exato de 2017 em que o fundo DI de taxa 3,9% ao ano foi nocauteado pela poupança no gráfico abaixo, que gerei no Quantum Axis.

Bradesco, eu sei que o fundo sorteia carro e tal, mas ficou feio. Acho que passou da hora de tomar uma atitude.

 

HELP!
Se você conhece alguém que ainda está na poupança – ou pior, no Hiperfundo Bradesco – por favor repasse esta mensagem. Você deve conhecer. Afinal, o fundo tem 3,3 bilhões de reais de 308.381 investidores.

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