Como grandes gestores estão posicionados para 2018

Há muito tempo não via os mais renomados gestores de multimercados brasileiros tão divididos. Confira como eles estão posicionados para 2018.

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Como grandes gestores estão posicionados para 2018

Se 2017 foi samba de uma nota só, 2018 vai cansar o violeiro. Os gestores de multimercados tocaram neste ano a música que sabem de cor – a maior parte deles posicionou-se em juros para ganhar com o ciclo de corte. Já o coro que vai abrir 2018 é muito mais desafinado.

Há muito tempo não via os mais renomados gestores de multimercados brasileiros tão divididos. De forma bastante simplificada, dentre conversas com o mercado e leituras de cartas, identifico pelo menos três tons:

1. Preocupe-se com Brasil e EUA (mas só no segundo semestre)

A SPX, por exemplo, divide o ano em dois. Para o primeiro semestre, não vê mudança de postura no mundo nem as eleições brasileiras influenciando de maneira negativa. Os dados internos de curto prazo são bons: inflação baixa e situação fiscal melhorando, o que significa que temos mais um tempo para ser otimistas.

Passada a primeira metade do ano, o mundo pode entrar em uma dinâmica diferente, com o risco crescente de que a inflação surpreenda o Fed (o banco central americano), que será forçado a subir juros, e a disputa eleitoral se acirrando internamente.

A principal posição é em juros americanos e europeus, para ganhar com um ajuste para cima maior do que o esperado pelo mercado. A gestora também está comprada em euro e dólar. O viés positivo para Brasil não se reflete em grandes posições, diante da visão de que os preços já andaram bem.

O juro local ainda faz parte da carteira, mas com cautela, em uma aposta de ajuste: ou nossa inflação será mais alta do que está nos preços ou o juro será mais baixo. De fato, inflação baixa e juro em alta não combinam. Faz sentido, né?

2. Não se preocupe com Brasil nem com EUA

E a Adam, de Márcio Appel? Também com viés positivo para Brasil – o país está crescendo, o que por si só vai aliviar a situação fiscal – mas a oportunidade não está mais nos juros. O gestor tirou o pé dos juros locais, mas, em contrapartida, é o multimercado de destaque com maior posição em Bolsa brasileira.

Parece pouco, mas faz muita diferença no longo prazo, defende a Fidelity. E simula, por exemplo, o acúmulo de patrimônio de quem começa aos 30 anos, com um salário de 75 mil dólares anuais, e se aposenta aos 67 anos. Tal padrão de poupança e aplicações feminino vai levá-la a 196 mil dólares a mais do que o homem para gastar na velhice.

Juros ou dólar? Esqueça. “A inflação está sob controle no mundo”, considera a equipe da Adam. A gestora não está desarmada para catástrofes, entretanto. Uma cesta de moedas, que inclui franco suíço, iene e rublo, é vista com potencial de valorização no longo prazo, mas também tem servido para minimizar perdas em momentos de estresse.

3. Preocupe-se com Brasil, mas não com EUA (troque por China)

Então vamos ao fundo Verde, de Luis Stuhlberger. Esqueça o viés positivo para Brasil – a posição em renda fixa local sobrevive, mas via NTN-Bs, que embutem a proteção para o risco de inflação alta.

Lá fora? Se de fato o juro americano subir, a posição em dólar deve andar, mas esse não é o cenário principal. China perdeu um pouco de espaço no portfólio, mas segue lá: não reflete uma impressão de que o país vai explodir, mas de que o ritmo de crescimento atual é insustentável. A projeção é que em algum momento o país vai ter que diminuir a marcha e desvalorizar sua moeda. Por isso, a posição em dólar contra renminbi.

Moral da história: se nem os gênios concordam sobre onde estão as melhores oportunidades, me parece que 2018 será um ano bem difícil. Melhor escolher bem seus cavalos. Se puder diversificar a aposta, melhor ainda.


Você já sabe que o BBM é uma ótima escola – de lá saíram boa parte das equipes da SPX e também da Kapitalo, gestoras com fundos infelizmente fechados, mas que têm nossa admiração. E onde foi parar o head trader do BBM, Christiano Chaddad, depois de dez anos no banco? Ele fundou a Kondor Invest.

Hoje quero contar a você sobre um fundo multimercados da Kondor chamado LX. A qualidade da equipe de Chaddad é amplamente reconhecida no mercado. O único porém sempre foi o fato de ele evitar assumir muito risco, com volatilidade perto de 3% ao ano. Você já sabe: dado o custo de um multimercados, evitamos produtos que evitam assumir risco – é preciso ter ganhos para arcar com as taxas.

A boa notícia é que a gestora vem aumentando aos poucos o nível de volatilidade a que o fundo pode chegar. E o que não falta na Kondor são capacidade e horas rodadas para assumir mais risco – a maior parte da equipe se conheceu no BBM ou no Safra e trabalha há pelo menos cinco anos junta.

Um dos charmes da gestora é exatamente essa prudência ao assumir risco com o dinheiro do investidor. A casa está permanentemente preocupada em construir proteções ao portfólio.

Neste momento mesmo, Chaddad está preocupado. “Esse é o maior movimento de afrouxamento monetário da história. Por isso não consigo ficar tranquilo em um horizonte de pelo menos cinco anos”, disse para mim. Em cada uma das últimas crises, bancos centrais no mundo inteiro foram obrigados a baixar o juro a patamares cada vez menores, aponta o gestor. Estamos perto de zero. Qual vai ser a arma para estimular a economia se houver uma crise agora? O menor cheiro de inflação global será o sinal para que a equipe da Kondor monte suas armas contra catástrofes.

No portfólio atual, a gestora é mais uma nota diferente em nosso samba: zerou recentemente a posição em juros e Bolsa brasileira. “Só vamos tocar no mercado local agora quando tivermos um grau de convicção muito alto”, disse o Chaddad para mim.

O fundo está mais posicionado fora do Brasil, comprado, por exemplo, em Bolsa da Coreia (você sabia que a Samsung tem 25% do índice coreano?) e em moedas de países desenvolvidos, como a sueca.

Estamos de olho no fundo da Kondor versão 2.0, forte candidato a uma futura recomendação. Quer conhecer os multimercados já aprovados em nossa análise? Sua assinatura é minha única fonte de receita, o que garante minha independência na seleção. Clique aqui.

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