Hoje você não me escapa

Uma revelação e um apelo: não deixe sua reserva de emergência exposta ao risco e às altas taxas bancárias

Hoje você não me escapa

Está aí uma revelação que já me atrapalhou de fazer amigos nesta vida. E, por isso, guardo para quando o interlocutor me conhece há um bom tempo.

Então vamos lá: eu odeio cachorro-quente.

Existe uma reação padrão quando digo isso. Quem não torce o nariz diz que entende e logo emenda: você já assistiu a um vídeo que mostra como as salsichas são feitas?

Não é nada disso. Não gosto da salsicha, não gosto do molho em que ela está mergulhada e gosto menos ainda da forma como ele se infiltra no pão.

Acontece que, como uma boa mineira, minha mãe sempre foi contra recusar comida. E cachorro-quente era o cardápio de nove entre dez eventos infantis nos anos 80. Conclusão: eu era obrigada a comer cachorro-quente.

Depois de ser submetida a essa tortura por oito anos, fiz o grito da independência:

“Mãe, por favor, me obrigue a comer qualquer coisa – beterraba, brócolis, jiló – menos cachorro-quente”.

Desde então, sou mais feliz.

Guardo essa história como a primeira vez em que consegui convencer minha mãe de algo. Você não tem ideia. Na minha casa sempre vigorou o regime militar.

Lembrei desse caso enquanto buscava desesperadamente nos últimos dias uma forma de convencê-lo do que me parece óbvio. Se consegui demover minha mãe àquela altura, sinto-me forte.

Pensei em testar a mesma técnica.

Caro investidor, me obrigue a aceitar qualquer coisa – que você é completamente avesso ao risco, que nunca vai colocar o pé na Bolsa, que odeia volatilidade – menos que o destino da sua reserva de emergência seja um fundo DI caro!

E aí? Funcionou?

A reserva de emergência, você já sabe: 3 a 12 salários. Aquele dinheiro que precisa estar à mão a qualquer hora. O carro estragou, o banheiro vazou, o teste de gravidez deu positivo…

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E onde você vai investir esse colchão de liquidez? Em algo muito seguro, certo? Você tem duas opções, caro investidor. Sim, só elas. Nenhuma mais.

– Em um título público específico (a Marília vai ensinar qual);

– Em um fundo DI barato que investe somente em títulos públicos (eu vou mostrar qual).

Todas as outras opções são péssimas ideias (nem me venha com poupança, já superamos essa fase). São quase tão ruins quanto obrigar uma criança a comer cachorro-quente.

“Sou assinante da Empiricus e tenho algumas dúvidas dos anos 80. A minha carteira é: 80% no fundo Maxime DI, no Itaú, com taxa de administração de 1%, e 20% em renda variável na corretora. Fiquei meio que “preso” com esse fundo, porém, depois de ler os seus diversos relatórios, me sinto burro de continuar nele. O meu objetivo principal para este fundo é a segurança e não tenho pretensão de me desfazer deste tipo de aplicação – rentabilidade diária, seguro. Porém, a minha estratégia é acumular 4 a 5 meses de rentabilidade neste fundo, depois resgatar e aplicar na corretora com o propósito de ampliar o meu potencial de investimento. Você acha essa metodologia/estratégia errada?”
Jadson F.

A estratégia é errada, Jadson. E vou explicar o porquê.

No Maxime DI, oferecido aos clientes do Itaú Personnalité, sua reserva com objetivo de segurança corre risco de crédito.

O Maxime DI aplica em um fundo chamado Special, que, por sua vez, além de letras financeiras de diversos bancos, investe em debêntures de empresas como Cielo, BR Properties, Ipiranga, Natura, Lojas Americanas e Companhia Transudeste de Transmissão.

A informação é pública. Você pode conferir a carteira de dezembro do Maxime DI e do Special no site da CVM (a Comissão de Valores Mobiliários, que regula o setor).

Não tem problema algum em investir em crédito, desde que você seja recompensado pelo risco que corre. Os títulos de dívida de empresas sempre pagam um prêmio acima dos títulos públicos.

E quanto rendeu o Maxime DI em 2016 com essa soma de títulos públicos e privados? 13,12%.

E qual foi o retorno de um dos fundos recomendados por nós, que investe somente em títulos públicos, no mesmo ano? 13,63%.

O fundo que indicamos correu muito menos risco e rendeu mais.

Qual é o segredo? A taxa de administração. No DI do Itaú, 1%. No recomendado por nós, 0,2%. E mais: com aplicação mínima de R$ 3 mil. No Itaú, você tem que aplicar pelo menos R$ 50 mil para conseguir essa taxa.

Está preocupado com a solvência do gestor? Mas os títulos públicos estão todos custodiados na Selic.

 

Se existem fundos DI no mercado que correm menos risco e são mais baratos, o que você está fazendo no fundo DI caro? Preciso entender. Conte, por favor, no fundos@empiricus.com.br.

Um abraço,
Luciana Seabra

 

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Analistas responsáveis: Felipe Miranda, CNPI, e Walter Poladian, CFP®.

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