A nova paixão dos multimercados

A renda fixa ainda ocupa seu lugar nas casas, mas são as ações que têm arrebatado os gestores de multimercados.

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A nova paixão dos multimercados

“Que não seja imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Vinicius de Moraes

Começou timidamente, com certo rubor ao ser revelada. Foi se espraiando, ganhou terreno, virou desejo reprimido. Tomou os pensamentos, os discursos, não sem medo. E agora invadiu as cartas.

Veio dela grande parte do desempenho recente, escreve a Adam. “Mantivemos uma posição levemente comprada”, pondera a SPX. “A exposição direcional da carteira está comprada”, destaca a Kapitalo. “Acreditamos num movimento estrutural” – firma a Gauss.

Até a renomada Verde titubeia – “embora questionemos a sustentabilidade…” – porém cede, depois de meses de resistência racional: “…zeramos a maior parte dos hedges do nosso portfólio de ações brasileiras”.

Em bom português: Luis Stuhlberger (assim como o restante do Itaim e do Leblon) está comprado em Bolsa brasileira!

O último bastião entrega-se à Bolsa em meio à ausência de fundamentos típica das paixões: “O fato de o governo Temer ser o mais impopular da história é irrelevante, e a liquidez global dá ao Brasil passe livre para não fazer reformas (por ora)”.

Depois veremos.

A renda fixa ainda ocupa seu lugar nas casas – especialmente os prefixados com vencimento em 2019 – mas são as ações que têm arrebatado os gestores de multimercados. E olha que eles não têm lá muito histórico de se aventurar na renda variável, embora rejeitem essa fama pudica.

A Adam foi além, declarando o fim de um amor antigo: a tacada mais relevante de setembro, revela, foi “a finalização, durante o mês, da posição aplicada em renda fixa local”.

Sim, o amor tem seus perigos, não há dúvida. Corações calejados que se protejam. E os novatos também – se é que esse conselho teve ressonância em algum momento da história da humanidade.

E quem disse que o amor não dói?

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O Antagonista revelou ontem o plano de previdência em que Luiz Inácio Lula da Silva depositou 1,2 milhão de reais tendo Marisa Letícia como beneficiária. Presidente, como hoje estou neste clima paz e amor, vou analisar o seu fundo.

O fundo que recheia o seu VGBL chama-se Brasilprev RT FIX C FIC Renda Fixa. Desde que foi contratado, em maio de 2014, rendeu 95,11% do CDI.

Não é uma maravilha de retorno para um período tão profícuo (na renda fixa e na Bolsa), mas, se sua intenção era um fundo conservador, a taxa de administração, de 1% ao ano, é honesta – já vi de até 3,4% na mesma seguradora.

Está certo que, para esse volume de recurso, o senhor poderia ter conquistado uma previdência com taxa 0,7% ou 0,8% ao ano. Sim, existe, na mesma seguradora: se tivesse investido no Brasilprev RT FIX VIII (agradeceríamos nomes mais criativos), o senhor teria alcançado 98,16% do CDI correndo o mesmo risco.

Seja como for, já vi piores. Brasilprev, rola democratizar o gerente “bom pra todos” do senhor presidente para os demais investidores?

 

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