Nem todos os cisnes são brancos

a análise de um fundo que protege o portfólio por meio de opções, assim como a gente gosta

Nem todos os cisnes  são brancos

Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O sol estava quente
Queimou a nossa cara

A Bolsa vai subir para sempre, os títulos prefixados vão se valorizar eternamente, todos os cisnes são brancos. Certo?

Brasília não é grande, mas também não é um interior. Desde que um amigo foi pego em flagrante com outra pela namorada, que, pasmem, não estava a investigá-lo, mas saía do bar em frente abraçada com outro sujeito, dou mais bola para o inesperado.

Qual a chance?

Você já ouviu falar dos cisnes negros de Nassim Taleb? Nada a ver com a bailarina de Natalie Portman. O fato é que só existiam cisnes brancos no mundo. Até que alguém se deparou com um cisne negro.

O cisne negro é a metáfora para um evento imprevisível e de importância decisiva.

Você acredita que meus amigos descobriram naquele momento que foram feitos um para o outro? Sim, estão casados.

O Banco Central acelerou o ritmo de corte de juros, alguns indicadores – como o de confiança da indústria – começam a mostrar sinais de recuperação, o presidente Temer parece ter condições políticas para aprovar reformas, a Bolsa aparenta não ter teto, alguns fundos já ultrapassam 20 por cento de ganho no ano…

A pergunta é: existe Carnaval sem Quarta-feira de Cinzas?

Desculpe estragar a festa. Há riscos no horizonte, principalmente externo.

Enquanto você comemora os ganhos fartos de seu título prefixado, avança como candidata à presidência da França Marine Le Pen, que gostaria de retirar o país da União Europeia.

Se você se lembra bem, o Reino Unido decidiu, em referendo em junho de 2016, deixar a zona do euro. E os mercados sofreram.

Ouvi de um gestor esses dias que, se a França também pular para fora do cinturão do bloco da União Europeia, o sistema financeiro italiano explode em 3… 2… 1…

Bata um papo com o Ricardo sobre China e você também ficará preocupado.

Eu poderia ficar aqui a listar algumas opções de cisnes negros no horizonte, não fosse o fato de que Taleb me censuraria.

“Não tente prever Cisnes Negros precisos – isso tende a deixá-lo mais vulnerável aos que não previu”.

Quem poderá me defender?

“Invista em preparação e não em predição”, diria também Taleb.

Os fundos de investimento podem ajudar você a se preparar para o imprevisto.

Em 9 de novembro do ano passado, você bem lembra, Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos, contrariando a expectativa de um ser apelidado de mercado. No dia seguinte, fundos multimercados renomados tiveram prejuízos que ultrapassavam 1 por cento. E um fundo de dólar rendeu 4,92 por cento.

Percebe que, com uma alocação pequena em dólar, você poderia ter amortecido o prejuízo em um momento de incerteza?

Com 1 mil reais, você já consegue acessar um fundo de dólar barato.

Ignorar a existência de cisnes negros torna você frágil. E eu quero te ver forte.

É por isso que Taleb – e seu disseminador no Brasil, Felipe Miranda, que você já conhece – defende que o portfólio deve ter proteções.

Se Taleb tivesse que colocar dinheiro em um fundo multimercados em terras brasileiras, suspeito que escolheria o CSHG Gauss.

O estilo da equipe de gestão certamente brilharia tanto aos olhos do autor do Cisne Negro quanto encantou Felipe ao ouvir o gestor, Fabio Okumura, apresentar seu modo de operar em um evento de mercado.

Marquei um café com a equipe da casa, que acompanhava à certa distância desde o nascimento, em outubro de 2014.

Para gerir o Gauss, Okumura, que já foi chefe da mesa de trade do Deutsche Bank, reuniu um grupo de traders com os quais trabalhou no passado, em casas como a tesouraria do Itaú BBA.

Das mãos de tesoureiros já nasceram gestoras altamente qualificadas, como Garde, Kapitalo e SPX. A adaptação, entretanto, pode ter atritos. O capital do banco aguenta mais desaforo, por exemplo, e não é preciso lidar com o entra e sai de investidores.

De fato, o primeiro ano da Gauss não foi brilhante. O fundo rendeu em 2015, 9 por cento, abaixo dos 13 por cento do CDI. Já 2016 foi bem mais bonito, com ganho de 25 por cento, contra 14 por cento do referencial. Mas o retorno de 2016 não deve pesar muito, não é mesmo? Esse foi um ano de ganhos mais fáceis.

O que atrai no fundo Gauss não é o retorno. O período é curto demais para avaliá-lo. O que conquista no fundo é a filosofia, repetida aqui na Empiricus diariamente. Você sabia que nosso nome é uma homenagem ao filósofo Sextus Empiricus, um dos pais da escola cética?

O grupo de gestores criou um sistema proprietário de risco. A regra é proteger cada posição sempre que possível dentro do próprio mercado. A equipe da Gauss tem convicções, mas nunca vai descartar a possibilidade de estar errada.

Nos meus cafés pelo mundo da gestão, costumo ouvir um discurso sobre posições que, conforme dizem os gestores, se protegem entre si. É o caso de uma aposta na queda do juro brasileiro simultânea a uma na alta do juro americano.

A Gauss é mais ortodoxa quando o assunto é proteção. Se está comprada em real contra dólar, ela vai montar uma estrutura de opções também no câmbio. Se der tudo muito errado, as opções viram dinheiro. Coisa de quem se belisca o tempo todo.

Um gestor que não gosta de opções diria: mas, se a tese se confirmar, as opções serão somente um custo. Verdade. Mas é um preço que queremos pagar, não é mesmo? Você não faz seguro do carro mesmo se achando um motorista diligente?

A equipe do Gauss – defendeu para mim um dos sócios, Carlos Rocha – tem muita experiência com as opções para deixar que elas se transformem em um peso excessivo. “Opção exige dedicação. Se você montar e sair de férias, aí vai custar uma fortuna”, disse.

Cada gestor faz sua proteção, mas vem ainda Okumura como o grande maestro. Se as posições dos demais gestores apontam para o mesmo lado, lá vai ele equilibrar com mais uma proteção.

“Comprar proteções é o que nos dá o conforto de operar grande”, disse o Carlos. Ou seja, a casa vai com vontade em sua tese, mas sempre levando em conta a possibilidade de estar errada.

Achei belo, viu?

No momento, entre as posições da Gauss está uma em juros brasileiros, esperando um ajuste para baixo nas expectativas para a Selic. A preferência é pelos vencimentos intermediários. A carteira tem também posições no exterior, como na Bolsa japonesa e na moeda russa.

O fundo mira volatilidade de 8 por cento, o que enquadra o portfólio entre os multimercados mais arrojados da indústria brasileira.

Uma curiosidade: não existe uma gestora chamada Gauss como já ouvi no mercado (não procure um site próprio, não vai encontrar). Gauss é apenas o nome do fundo multimercado da Credit Suisse Asset Management – a grande aposta da casa desde que Luis Stuhlberger emancipou-se com o conceituado fundo Verde.

O Credit Suisse tem 55 por cento de participação no projeto de Okumura. As políticas internas do banco suíço, como auditorias periódicas, são mais um ponto a favor da solidez do fundo.

O produto está em fase avançada de análise. Mais detalhes em nosso relatório muito em breve. Bom adiantar que, infelizmente, o fundo está restrito a investidores qualificados, ou seja, com mais de 1 milhão de reais em patrimônio financeiro.

 

Aqui você pode ser tolo

A boa notícia é que Taleb nos liberou para ser tolos nos lugares certos. Não devemos fazer previsões econômicas, mas podemos, ele disse, fazer nossa previsão do tempo para o próximo piquenique.

E eu posso prever que você vai clicar aqui para garantir o seu Combo da Proteção. É para aquela fatia do patrimônio em que você deve ser tão hiperconservador quanto puder. Sim, dá para ganhar dinheiro assim.

Um abraço,
Luciana Seabra.

 

Analista responsável: Felipe Miranda, CNPI.

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